quarta-feira, outubro 24, 2007

No Paraná, sem-terra já tem licença para matar

Reinaldo Azevedo

Por Luiz Carlos Da Cruz, na Folha desta terça. Volto depois:

A Sesp (Secretaria de Segurança Pública do Paraná) reforçou a segurança na fazenda experimental da multinacional Syngenta Seeds, em Santa Tereza do Oeste (540 km de Curitiba), depois do confronto que deixou um líder do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e um vigilante de empresa de segurança mortos na manhã de domingo, na terceira invasão da área. No confronto morreram a tiros Valmir da Mota Oliveira, 32, conhecido como Keno, líder do MST no oeste do Paraná, e o segurança Fábio Ferreira, 25. Ontem, o delegado Luiz Alberto Cartaxo de Moura, chefe Departamento da Divisão de Interior, e o coronel Celso José Mello, comandante do policiamento do interior da Polícia Militar, estiveram na região. A polícia diz que ficará na área até que a ordem seja restabelecida. Os comandantes não informaram se pretendem solicitar à Justiça autorização para procurar armas de fogo na área invadida pelo MST e Via Campesina e disseram que não deve haver tentativa de desocupar a fazenda à força. "Não se trata dessa forma os movimentos sociais", disse o coronel Mello.

Voltei
Como vocês sabem, sou um cão de guarda. Da Constituição. E só presto socorro gramatical em último caso. O segurança morto tem ao menos nome agora. Roberto Requião, governador do Paraná, é uma piada de péssimo gosto. É ele o maior insuflador do MST do Estado. Acreditem: a fazenda continua ocupada, ao arrepio da lei. Vejam lá o que diz o coronel Mello: “Não se trata dessa forma os movimentos sociais”. Se Requião não fosse tão bufão, os esquerdistas do jornalismo estariam acendendo velas à sua clarividência. Taí: os que não gostam do Capitão Nascimento já têm um herói: o coronel Mello.

Acreditem: por causa da morte do sem-terra, sete seguranças foram presos e encaminhados ao Centro de Detenção e Ressocialização de Cascavel. E quantos sem-terra estão presos por terem esbulhado a lei, invadido uma propriedade privada e assassinado um segurança? Nenhum, ora essa. Nove prestaram depoimentos e foram liberados.

Movimento social se trata assim: dando licença para matar.

Mortos no Paraná: Roberto Requião faz proselitismo sobre cadáveres

Ainda sobre as mortes no Paraná (ver nota acima), leia trecho da reportagem do Estadão. Resta evidente que o governador Roberto Requião se aproveita dos cadáveres para fazer mais proselitismo. Pobre Paraná!

(...)
Por Miguel Portela, Evandro Fadel, José Maria Tomazela e Moacir Assunção

O presidente da subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Cascavel, Luciano Braga Cortes, disse que o governo do Paraná tem responsabilidade no confronto. “Poderíamos ter evitado essas mortes se o Poder Executivo cumprisse as ordens de reintegração.” Esta foi a terceira invasão à área da Syngenta desde março de 2006. “Lamentamos o acontecido, mas era previsto”, disse o presidente da Sociedade Rural do Oeste, Alessandro Meneghel. Segundo ele, o governo estadual deixou de cumprir seu dever ao desconhecer ordens judiciais para reintegrações de posse. O presidente da União Democrática Ruralista (UDR), Luiz Antonio Nabhan Garcia, também responsabilizou os governos estadual e federal pelo conflito. A Comissão Pastoral da Terra (CPT), em nota, disse que milícias armadas têm agido no campo e nenhuma atitude foi tomada, apesar das denúncias. A Agência Estadual de Notícias, do governo do Paraná, divulgou nota afirmando que 25 seguranças da NF Segurança - que teriam sido contratados pelo Movimento de Produtores Rurais (MPR) - chegaram atirando no domingo. Segundo a agência, a informação foi dada por policiais. Meneghel, que é organizador do MPR, negou participação no episódio. Anteriormente, o governo havia divulgado nota afirmando que, em cinco anos, já realizou 172 reintegrações de posse, “sem nenhuma morte ou violência”. “O que dirigentes da UDR não entendem é que este governo jamais fará reintegração usando de violência”, dizia a nota.