Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia
Segue trecho de notícia do Estadão. Comentamos depois.
Apesar de manter um discurso crítico, acusando o governo de ser “gastador” e de considerar “infanto-juvenis” as ameaças da equipe econômica - que previu cortes nos programas sociais se a CPMF não for aprovada -, os líderes tucanos estão negociando com o Palácio do Planalto para manter a CPMF do jeito que a emenda constitucional foi aprovada na Câmara: prorrogação até 2011 e com alíquota de 0,38%. Na prática, quem está comandando a negociação do PSDB com o Planalto são os governadores tucanos Aécio Neves (MG) e José Serra (SP). O ministro Walfrido Mares Guia (Relações Institucionais) passou a noite de segunda para terça-feira em negociação com Aécio, em Belo Horizonte. Serra só não publicou um artigo pró-CPMF em um jornal de grande circulação nacional porque os líderes do PSDB pediram que ele esperasse a conclusão das negociações com o governo. Ontem, o líder dos tucanos, senador Arthur Virgílio (AM), disse no plenário da Casa que “o PSDB é partido de diálogo”. Depois, divulgou uma lista de “seis pontos-limite” para “negociação com o governo em torno da CPMF”. O ponto quinto fala em “alguma redução na alíquota da CPMF...”
Dá pra acreditar ? Sim, infelizmente, dá. O PSDB simplesmente traiu o voto e a esperança de seus eleitores os quais, é bom sempre dizer, sempre lhe foram fiéis. Assim como em 2002, em 2006, muito embora a campanha pífia e covarde de Geraldo Alckmin, o eleitorado tucano foi fiel, e a tal ponto que Lula precisou ir a segundo turno.
Poderiam os senadores do PSDB agora simplesmente impor ao governo petista uma derrota exemplar. Aliás, dentro do Senado Federal, gente da própria base aliada estava pronta para alinhar-se neste “voto contra”. Mas qual, tucano pode até ser bom de bico, mas é ruim de política. E, contra todas as evidências, estão doidinhos para praticarem uma “oposição” responsável. Conseqüência: quem precisa da CPMF é o governo petista, mas quem arcará com o ônus político da recriação do famigerado imposto do cheque será o PSDB. E, como desgraça pouca é bobagem, pago pra ver, num governo tucano provável a partir de 2011, se os petistas retribuirão a “gentileza”. Vale lembrar que, na oposição, o PT não fez aquilo que pede que o PSDB agora faça, esta “oposição responsável”. Simplesmente, fecharam questão e, em bloco, votaram contra. Aliás, votaram contra qualquer coisa que o PSDB precisou votar no Congresso.
Além disto, ecoam recentes as ‘críticas’ de lula contra as privatizações, e no mesmo dia em que ele, Lula, privatizava sete trechos de rodovias federais. Como também o presidente atual não perde oportunidades de criticar sempre que pode o governo anterior, e a tal ponto que praticou um dos mais abomináveis movimentos de cretinice política da vida política: declarou como “herança maldita” a estabilidade que recebeu de graça, apesar de toda a oposição que Lula e seus macacos amestrados fizeram, e ainda roubou os méritos da estabilidade para si próprio.
E saibam: a arrecadação da CPMF não vai para saúde e PAC coisíssima nenhuma. Vai, primeiro, bancar as eleições municipais do ano que vem, e neste sentido, financiará a enorme (e mentirosa) propaganda oficial que deveria ser institucional mas que se converterá em partidária. E vai abastecer e pavimentar a estrada da candidatura petista em 2010. Dentro desta concepção, claro, a tevê pública e todas as ações de idiotia, que só a esquerda é capaz de provocar, precisarão, mais do que nunca, dos recursos que o PSDB está tratando de garantir com seu “alinhamento”.
Se em 2010, alguém se disser surpreso com nova vitória petista nas urnas presidenciais, não estranhem. Os votos começaram a ser conquistados em 2007, com um PSDB débil e patético entregando de bandeja a sucessão de Lula ao próprio PT (senão ao próprio Lula), do mesmo modo quando, em 2005, após o depoimento de Duda Mendonça sobre o pagamento no exterior em caixa 2 da campanha de Lula, o PSDB achou por bem “sangrar” Lula no poder, quando deveria (e podia) ter provocado o impeachment. Diante da reticência, o que vimos em 2006 foi Lula reeleito.
Triste pensar que, com tamanha inapetência para cumprir a função básica da política atual, que seria “praticar oposição”, o PSDB colabora com seu quinhão para maior mediocridade da vida pública.
