Adelson Elias Vasconcellos
Leiam texto da Folha Online. Comentaremos depois.
Com o dólar em seu mais baixo patamar desde 1999, o governo estuda medidas para evitar que essa desvalorização afete a economia brasileira, principalmente o setor exportador. Um conjunto de ações deve ser anunciado em breve pelo Ministério da Fazenda, embora o ministro Guido Mantega não admita um "pacote".
Segundo o jornal "Valor Econômico", entre as medidas estão o fim da chamada cobertura cambial --que são os recursos de exportações que as empresas são obrigadas a trazer para o país-- e a volta de um imposto sobre as aplicações de estrangeiros no mercado de títulos da dívida interna.
No Congresso, hoje, Mantega negou a edição de um pacote de medidas, mas afirmou que o governo irá evitar a valorização do real frente ao dólar.
"Não há um pacote cambial em curso. Claro que o governo permanentemente se preocupa em fomentar as exportações e impedir a valorização excessiva do real. Nossas equipes estão sempre estudando medidas para isso", disse.
Amanhã, o ministro deve se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para falar sobre o assunto.
A cobertura cambial hoje é restrita a 70% do valor das exportações. Ou seja, 30% desses recursos podem ficar fora do país. Antes de 2006, os exportadores eram obrigados a internalizar (trazer para o país) 100% dos recursos. A medida foi tomada na época para reduzir a pressão sobre a cotação do dólar --com as exportações batendo recorde, mais recursos estrangeiros entraram no país, forçando a desvalorização da moeda norte-americana.
No entanto, uma medida tomada poucos meses antes estimulou a entrada de moeda estrangeira no país. Em fevereiro de 2006, o governo decidiu isentar os investidores estrangeiros do Imposto de Renda sobre o lucro nas operações com títulos públicos. A alíquota era de 15%.
A isenção atraiu investidores a aplicar em títulos públicos, que pagam em média a taxa básica de juros, a Selic, hoje em 11,25% ao ano.
A baixa cotação do dólar tem conseqüências diferentes para a economia. Por um lado, as empresas têm condições de renovar o parque industrial --no primeiro bimestre as importações de bens de capital cresceram 57,4%--, e a população tem acesso a bens importados mais baratos, o que ajuda a controlar os preços.
Por outro, as empresas brasileiras sofrem a concorrência dos produtos estrangeiros --a compra de bens de consumo importados cresceu 46,2% nos dois primeiros meses do ano--, e os exportadores recebem uma remuneração menor, já que os produtos brasileiros ficam, em tese, mais caros.
Além disso, com dólar barato, as importações crescem a um ritmo superior ao das exportações. A balança comercial do início de março ficou negativa. Nos últimos anos, o saldo comercial sustentou a conta de transações correntes --que representa as principais operações do Brasil com o exterior.
COMENTANDO:
Voltem no tempo e contem quantos artigos e de tantos especialistas e economistas publicamos aqui no blog, alertando para a questão cambial, com o real supervalorizado ? Listem quantas atividades econômicas sofreram e ainda sofrem com o real valorizando-se permanentemente frente ao dólar sem que o governo tomasse uma providência para evitar a sangria !!! Não são poucas, como também não são poucos os empregos fechados e empresas falidas por conta deste absurdo que tantos denunciaram e alertaram o governo e ele sempre se portou com arrogância em razão de outros interesses eleitoreiros ? Aí, depois dos prejuízos já causados é que o governo vem “tomar providências”? Estejam certos de que alguma atividade econômica muito próxima da presidência, do tipo que “colabora” com os caixinhas de campanha, está se sentido prejudicada e “pediu” medidas ao governo e ele “resolveu atender” !
Além disso,o crescimento vertiginoso das importações em índices superiores ao das exportações já deveriam ter servido como sinal de alerta. Mesmo assim, o governo ignorou os avisos. Resultado: a balança comercial vem reduzindo seu saldo favorável gradativamente e já chegamos no vermelho.
A seguir, notícia do Jornal do Brasil sobre a balança comercial e outra reportagem, esta da Tribuna da Imprensa, sobre os elevados juros ainda praticados no Brasil. É preciso entender que, o nível de juros colabora diretamente, e em grande dose, para o ingresso em volumes consideráveis de dólares no país, não são apenas as exportações. Fosse assim, ninguém faria enorme esforço para vender no mercado externo. Ocorre que a disparidade dos juros altos internamente atraem o chamado “capital motel”. Não é por outra razão que os bancos estrangeiros, em 2007, “salvaram seus lucros com aplicações feitas no Brasil, enquanto tiveram que arcar com enormes prejuízos em suas matrizes por conta da crise da subprime. Para encerrar, análise equilibrada do Julio Gomes de Almeida sobre a diferentes faces do câmbio.
Conclusão: o governo do Luiz Inácio está, pra variar, completamente atrasado na questão cambial, e fruto disto, quem paga é o país. Mas, claro, ele não tem nada a ver com isso, porque o erro e a culpa são sempre dos outros...
