Adelson Elias Vasconcellos
Logo após as eleições de 2006, e até bem no começo do ano seguinte, muito se falou em acabar com o instituto da reeleição para os executivos. Existem parados no congresso, inúmeros projetos neste sentido. Contudo, nenhum deu seguimento. Todos estão aguardando a hora e vez de serem colocados na pauta das votações. E isto só ocorrerá a depender exclusivamente das eleições municipais deste ano. Já falamos disto aqui várias vezes, e ainda quando o governo brigava pela recriação da CPMF que, aliás, não se constitui na única ferramenta estratégica desenhada pelo Planalto. Exemplo disto podemos citar o PAC que, lançado em janeiro de 2007, somente a partir deste ano passou a receber a devida importância. Assim, fica inteiramente compreendida as inúmeras viagens de Lula e os palanques armados Brasil afora. Leiam os jornais e analisem com rigor: não há como negar que se trata de campanha eleitoral. Lá se identificam todos os ingredientes. Não fosse desta forma, e os protocolos de intenções que Lula tem assinado com prefeitos e governadores, seriam da alçada de ministros variados, destacando-se o de Integração Nacional, antigo Ministério do Interior, que era a quem competia a assinatura de protocolo de intenções em projetos de água e esgoto, saneamento, irrigação, habitação, urbanização de favelas, todas obras de sua competência. Mas o que se vê, indiscutivelmente, é palanque eleitoral. Não se tratam de grandes obras de infra-estrutura o que se está inaugurando, e sim a decisão política delas serem feitas. E nem tudo é grande obra, tratam-se muitas de apelos de marketing para capitalização política tão somente, de realizações fruto até de emendas dos parlamentares. Nem são tratam de obras federais. E tudo isto, se de fato se tratasse de um projeto de desenvolvimento, poderia ter se iniciado em 2007, quando não houve eleições, e não se precisaria esperar tanto tempo, até porque a obras a que os tais protocolos se referem são urgentes e necessárias para o bem estar das populações mais pobres.
Outro exemplo, é a bolsa adolescente. Nem a ditadura Vargas ousou tanto. Ele foi o criador do salário família, que se constituía num acréscimo de 5% sobre o salário mínimo, e que era pago aos trabalhadores com filhos menores de 14 anos. Lula estendeu o auxílio para adolescentes que, coincidentemente (???), estarão comparecendo neste ano pela primeira vez nas urnas, como eleitores. Se a preocupação fosse apenas servir como incentivo a permanência dos jovens nas escolas, o bônus já poderia ter sido implantado em 2007 mesmo, porque a situação de hoje é a mesma existente em 2007. A diferença está que em 2008 há eleições e 2007 não havia.
Assim, ficam claras as intenções do petismo e de Lula. É preciso “ganhar” amplo espectro de apoio político em 2008. Juntem agora este ingrediente aos índices de popularidade e aprovação popular, e estará pronto o clima para, pela via legal, serem criados os instrumentos que conduzam Lula a um terceiro mandato consecutivo. Claro que ele nega, não há mesmo clima agora para esta tentativa. Mas o caminho está, acreditem, sendo irrigado convenientemente, para a estratégia produzir, ao cabo, o resultado que dela se espera.
Querem mais sinais de que está em curso a ruptura institucional em vigor, para o estabelecimento da hegemonia socialista ?