Renovo aqui o que afirmei ontem: sem a CPMF qualquer presidente, seja de que partido for, pode administrar, e muito bem, o Brasil atual e até melhor se tiver bom senso e espírito público aliado à capacidade de gestão. Quase nem precisa acertar nada, basta não errar. É neste oceano de tranqüilidade que Lula navega, e vai puxando para si os méritos de um país melhor que ele não construiu, até pelo contrário, obstruiu o mais que pode. A arrecadação excedente de impostos é duas vezes e meia o montante que se perderia sem a CPMF. E reparem: nem com toda a CPMF e mais esta arrecadação excedente o governo é capaz de tornar os serviços melhores. O estado falimentar da rede pública de saúde é um atestado bem eloqüente da incompetência que nos desgoverna. Vimos, na reportagem reproduzida de O Globo, o que significa Guaribas, cidade ao sul do Piauí, com os programas assistencialistas compra-votos de Lula.
Em tempo: programas assistencialistas recentemente ampliados para atingir os jovens eleitores de 16 anos, coisa que nem Vargas se atreveu. É para garantir este eleitorado para Lula que a oposição vai aprovar a CPMF. Impressionante!!!
Para mudar esta realidade não bastam discursos. É preciso ação, é preciso demonstrar no plenário do Congresso que aqueles que se indispõem ao governo petista, e são muitos, não estão dispostos a contemporizar com Lula e seus amestrados bandoleiros sindicalistas alojados no poder. Pelo menos 40 milhões de votos dados a Alckmin fazem sentido: são os que não queriam Lula, e preferiam outro candidato, mesmo que fosse para fazer oposição. Abandona-los agora é pedir para serem abandonados depois.
Portanto, a única coisa que se pode dizer deste comportamento tucano é que os seus senadores e representantes máximos, dentre eles Serra e Aécio, rasgaram a bandeira do PSDB. Portanto, que arquem com as conseqüências. Poderiam, ao menos, ter avisado seu eleitorado antes do golpe, pelo menos estes saberiam que, se era uma oposição responsável o que buscavam com seu voto, esta só se conseguiria com outros candidatos que não fossem tucanos.
Quanto a lista de “exigências” que o PSDB apresentou para a aprovação da CPMF, parece ter sido redigida e arquitetada por alguém do próprio governo, porque nela se inferem apenas vagas promessas que para Lula dizer “ok”, é a coisa mais fácil do mundo. São vagas, sem nada concreto, a não ser um “prometo” insosso. A lista, depois de conquistada a CPMF, Lula já deve ter o destino certo: será entregue a Mangabeira Unger, o ministro das ações de longo prazo. Seria oportuno que, em retribuição, o presidente mandasse abrir licitação para aquisição de cadeirinhas confortáveis, para os tucanos ficarem confortáveis à espera de que as “exigências” sejam cumpridas.
Segue trecho de notícia do Estadão. Comentamos depois.
Apesar de manter um discurso crítico, acusando o governo de ser “gastador” e de considerar “infanto-juvenis” as ameaças da equipe econômica - que previu cortes nos programas sociais se a CPMF não for aprovada -, os líderes tucanos estão negociando com o Palácio do Planalto para manter a CPMF do jeito que a emenda constitucional foi aprovada na Câmara: prorrogação até 2011 e com alíquota de 0,38%. Na prática, quem está comandando a negociação do PSDB com o Planalto são os governadores tucanos Aécio Neves (MG) e José Serra (SP). O ministro Walfrido Mares Guia (Relações Institucionais) passou a noite de segunda para terça-feira em negociação com Aécio, em Belo Horizonte. Serra só não publicou um artigo pró-CPMF em um jornal de grande circulação nacional porque os líderes do PSDB pediram que ele esperasse a conclusão das negociações com o governo. Ontem, o líder dos tucanos, senador Arthur Virgílio (AM), disse no plenário da Casa que “o PSDB é partido de diálogo”. Depois, divulgou uma lista de “seis pontos-limite” para “negociação com o governo em torno da CPMF”. O ponto quinto fala em “alguma redução na alíquota da CPMF...”
Dá pra acreditar ? Sim, infelizmente, dá. O PSDB simplesmente traiu o voto e a esperança de seus eleitores os quais, é bom sempre dizer, sempre lhe foram fiéis. Assim como em 2002, em 2006, muito embora a campanha pífia e covarde de Geraldo Alckmin, o eleitorado tucano foi fiel, e a tal ponto que Lula precisou ir a segundo turno.
Poderiam os senadores do PSDB agora simplesmente impor ao governo petista uma derrota exemplar. Aliás, dentro do Senado Federal, gente da própria base aliada estava pronta para alinhar-se neste “voto contra”. Mas qual, tucano pode até ser bom de bico, mas é ruim de política. E, contra todas as evidências, estão doidinhos para praticarem uma “oposição” responsável. Conseqüência: quem precisa da CPMF é o governo petista, mas quem arcará com o ônus político da recriação do famigerado imposto do cheque será o PSDB. E, como desgraça pouca é bobagem, pago pra ver, num governo tucano provável a partir de 2011, se os petistas retribuirão a “gentileza”. Vale lembrar que, na oposição, o PT não fez aquilo que pede que o PSDB agora faça, esta “oposição responsável”. Simplesmente, fecharam questão e, em bloco, votaram contra. Aliás, votaram contra qualquer coisa que o PSDB precisou votar no Congresso.
