terça-feira, maio 27, 2008

Anac pode destruir aviação nacional, diz fundador da Embraer

JB Online

O fundador da Embraer, ex-ministro da Infra-estrutura e ex-presidente da Varig, brigadeiro Ozires Silva, acredita que, se o governo continuar com a política de "céus abertos" com empresas estrangeiras, a aviação nacional pode ser destruída. Para Silva, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) deveria consultar os empresários brasileiros antes de estabelecer esta política.

"Se o governo insistir na formulação de uma política de céus abertos com empresas norte-americanas e européias destruirá a aviação nacional. Dará de bandeja o mercado brasileiro às estrangeiras", afirma Silva, que comandou a Varig entre os anos de 2000 a 2003.

Segundo Ozires Silva, antes da Anac estabelecer essa política deveria ocorrer uma consulta pública. "Não é possível que o governo brasileiro tome uma decisão dessas sem a opinião dos maiores interessados, os empresários brasileiros. Deve haver essa consulta", ressaltou o brigadeiro.

O diretor da Anac, Ronaldo Seroa da Motta, disse que a agência é favorável à expansão da concorrência entre empresas aéreas e que isso reduz o preço dos bilhetes aéreos. Motta é o responsável pela área de relações internacionais da Anac. Ele disse que a agência está implicada em dois projetos que irão aprofundar a redução da tarifa aérea."O marco legal da Anac escolheu proteger a economia brasileira e não as operadoras", disse o diretor.

No Ministério da Defesa a questão que está sendo tratada com maior emergência é a falta de cobertura de vôos regionais. Esses vôos de interligação entre cidades de menor porte são considerados fundamentais para melhor integração regional do País. Os projetos que estão em curso na agência são a expansão da concorrência sub-regional no Mercosul e a eliminação de qualquer restrição de capacidade sem necessidade de um acordo bilateral.

"Queremos os céus abertos na América do Sul, Europa, Estados Unidos e ir expandindo esse movimento", disse o diretor da Anac.

Segundo Motta, o fim das companhias de bandeira é um movimento global que mudou o panorama do setor não só no País. "Algumas empresas perderam, mas o Brasil ganhou", comparou Motta. Ele disse ainda que a mudança trouxe benefícios para a economia brasileira e para as empresas que precisam ter seus executivos voando mais a preços mais baixos.

O ministro Nelson Jobim quer abrir discussão nacional para ver qual a solução para a falta de investimentos nesse tipo de vôos.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:

Bem, não é de hoje que criticamos a atuação da ANAC e, principalmente, a maneira como o governo Lula tem tratado esta questão. Basta ver que, nas crises que derrubaram a Transbrasil, Vasp e Varig, nunca houve real interesse do governo em preservar não apenas as companhias, mas, também, não se identificou nenhuma iniciativa no sentido de preservar os patrimônios tampouco os profissionais. O caso da Varig é ainda mais emblemático: além do governo de forma muito estranha ter negado acesso ao BNDES, em valores inclusive ridículos se comparados com outros aportes de valores muito mais elevados, para empresas em situação de risco muito maior, até a presente, e apesar de já sido derrotado inúmeras vezes na Justiça, o governo se nega e continua protelando o pagamento de sua dívida para com a VARIG. Além disto, se houvesse algum interesse do governo Lula em preservar de fato a VARIG, ao menos teria praticado um encontro de contas entre o passivo daquela companhia e os créditos que tinha e que ainda tem a receber do governo federal. Apenas isto, e já seria suficiente para se ter garantido a sobrevivência da companhia.

E, se não bastasse esta ação lesiva e desonesta, o governo federal não determina que a ANAC impeça a ação suicida de companhias como a Gol, principalmente, na prática indiscriminada de preços de tarifas abaixo dos preços de custo, numa ação totalmente desleal e ilegal de competição ilegal. Evidente que há, sem dúvida, uma ação determinante para levar ao naufrágio empresas que sempre honraram o nome do país, com serviços de excepcional qualidade, e que muito dignificaram a bandeira brasileira por esta excelência.

Tem total razão o Ozires em levantar o alerta. Infame é a declaração irresponsável do senhor Motta, da ANAC, quando afirma que “Algumas empresas perderam, mas o Brasil ganhou". Mentira: bastando ver as razões que levaram o país viver por longo período o inferno do caos aéreo e que acabou afastando muitos turistas estrangeiros e denegrindo nossa imagem no exterior. Como também a posição da ANAC continua cafajeste amais não poder, de vez que está entregando o mercado brasileiro para companhias aéreas estrangeiras, ou seja, está acabando com este importante mercado de trabalho interno, que é considerado de altíssimo padrão. Restou ao senhor confessar abertamente por quais razões cretinas o governo insiste em levar a cabo uma política totalmente contrária ao interesse do país. É de se esperar que ninguém esteja, sorrateiramente, levando “algum” por fora para a manutenção de tão desastrada atuação.