Para Mantega, não há problema fiscal no País
Célia Froufe, Agência Estado
SÃO PAULO - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse hoje, na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que é um equívoco dizer que o Brasil tem um problema fiscal. "Leio isso nos jornais, diariamente, e o nosso desempenho é de acordo com o que foi combinado para reduzir a dívida pública", afirmou. Mantega ressaltou que os resultados do setor público vistos este ano são muito positivos e que os números de abril, previstos para serem divulgado a partir de amanhã, vão "na mesma direção".
Célia Froufe, Agência Estado
SÃO PAULO - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse hoje, na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que é um equívoco dizer que o Brasil tem um problema fiscal. "Leio isso nos jornais, diariamente, e o nosso desempenho é de acordo com o que foi combinado para reduzir a dívida pública", afirmou. Mantega ressaltou que os resultados do setor público vistos este ano são muito positivos e que os números de abril, previstos para serem divulgado a partir de amanhã, vão "na mesma direção".
Ele argumentou que o crescimento das despesas correntes diminui, apresentando dados do primeiro trimestre de 2007 em relação ao mesmo período de 2006 (12,1%) e dos primeiros três meses deste ano ante o primeiro trimestre de 2007 (8,2%). "Há redução desse crescimento, mas a despesa ainda cresce com a saúde, a Previdência e com gastos de pessoal", enumerou. Para Mantega, o importante é destacar, no entanto, que os gastos crescem num ritmo menor do que a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) nominal.
O ministro da Fazenda afirmou ressaltou ainda que o superávit primário feito pelo governo tem sido maior do que os 3,8% do PIB estabelecido. "No começo do ano, faz-se um pouco mais de economia, mas o superávit de agora não é, necessariamente, o que será visto no final do ano." Mantega disse que o objetivo da administração federal é o de zerar o déficit nominal do setor público até 2010. "Recentemente, essa relação era de 3% e hoje o déficit é de 1,5% do PIB." O ministro demonstrou tranqüilidade em relação ao aumento do déficit em conta corrente. "Não há pecado em ter déficit; tem gente que até acha bom", afirmou. "Eu não acho bom, mas, com as reservas (internacionais) altas, isso não traz preocupação."
Enquanto isso...
Déficit externo até abril é o pior da história
Juliana Rocha, Folha de São Paulo
Queda do saldo comercial e aumento das remessas ao exterior geram saldo negativo de US$ 14 bi entre janeiro e abril
BC previa um déficit negativo de US$ 12 bi no ano todo, mas analistas já prevêem resultado negativo de US$ 20 bi em 2008
A queda do superávit da balança comercial e o aumento das remessas de lucros e dividendos ao exterior foram os responsáveis pela piora das contas externas brasileiras de janeiro a abril. Nos quatro primeiros meses do ano, o déficit foi de US$ 14 bilhões, o pior da história para o período. O valor ultrapassa a projeção do BC (Banco Central) para o ano todo, que era de US$ 12 bilhões.
Nos últimos 12 meses, o saldo negativo corresponde a 1,08% do PIB (Produto Interno Bruto). Só em abril, o déficit nas transações correntes -que contabiliza a compra e a venda de bens e serviços com outros países- foi de US$ 3,3 bilhões. O resultado foi negativo pelo sétimo mês consecutivo, sendo que em março o déficit foi ainda maior, de US$ 4,4 bilhões.
As transações correntes são formadas pela balança comercial (exportações menos importações), a balança de serviços (pagamento de juros da dívida externa, gastos com viagens internacionais, remessas de dividendos ao exterior, entre outros) e as transferências unilaterais (dinheiro enviado ao Brasil por residentes no exterior e vice-versa).
Em abril, as remessas de lucros e dividendos das empresas com filiais no Brasil para suas matrizes foram de US$ 3,6 bilhões. No acumulado do ano, esse saldo- que tem contribuição negativa para as contas externas- soma US$ 12,4 bilhões.
O real forte tem parte importante no resultado, pois encarece as exportações e estimula as importações e a remessa de lucros, que rendem mais dólares após a conversão.
Altamir Lopes, chefe do Departamento Econômico do BC, aposta que o ritmo de remessas de lucros e dividendos para o exterior deve cair ao longo do ano.
Ele também acredita que o saldo positivo da balança comercial deve começar a se acelerar a partir de maio, com o fim da greve dos auditores fiscais da Receita e a normalização do embarque da soja. Se confirmado, o déficit em transações correntes do país tende a se reduzir. Lopes espera que, em maio, esse déficit seja de US$ 1,5 bilhão, menos da metade do resultado de abril.
"Com o tempo, as empresas vão reverter o lucro em investimento no Brasil. E as remessas vão se reduzir", comentou Lopes. "Hoje, vemos que as companhias que mais fizeram remessas são as que estão com dificuldades financeiras no exterior por causa da crise", acrescentou. Juntos, os setores financeiro, automobilístico e de metalurgia respondem por 60% das remessas.
Lopes ressaltou que o crescimento econômico também impulsiona o déficit nas contas externas, pois o aumento na importação de bens de consumo e de capitais, para investimentos, são resultado do aumento da demanda interna.
O mercado financeiro, porém, não está otimista como o BC. Segundo pesquisa feito pelo próprio órgão, divulgada ontem, a projeção média dos analistas para as transações é um déficit de US$ 20 bilhões neste ano, US$ 8 bilhões acima do previsto pela instituição.
Nelson Carneiro, economista sênior da consultoria Austing Rating, é ainda mais pessimista. Ele projeta um déficit de US$ 30 bilhões nas transações correntes. O cenário mais provável para o especialista é de aumento das remessas de lucros e dividendos. E queda do saldo da balança comercial.
"Acredito em déficit da balança comercial nos últimos meses do ano. No ano, o saldo comercial deve ser de US$ 15 bilhões", afirma Carneiro. No ano passado, o saldo comercial foi de US$ 40 bilhões.
***** COMENTANDO A NOTICIA:
Acho que está mais do que na hora do ministro Mantega procurar ser mais comedido em suas declarações e “anúncios”. Sempre que a Imprensa noticia alguma declaração sua, precisamos esperar pelo dia seguinte para para verificar ou a procedência ou a simples confirmação. Regra geral, os fatos (ou mesmo Lula), acabam desmentindo o ministro.
Assim foi no começo do ano, por exemplo, quando se anunciou leve contenção no crédito para restabelecer o equilíbrio no mercado consumidor, e aliviar a pressão sobre os preços. Foi desmentido pelo presidente em seguida. Contudo eis aí a inflação já assustando e o ministro ainda prevendo “leve” desaceleração da economia.
Há muito tempo que se diz que o governo precisa conter seus gastos, do contrário colocará em risco os ótimos números de desempenho econômico que sustentam a estabilidade. Mas qual? Mantega ao invés de manter certa cautela e prudência, prefere o holofote do brilho das estrelas !
Há quanto tempo o governo tem sido advertido sobre a deterioração das contas externas, da vertiginosa queda dos superávits da balança comercial? Toda a vez que era confrontado com a realidade, Mantega e Lula nos acenavam com as “reservas” de quase 200 bilhões de dólares !
Vamos ver quanto tempo mais ele levará para se dar conta da questão fiscal. Para o nosso bem, que não demore muito nem para se convencer tampouco para agir...