Além disto, ecoam recentes as ‘críticas’ de lula contra as privatizações, e no mesmo dia em que ele, Lula, privatizava sete trechos de rodovias federais. Como também o presidente atual não perde oportunidades de criticar sempre que pode o governo anterior, e a tal ponto que praticou um dos mais abomináveis movimentos de cretinice política da vida política: declarou como “herança maldita” a estabilidade que recebeu de graça, apesar de toda a oposição que Lula e seus macacos amestrados fizeram, e ainda roubou os méritos da estabilidade para si próprio.
E saibam: a arrecadação da CPMF não vai para saúde e PAC coisíssima nenhuma. Vai, primeiro, bancar as eleições municipais do ano que vem, e neste sentido, financiará a enorme (e mentirosa) propaganda oficial que deveria ser institucional mas que se converterá em partidária. E vai abastecer e pavimentar a estrada da candidatura petista em 2010. Dentro desta concepção, claro, a tevê pública e todas as ações de idiotia, que só a esquerda é capaz de provocar, precisarão, mais do que nunca, dos recursos que o PSDB está tratando de garantir com seu “alinhamento”.
Se em 2010, alguém se disser surpreso com nova vitória petista nas urnas presidenciais, não estranhem. Os votos começaram a ser conquistados em 2007, com um PSDB débil e patético entregando de bandeja a sucessão de Lula ao próprio PT (senão ao próprio Lula), do mesmo modo quando, em 2005, após o depoimento de Duda Mendonça sobre o pagamento no exterior em caixa 2 da campanha de Lula, o PSDB achou por bem “sangrar” Lula no poder, quando deveria (e podia) ter provocado o impeachment. Diante da reticência, o que vimos em 2006 foi Lula reeleito.
Triste pensar que, com tamanha inapetência para cumprir a função básica da política atual, que seria “praticar oposição”, o PSDB colabora com seu quinhão para maior mediocridade da vida pública.
Renovo aqui o que afirmei ontem: sem a CPMF qualquer presidente, seja de que partido for, pode administrar, e muito bem, o Brasil atual e até melhor se tiver bom senso e espírito público aliado à capacidade de gestão. Quase nem precisa acertar nada, basta não errar. É neste oceano de tranqüilidade que Lula navega, e vai puxando para si os méritos de um país melhor que ele não construiu, até pelo contrário, obstruiu o mais que pode. A arrecadação excedente de impostos é duas vezes e meia o montante que se perderia sem a CPMF. E reparem: nem com toda a CPMF e mais esta arrecadação excedente o governo é capaz de tornar os serviços melhores. O estado falimentar da rede pública de saúde é um atestado bem eloqüente da incompetência que nos desgoverna. Vimos, na reportagem reproduzida de O Globo, o que significa Guaribas, cidade ao sul do Piauí, com os programas assistencialistas compra-votos de Lula.
Em tempo: programas assistencialistas recentemente ampliados para atingir os jovens eleitores de 16 anos, coisa que nem Vargas se atreveu. É para garantir este eleitorado para Lula que a oposição vai aprovar a CPMF. Impressionante!!!
Para mudar esta realidade não bastam discursos. É preciso ação, é preciso demonstrar no plenário do Congresso que aqueles que se indispõem ao governo petista, e são muitos, não estão dispostos a contemporizar com Lula e seus amestrados bandoleiros sindicalistas alojados no poder. Pelo menos 40 milhões de votos dados a Alckmin fazem sentido: são os que não queriam Lula, e preferiam outro candidato, mesmo que fosse para fazer oposição. Abandona-los agora é pedir para serem abandonados depois.
Portanto, a única coisa que se pode dizer deste comportamento tucano é que os seus senadores e representantes máximos, dentre eles Serra e Aécio, rasgaram a bandeira do PSDB. Portanto, que arquem com as conseqüências. Poderiam, ao menos, ter avisado seu eleitorado antes do golpe, pelo menos estes saberiam que, se era uma oposição responsável o que buscavam com seu voto, esta só se conseguiria com outros candidatos que não fossem tucanos.
Quanto a lista de “exigências” que o PSDB apresentou para a aprovação da CPMF, parece ter sido redigida e arquitetada por alguém do próprio governo, porque nela se inferem apenas vagas promessas que para Lula dizer “ok”, é a coisa mais fácil do mundo. São vagas, sem nada concreto, a não ser um “prometo” insosso. A lista, depois de conquistada a CPMF, Lula já deve ter o destino certo: será entregue a Mangabeira Unger, o ministro das ações de longo prazo. Seria oportuno que, em retribuição, o presidente mandasse abrir licitação para aquisição de cadeirinhas confortáveis, para os tucanos ficarem confortáveis à espera de que as “exigências” sejam cumpridas.