terça-feira, maio 27, 2008

TOQUEDEPRIMA...

***** Especulação pressiona os preços dos alimentos
De Mauro Zafalon, Folha de SãoPaulo

Risco maior e irracionalidade. Esses são os novos "perigos" para as negociações no mercado agrícola internacional. Os riscos são trazidos, em boa parte, por novos fundos que, em busca de diversificação de mercados para atuar, descobriram os agrícolas no momento em que a demanda por eles explode com o apetite voraz por alimentos dos mercados emergentes gigantes, como China e Índia. Essa inflação agrícola (já batizada de "agflação") vem gerando distúrbios sociais em países consumidores e ganhos em produtores, como o Brasil.

O ritmo acelerado de negociações no mercado futuro chega a girar 22 safras anuais de soja. Só os fundos são responsáveis por 8 dessas safras. Em 2007, o mercado futuro agrícola da Chicago Board of Trade negociou 7,3 bilhões de toneladas de milho, 4,3 bilhões de soja e 2,7 bilhões de trigo. A produção física desses produtos, em 2007, foi de 780 milhões, 220 milhões e 606 milhões de toneladas, respectivamente.

***** Abin: Amazônia é avaliada em US$ 50 bilhões
De Ilimar Franco e Jailton de Carvalho, O Globo

Um relatório reservado da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) informa que o empresário sueco Johan Eliasch, consultor do primeiro-ministro inglês Gordon Brown, avaliou que poderia comprar toda a Floresta Amazônica por US$ 50 bilhões. Eliasch fez a declaração para estimular empresários ingleses a comprar ou fazer doações para a aquisição de terras na Amazônia. A Polícia Federal e a Abin investigam o suposto envolvimento de Eliasch com a compra de 160 mil hectares de terra no Amazonas e em Mato Grosso.

***** Canetada atômica
Renata Lo Prete , Coluna Painel, Folha de São Paulo

Escolhido para chefiar o Ibama na gestão de Carlos Minc no Ministério do Meio Ambiente, o geógrafo Roberto Messias Franco, quadro do PT mineiro, assume o cargo com uma recomendação: conceder nas próximas semanas o licenciamento prévio da usina nuclear de Angra 3, um investimento de R$ 7,2 bi.

A Eletronuclear e o pool de empreiteiras que tocarão as obras pressionam. O ministro Edison Lobão (Minas e Energia) tem pressa. Mas, além do exército de ambientalistas, Messias tem pelo caminho a Procuradoria da República em Angra dos Reis (RJ), que aponta irregularidades no processo: falta de estudos de impacto ambiental, de um plano de emergência e de um depósito permanente para os resíduos.

Caseiro. A procuradora em Angra dos Reis, Ariene Alencar, destaca ainda que a Eletronuclear não apresentou um laboratório independente para fazer o monitoramento ambiental. A estatal alega que ela própria teria um órgão para realizar a fiscalização.

Da ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva, em junho do ano passado, sobre a construção de Angra 3: "Não há necessidade da energia nuclear, nós temos fontes renováveis de energia".

***** Standard & Poor's diz que, sem reformas, Brasil não vai crescer mais
A agência de classificação de risco Standard & Poor's afirmou nesta segunda-feira que será difícil para o Brasil aumentar seu crescimento econômico sem fazer as reformas tributária e previdenciária. A diretora da S&P, Lisa Schineller – que contribuiu decisivamente para promover o País a grau de investimento –, chega a dizer que o maior desafio do governo Lula é melhorar a política fiscal, atrair mais investimento e expandir a atividade econômica.

"Nossa avaliação é que nas condições atuais o nível de crescimento sustentável do País ficará entre 4% e 4,5%. O Brasil ainda não tem habilidade de crescer 5,4% por ano. Uma redução mais profunda teria um impacto mais favorável no ritmo de crescimento e facilitaria um nível maior de investimento. As reformas podem ajudar o País a ter uma economia mais forte", avaliou a especialista.

***** Com mais renda, Nordeste amarga atraso em educação
De Bernardo Mello Franco, O Globo

Festejada nas últimas semanas, a explosão do consumo no Nordeste esconde uma face perversa do desenvolvimento da região: a população aumentou seu poder de compra, mas ainda amarga um atraso de quase duas décadas na educação.