Leiam texto da Folha Online. Comentaremos depois.
Com o dólar em seu mais baixo patamar desde 1999, o governo estuda medidas para evitar que essa desvalorização afete a economia brasileira, principalmente o setor exportador. Um conjunto de ações deve ser anunciado em breve pelo Ministério da Fazenda, embora o ministro Guido Mantega não admita um "pacote".
Segundo o jornal "Valor Econômico", entre as medidas estão o fim da chamada cobertura cambial --que são os recursos de exportações que as empresas são obrigadas a trazer para o país-- e a volta de um imposto sobre as aplicações de estrangeiros no mercado de títulos da dívida interna.
No Congresso, hoje, Mantega negou a edição de um pacote de medidas, mas afirmou que o governo irá evitar a valorização do real frente ao dólar.
"Não há um pacote cambial em curso. Claro que o governo permanentemente se preocupa em fomentar as exportações e impedir a valorização excessiva do real. Nossas equipes estão sempre estudando medidas para isso", disse.
Amanhã, o ministro deve se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para falar sobre o assunto.
A cobertura cambial hoje é restrita a 70% do valor das exportações. Ou seja, 30% desses recursos podem ficar fora do país. Antes de 2006, os exportadores eram obrigados a internalizar (trazer para o país) 100% dos recursos. A medida foi tomada na época para reduzir a pressão sobre a cotação do dólar --com as exportações batendo recorde, mais recursos estrangeiros entraram no país, forçando a desvalorização da moeda norte-americana.
No entanto, uma medida tomada poucos meses antes estimulou a entrada de moeda estrangeira no país. Em fevereiro de 2006, o governo decidiu isentar os investidores estrangeiros do Imposto de Renda sobre o lucro nas operações com títulos públicos. A alíquota era de 15%.
A isenção atraiu investidores a aplicar em títulos públicos, que pagam em média a taxa básica de juros, a Selic, hoje em 11,25% ao ano.
A baixa cotação do dólar tem conseqüências diferentes para a economia. Por um lado, as empresas têm condições de renovar o parque industrial --no primeiro bimestre as importações de bens de capital cresceram 57,4%--, e a população tem acesso a bens importados mais baratos, o que ajuda a controlar os preços.
Por outro, as empresas brasileiras sofrem a concorrência dos produtos estrangeiros --a compra de bens de consumo importados cresceu 46,2% nos dois primeiros meses do ano--, e os exportadores recebem uma remuneração menor, já que os produtos brasileiros ficam, em tese, mais caros.
Além disso, com dólar barato, as importações crescem a um ritmo superior ao das exportações. A balança comercial do início de março ficou negativa. Nos últimos anos, o saldo comercial sustentou a conta de transações correntes --que representa as principais operações do Brasil com o exterior.
COMENTANDO:
Voltem no tempo e contem quantos artigos e de tantos especialistas e economistas publicamos aqui no blog, alertando para a questão cambial, com o real supervalorizado ? Listem quantas atividades econômicas sofreram e ainda sofrem com o real valorizando-se permanentemente frente ao dólar sem que o governo tomasse uma providência para evitar a sangria !!! Não são poucas, como também não são poucos os empregos fechados e empresas falidas por conta deste absurdo que tantos denunciaram e alertaram o governo e ele sempre se portou com arrogância em razão de outros interesses eleitoreiros ? Aí, depois dos prejuízos já causados é que o governo vem “tomar providências”? Estejam certos de que alguma atividade econômica muito próxima da presidência, do tipo que “colabora” com os caixinhas de campanha, está se sentido prejudicada e “pediu” medidas ao governo e ele “resolveu atender” !
Além disso,o crescimento vertiginoso das importações em índices superiores ao das exportações já deveriam ter servido como sinal de alerta. Mesmo assim, o governo ignorou os avisos. Resultado: a balança comercial vem reduzindo seu saldo favorável gradativamente e já chegamos no vermelho.
A seguir, notícia do Jornal do Brasil sobre a balança comercial e outra reportagem, esta da Tribuna da Imprensa, sobre os elevados juros ainda praticados no Brasil. É preciso entender que, o nível de juros colabora diretamente, e em grande dose, para o ingresso em volumes consideráveis de dólares no país, não são apenas as exportações. Fosse assim, ninguém faria enorme esforço para vender no mercado externo. Ocorre que a disparidade dos juros altos internamente atraem o chamado “capital motel”. Não é por outra razão que os bancos estrangeiros, em 2007, “salvaram seus lucros com aplicações feitas no Brasil, enquanto tiveram que arcar com enormes prejuízos em suas matrizes por conta da crise da subprime. Para encerrar, análise equilibrada do Julio Gomes de Almeida sobre a diferentes faces do câmbio.
Conclusão: o governo do Luiz Inácio está, pra variar, completamente atrasado na questão cambial, e fruto disto, quem paga é o país. Mas, claro, ele não tem nada a ver com isso, porque o erro e a culpa são sempre dos outros...