quarta-feira, março 12, 2008

Mais um espanhol é impedido de entrar no Brasil pela PF

Adelson Elias Vasconcellos

O Jornal do Globo noticiou na edição desta terça-feira que mais um espanhol foi barrado de ingressar no país, desta em Fortaleza. Nem se venha aqui analisar se o turista estava com a razão ou não, ou se o agente da imigração agiu na forma da lei. O fato é que, conforme se pode ver é que a maneira pouco educada, grosseira até como o funcionário tratou o espanhol é que é inadmissível. Este funcionário não tem a menor competência (isto para se dizer o mínimo), para tratar com público. Talvez em uma pocilga o distinto se sinta melhor.

É preciso entender que, se as autoridades espanholas estão certas em cumprir com suas leis, por outro lado elas não podem tratar com suprema humilhação a quem quer que seja. Deixar passageiros retidos em aeroporto por horas a fio, sem explicações e em condições constrangedoras, requer de parte da diplomacia brasileira uma ação enérgica e rápida. Mas tanto não justifica que os funcionários de atendimento em aeroportos brasileiros passem a destratar pessoas que não tem absolutamente culpa nenhuma pela má educação e grosseria de terceiros. Compete a tomada de providências às autoridades diplomáticas, quesito, aliás, em que o Brasil tem deixado a desejar desde 2003.

Assim, deveria o Itamaraty tomar a iniciativa de ir de encontro com as autoridades espanholas não na embaixada espanhola em Brasília, tampouco por telefone. Tal situação exige que se vá à Madrid e, lá, confira-se serem verdadeiras os testemunhos dados por brasileiros quanto aos constrangimentos que passaram e, depois, tente-se sempre no diálogo uma saída satisfatória para todos.

Agora tem um detalhe: o funcionário do aeroporto se está agindo por conta própria está errado por estar tomando para si uma autoridade que não lhe foi delegada. Mas, tenho para mim, a quase certeza de que o funcionário está agindo a mando de seus superiores, no caso a Polícia Federal que se subordina ao Ministério da Justiça sob o comando do impávido colosso Tarso Genro. Considerando-se as entrevistas que o boçal deu sobre o problema, o funcionário é apenas a ponta final de uma situação que, convenhamos, é de todo equivocado já que estamos tomando o caminho para dar à crise uma proporção que ela não tem e não precisa ter.

A seguir o texto da notícia e o link do vídeo.

Olho por olho, dente por dente
Jornal da Globo

Nossas câmeras registraram no aeroporto de Fortaleza aquilo que os diplomatas chamam de princípio de reciprocidade ao barrarem a entrada no Brasil de um cidadão espanhol.

Nossa equipe estava no aeroporto de Fortaleza fazendo uma reportagem sobre o aperto nas regras para entrada de espanhóis no Brasil. Fazíamos imagens do setor de controle de passaportes e flagramos o que aconteceu com o espanhol Gerard Llobert Lllorene, de 31 anos.

Ele diz que pretendia ficar no Brasil por 90 dias. O agente da imigração pede o endereço de onde o espanhol pretende se hospedar. Ele entrega uma folha de papel.

A comunicação é difícil. O agente não fala espanhol, o turista não entende português e parece não perceber que vai ter mesmo que voltar para casa. "O senhor vai voltar pro seu país", diz o agente.

Um outro passageiro, também espanhol, tenta intervir e o agente deixa claro que a ação é uma reposta ao que está acontecendo com os brasileiros na Espanha. “Os atos da Polícia Federal no Brasil são recíprocos aos atos da polícia na Espanha. Uma das exigências é ter endereço fixo para ficar no meu país por 90 dias. O senhor não tem, o senhor vai voltar pelos mesmos motivos que os brasileiros estão voltando da Espanha”, explica.

O turista já está a caminho da Espanha. Ele voltou no mesmo avião que o trouxe para o Brasil. Segundo a Polícia Federal, ele não poderia permanecer aqui sem comprovar nem mesmo o endereço de hospedagem.

"Pelo menos um comprovante de reserva de hotel, aluguel de carro, um passeio turístico, algum endereço fixo, ter trazido dinheiro suficiente para gastar aqui. Estão neste caso fica muito fácil de caracterizar como turista que não nos interessa no nosso país", diz Thomas Wlassak, chefe do setor de migração da PF.

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