Apesar do movimento acelerado das caixas registradoras nos nove estados nordestinos — que hoje só perdem em volume de compras para o Sudeste —, a região ainda caminha a passos lentos para deixar a lanterna dos rankings nacionais de alfabetização, tempo de escolaridade e expectativa de conclusão do Ensino Fundamental.

Por exemplo, de cada dois analfabetos brasileiros, um vive no Nordeste, de acordo com a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do IBGE.

***** Escândalo Renan completa um ano, sem punições
Senador do PMDB de Alagoas foi alvo de cinco processos no Conselho de Ética. Atualmente responde a um inquérito no STF que corre em sigilo de Justiça.

Passado exatamente um ano do escândalo envolvendo uma amante e o lobista de uma grande empreiteira, o ex-presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL) livrou-se de cinco processos no Conselho de Ética. O inquérito aberto pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em agosto, que tramita em segredo de Justiça, ainda não teve resultados práticos.

***** Bancos reagem a duopólio
Há uma guerra de bastidores de dezoito bancos para revogar o ato do presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, concedendo ao Banco do Brasil e à Caixa a exclusividade nos empréstimos consignados para os 17 mil servidores, aposentados e pensionistas da Casa, cuja média salarial, muito alta, dá água na boca de banqueiro. O duopólio oficial, selvagem como qualquer outro, cobra juros bem superiores aos da banca privada.

***** Deputado tucano pedirá ação contra Dilma por improbidade
Folha de São Paulo

O sub-relator de sistematização da CPI dos Cartões Corporativos, deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), ingressa hoje com representação no Ministério Público contra a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), a secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra, e outros 13 servidores da pasta que participaram da confecção do dossiê que revelou gastos do governo FHC.
Ele argumenta que a ministra cometeu crime de improbidade administrativa ao não tomar providências para punir os subordinados.

A ministra abriu procedimento apenas para identificar o vazamento. "Todos os que souberam da formatação do dossiê, que é um ato imoral, e deixaram de tomar medidas cabíveis cometeram crime de improbidade administrativa", disse Sampaio.

Também são alvos da ação os dez funcionários da Casa Civil que participaram da compilação dos dados, além de José Aparecido Nunes Pires, ex-chefe da Secretaria de Controle Interno, Noberto Temóteo, secretário de Administração, e Maria de La Soledad Bajo Castrillo, chefe de gabinete de Erenice.Para o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), a ação de Sampaio é uma tentativa de "prolongar o tema, mas não prosperará".

***** Gastos de senadores mantidos sob sigilo
Leandro Colon, Correio Braziliense

Os senadores gastaram R$ 2.739.773,38 desde fevereiro com a verba indenizatória oferecida aos parlamentares, segundo levantamento feito pelo Correio. Desse valor, R$ 1.131.074,55 foram usados para locomoção, hospedagem, alimentação e combustíveis, R$ 550 mil com aluguel de escritório político, R$ 473 mil com consultorias, R$ 388 mil na divulgação da atividade parlamentar e o restante na compra de material de consumo.

Alguns senadores apresentaram despesas arredondadas entre fevereiro e maio, quando, teoricamente, esses gastos deveriam variar mês a mês. Outros ultrapassaram o limite mensal de R$ 15 mil, alguns chegando a dobrar esse valor. Identificar uma irregularidade é uma tarefa quase impossível. O Senado guarda a sete chaves a prestação de contas dessas despesas. E o Tribunal de Contas da União (TCU) analisa isso apenas por amostragem por causa da enxurrada de notas fiscais apresentadas pelos senadores. Ou seja, não há qualquer garantia de que todo esse dinheiro tenha sido usado de maneira regular.

***** Governo Lula já repassou valor 54 vezes maior do que foi doado ao PT
Considerando apenas as 20 maiores empresas doadoras, o partido do presidente Lula recebeu R$ 8,7 milhões só no ano passado. O levantamento foi divulgado no jornal Folha de S. Paulo desta segunda-feira. Toda essa generosidade tem gerado muitos dividendos: neste segundo mandato do petista, essas 'contribuintes' levaram nada menos que R$ 473 milhões do governo federal – o valor totaliza ao menos 54 vezes o repassado à legenda.