Querem saber como se faz e como está sendo construído este caminho? Primeiro, aparelhando o Estado, e isto é uma realidade. O exército que faz o aparelhamento permanecer fiel é o movimento sindical, todo ele sob a tutela da CUT. Para que este exército possa se fortalecer ainda mais, precisava mexer-se nas leis, dando legalidade e independência ao movimento, com o abastecimento generoso dos cofres públicos. Assim, aprovou-se a lei que garante legalidade às Centras Sindicais, leia-se CUT, adicionando-se na lei que ela receberia parte do imposto sindical pago pelos trabalhadores, e que poderá render estimados 100 milhões anuais em grana viva, limpa e sem riscos. Mas como garantir tamanho volume de recursos? Para quebrar resistências, o projeto de legalização das centrais, recepcionou uma cláusula que tornava o imposto sindical como optativo, ou seja, seria cobrado apenas daqueles empregados associados e desde que estes autorizassem a cobrança. Quebrada a resistência, o passo seguinte foi de, na hora da votação, retirarem esta condição e, em troca, substituir por uma fiscalização do Tribunal Contas sobre a aplicação dos recursos que serão repassados pela União. Editada e devidamente aprovada pelo Congresso, seguiu para a sanção presidencial. E aí veio o tiro de misericórdia: na hora de assinar, Lula simplesmente ignorou os acordos no âmbito do Congresso que permitiram a aprovação da Lei, e vetou o quê? O repasse dos recursos? A obrigatoriedade na cobrança do imposto sindical? Nada disso, tais pontos permanecerão como tal foram aprovados: ele vetou nada mais nada menos do que a reciprocidade oferecida para aprovarem os outros dois, que eram polêmicos. Ele vetou a fiscalização do TCU. Ou seja, a bufunfa está garantida, e não será preciso dar satisfação a quem quer que seja sobre sua aplicação. Que tal ?
Assim, o projeto de hegemonia deu mais um grande passo para realizar-se e consolidar-se. Doravante, o petismo tem assegurado o incondicional apoio das centrais sindicais. E agora juntem aí MST e congêneres na sua guerrilha urbana e rural, e mais 25% da população brasileira dependente da esmola estatal, e você verá com quanta cretinice, e sem ferir uma miserável lei do país, é possível vingar um projeto que, tem por escopo, simplesmente esbulhar o estado de direito democrático.
No terceiro capítulo deste estudo, trataremos das questões que dizem respeito ao tal imposto sindical. E, no final deste estudo, analisaremos outras questões tais como o aniquilamento das oposições, o processo de se calar a mídia independente, como anestesiar o povo para não reagir à ruptura institucional, como tornar irrelevantes as instituições para promover o golpismo pela via legal e com a prática imoral do fisiologismo explícito, e o gigantismo do estado na atividade econômica.
Logo após as eleições de 2006, e até bem no começo do ano seguinte, muito se falou em acabar com o instituto da reeleição para os executivos. Existem parados no congresso, inúmeros projetos neste sentido. Contudo, nenhum deu seguimento. Todos estão aguardando a hora e vez de serem colocados na pauta das votações. E isto só ocorrerá a depender exclusivamente das eleições municipais deste ano. Já falamos disto aqui várias vezes, e ainda quando o governo brigava pela recriação da CPMF que, aliás, não se constitui na única ferramenta estratégica desenhada pelo Planalto. Exemplo disto podemos citar o PAC que, lançado em janeiro de 2007, somente a partir deste ano passou a receber a devida importância. Assim, fica inteiramente compreendida as inúmeras viagens de Lula e os palanques armados Brasil afora. Leiam os jornais e analisem com rigor: não há como negar que se trata de campanha eleitoral. Lá se identificam todos os ingredientes. Não fosse desta forma, e os protocolos de intenções que Lula tem assinado com prefeitos e governadores, seriam da alçada de ministros variados, destacando-se o de Integração Nacional, antigo Ministério do Interior, que era a quem competia a assinatura de protocolo de intenções em projetos de água e esgoto, saneamento, irrigação, habitação, urbanização de favelas, todas obras de sua competência. Mas o que se vê, indiscutivelmente, é palanque eleitoral. Não se tratam de grandes obras de infra-estrutura o que se está inaugurando, e sim a decisão política delas serem feitas. E nem tudo é grande obra, tratam-se muitas de apelos de marketing para capitalização política tão somente, de realizações fruto até de emendas dos parlamentares. Nem são tratam de obras federais. E tudo isto, se de fato se tratasse de um projeto de desenvolvimento, poderia ter se iniciado em 2007, quando não houve eleições, e não se precisaria esperar tanto tempo, até porque a obras a que os tais protocolos se referem são urgentes e necessárias para o bem estar das populações mais pobres.