***** Bomba-relógio
Valdo Cruz, Folha de São Paulo

BRASÍLIA - Lula precisa desarmar uma bomba-relógio que está sendo colocada no seu colo. Se não elevar o superávit primário e reduzir os gastos públicos, vai deixar o Banco Central sozinho no combate à inflação e a explosão já estará programada, sem volta.

Afinal, o BC, não tenham dúvidas, vai cumprir sua missão institucional, de preservar o valor da moeda brasileira, segurando a inflação o mais perto possível do centro da meta, de 4,5% ao ano.

O resultado lá na frente será uma inflação domada à custa de uma política monetária austera, com um ciclo de alta dos juros bem mais longo do que o imaginado pelo próprio Banco Central.

Por quê? Porque o cenário da inflação piorou. Depois do choque dos alimentos, veio o dos preços dos minerais. Além disso, o cenário internacional também ficou pior. E deve se agravar ainda mais. O ajuste na economia norte-americana deve se aprofundar no final do ano, depois das eleições.

E, junto com a inflação baixa, que será entregue pelo BC, virão também um crescimento do PIB menor, receita em queda e despesas lá em cima. Uma conjunção totalmente desfavorável para nossa economia. Culpa do BC? Não, mas de uma política econômica bastante desequilibrada.

É mais ou menos esse o alerta que alguns economistas têm feito ao presidente Lula nos últimos dias. Alerta que levou o petista a adiar o anúncio do Fundo Soberano. Ele ficou de refletir e discutir melhor o tema, do qual não desistiu, com sua equipe econômica nesta semana.

Os interlocutores do petista lembraram um detalhe que pode pesar na hora da decisão. Em 2008, a crise não provocará grandes estragos no crescimento do país. Ele já está contratado e ficará perto de 5%.

A conta será cobrada no próximo ano. É lá que a bomba-relógio pode explodir. Aí Lula corre o risco de, se não fizer o ajuste agora, ter dois últimos anos ruins de mandato. Adeus eleição do sucessor.

***** Blecaute deixa reunião da Unasul às escuras; Chávez culpa presidente Bush
Durante a reunião da Cúpula da União Sul-Americana de Nações (Unasul), que aconteceu no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, nesta sexta (23), com a participação de 12 presidentes, houve um blecaute no momento em que discursava o presidente da Bolívia, Evo Morales. Segundos após a escuridão, o líder venezuelano, Hugo Chávez, disse, em tom de piada, que o blecaute era “coisa do senhor (George W.) Bush”. Todos os presentes na reunião caíram na gargalhada. A luz voltou minutos após o comentário de Chávez.

***** Marta é vaiada em evento de igreja em São Paulo
A ministra Marta Suplicy (Turismo), pré-candidata à Prefeitura de São Paulo, levou pequena vaia nesta quinta-feira no palco da Marcha para Jesus, em São Paulo. Nas comemorações de 1º de Maio ela já havia sido vaiada no mesmo local, em evento organizado pela Força Sindical. Marta saudou brevemente "o povo de Deus" e as vaias começaram. Fernanda Hernandes, filha do casal de bispos da Renascer em Cristo Sonia e Estevam, então disse: "Olha o carinho do povo". Um outro bispo, José Bruno, deputado estadual pelo DEM, iniciou uma oração.

"Vim em 2002. Nosso povo respeita muito as expressões religiosas. Fico feliz que o Brasil seja realmente um país onde podemos expressar toda a fé da maneira que gostamos", desconversou a petista na saída do evento.

O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, em discurso prometeu levar aos deputados federais uma proposta de criação do feriado do Evangélico.

***** 40% do orçamento para o Meio Ambiente é contingenciado pelo governo
Nada menos que 40% da verba destinada ao Ministério do Meio Ambiente está na chamada "reserva de contingência". É dinheiro previsto no Orçamento Geral da União 2008, aprovado pelo Congresso e sancionado pelo presidente Lula, mas que o governo proíbe de gastar. Essa bilionária reserva é mantida pelo governo como uma espécie de fundo para garantir a meta de superávit primário.