Outro exemplo, é a bolsa adolescente. Nem a ditadura Vargas ousou tanto. Ele foi o criador do salário família, que se constituía num acréscimo de 5% sobre o salário mínimo, e que era pago aos trabalhadores com filhos menores de 14 anos. Lula estendeu o auxílio para adolescentes que, coincidentemente (???), estarão comparecendo neste ano pela primeira vez nas urnas, como eleitores. Se a preocupação fosse apenas servir como incentivo a permanência dos jovens nas escolas, o bônus já poderia ter sido implantado em 2007 mesmo, porque a situação de hoje é a mesma existente em 2007. A diferença está que em 2008 há eleições e 2007 não havia.
Assim, ficam claras as intenções do petismo e de Lula. É preciso “ganhar” amplo espectro de apoio político em 2008. Juntem agora este ingrediente aos índices de popularidade e aprovação popular, e estará pronto o clima para, pela via legal, serem criados os instrumentos que conduzam Lula a um terceiro mandato consecutivo. Claro que ele nega, não há mesmo clima agora para esta tentativa. Mas o caminho está, acreditem, sendo irrigado convenientemente, para a estratégia produzir, ao cabo, o resultado que dela se espera.
Querem mais sinais de que está em curso a ruptura institucional em vigor, para o estabelecimento da hegemonia socialista ?
Querem saber como se faz e como está sendo construído este caminho? Primeiro, aparelhando o Estado, e isto é uma realidade. O exército que faz o aparelhamento permanecer fiel é o movimento sindical, todo ele sob a tutela da CUT. Para que este exército possa se fortalecer ainda mais, precisava mexer-se nas leis, dando legalidade e independência ao movimento, com o abastecimento generoso dos cofres públicos. Assim, aprovou-se a lei que garante legalidade às Centras Sindicais, leia-se CUT, adicionando-se na lei que ela receberia parte do imposto sindical pago pelos trabalhadores, e que poderá render estimados 100 milhões anuais em grana viva, limpa e sem riscos. Mas como garantir tamanho volume de recursos? Para quebrar resistências, o projeto de legalização das centrais, recepcionou uma cláusula que tornava o imposto sindical como optativo, ou seja, seria cobrado apenas daqueles empregados associados e desde que estes autorizassem a cobrança. Quebrada a resistência, o passo seguinte foi de, na hora da votação, retirarem esta condição e, em troca, substituir por uma fiscalização do Tribunal Contas sobre a aplicação dos recursos que serão repassados pela União. Editada e devidamente aprovada pelo Congresso, seguiu para a sanção presidencial. E aí veio o tiro de misericórdia: na hora de assinar, Lula simplesmente ignorou os acordos no âmbito do Congresso que permitiram a aprovação da Lei, e vetou o quê? O repasse dos recursos? A obrigatoriedade na cobrança do imposto sindical? Nada disso, tais pontos permanecerão como tal foram aprovados: ele vetou nada mais nada menos do que a reciprocidade oferecida para aprovarem os outros dois, que eram polêmicos. Ele vetou a fiscalização do TCU. Ou seja, a bufunfa está garantida, e não será preciso dar satisfação a quem quer que seja sobre sua aplicação. Que tal ?
Assim, o projeto de hegemonia deu mais um grande passo para realizar-se e consolidar-se. Doravante, o petismo tem assegurado o incondicional apoio das centrais sindicais. E agora juntem aí MST e congêneres na sua guerrilha urbana e rural, e mais 25% da população brasileira dependente da esmola estatal, e você verá com quanta cretinice, e sem ferir uma miserável lei do país, é possível vingar um projeto que, tem por escopo, simplesmente esbulhar o estado de direito democrático.
No terceiro capítulo deste estudo, trataremos das questões que dizem respeito ao tal imposto sindical. E, no final deste estudo, analisaremos outras questões tais como o aniquilamento das oposições, o processo de se calar a mídia independente, como anestesiar o povo para não reagir à ruptura institucional, como tornar irrelevantes as instituições para promover o golpismo pela via legal e com a prática imoral do fisiologismo explícito, e o gigantismo do estado na atividade econômica.