terça-feira, maio 27, 2008

ENQUANTO ISSO...

Economia do País cresce ao ritmo de 5% ao ano, diz Lula
Adriana Chiarini, da Agência Estado

Presidente enfatiza da pobreza e desigualdade social como 'o melhor' de sua política econômica

RIO - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta segunda-feira, 26, no 20º Fórum Nacional, realizado na sede do BNDES, que "neste momento, nossa economia cresce ao ritmo de 5% ao ano". Ele lembrou que, no ano passado, a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) foi de 5,4%.

Lula considerou essencial o zelo pelas finanças públicas, mas enfatizou a redução da pobreza e da desigualdade como "o melhor" da sua política econômica. "Nossos olhos e ouvidos têm de estar abertos à população", disse.

O presidente criticou os que viam a política econômica do seu governo como continuidade do anterior e os que atribuíram as evoluções na economia brasileira ao ambiente internacional favorável no primeiro mandato. "Não há economia sustentável sem inclusão social. Não vale a pena governar se não for para reduzir pobreza e desigualdade", destacou.

Alimentos
Ele voltou a classificar como uma oportunidade para o Brasil, e não um risco o aumento do consumo de alimentos no mundo que está elevando o preço desses produtos. "Neste novo mundo, os mais pobres estão comendo o que antes não podiam comer", disse. "Há mais chineses, indianos, africanos, latino-americanos comendo. Isso não tem volta", declarou.

Para Lula, "pode estar aí o começo de um novo mundo nos trópicos". Ele lembrou que o Brasil é produtor de alimentos, e também ressaltou o etanol como combustível limpo e que não prejudica a oferta de alimentos.

De acordo com ele, o Brasil não teme o debate a esse respeito. Ele comentou que vai à Roma, na semana que vem, participar de evento do órgão das Nações Unidas para alimentação e agricultura, a FAO, "para falar sobre nossa experiência bem sucedida da produção simultânea de alimentos e de etanol".

Comércio
De acordo com Lula, está chegando ao fim o comércio global puxado apenas pelo mercado norte-americano. Ele destacou o aumento do peso dos países em desenvolvimento na economia mundial, e queixou-se da crise econômica iniciada nos Estados Unidos, que está afetando também a Europa.

"De tempos em tempos, bolhas especulativas teimam em estourar e atrapalham a vida dos países em desenvolvimento. Isso não é justo, é algo que não podemos aceitar", afirmou.

Segundo Lula, a crise dos Estados Unidos ainda pode vir a afetar o Brasil. Ele também queixou-se dos subsídios à agricultura e ao protecionismo nesse setor,praticados por Estados Unidos e União Européia, que considera principal obstáculo ao combate à fome mundial, e à inflação dos alimentos.

Lula anunciou ainda que o Brasil promoverá um grande evento sobre biocombustíveis, inflação dos alimentos e meio ambiente nos dias 20 e 21 de novembro em São Paulo.

Enquanto isso...

Economia do Chile cresce 3% no 1º trimestre

Folha de São Paulo

O PIB (Produto Interno Bruto) do Chile cresceu 3% no primeiro trimestre deste ano na comparação com o mesmo período de 2007, de acordo com dados divulgados ontem pelo banco central do país. O avanço ficou abaixo do esperado por analistas de mercado, que estimavam uma expansão da economia de 3,2%.

Na comparação com o quarto trimestre do ano passado, a economia chilena se expandiu em 1,4%. O PIB do país sul-americano cresceu 5,1% em 2007 -o do Brasil aumentou 5,4% no ano passado.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:

Quando confrontado com o crescimento de outros países em níveis maiores e melhores do que o Brasil, o governo vem com a conversa mole de que o nosso crescimento tem melhor qualidade. O dos outros também. Em todos os níveis do Índice de Desenvolvimento Humano, IDH,permanecemos na retaguarda, inclusive considerando nosso vizinho o Chile que, há muitos anos, ostenta melhores indicadores sociais e econômicos do que nós.

Quando já se anuncia que viveremos “uma pequena desaceleração”, o governo saca da algibeira e traz pronto o discurso da desculpa: a crise americana. Nova mentira: nenhum país emergente está padecendo qualquer conseqüência em razão da crise americana. O Brasil também permanecer neste clube. Porém, parece que o governo não se dá conta de que a escada do crescimento não admite saltar degraus. Devemos subir um a um, dando um passo de cada vez, e não querendo abraçar o mundo inteiro coma mãos.

E a receita é bem simples: GASTOS PÚBLICOS. Enquanto Lula e seus ministros não se derem conta de que preciso gastar menos, que o crescimento fora de controle das despesas de custeio da máquina pública, em tempos de estabilidade e diante de uma ameaça de desaceleração do crescimento mundial, não pode ir além do crescimento do próprio PIB, mais a situação fiscal entra em rota de colisão.

A questão é bem simples: quanto mais contido for o gasto público, menor a pressão sobre o déficit. Menor déficit,menor necessidade de emissão de títulos públicos. Em conseqüência, menor a necessidade de manutenção, ou até de elevação dos juros internos. Menor juro, menor serviço da dívida e, em conseqüência, menor necessidade de endividamento para rolagem da dívida. Haverá,por conseguinte, no médio prazo, duas conseqüências positivas: uma, a de que sobrará caixa para novos investimentos em infra-estrutura e também provocará espaços nos quais o governo poderá reduzir gradualmente a carga tributária.

Reparem no que aconteceu com a aplicação de IOF sobre investimentos em renda fixa: houve uma brutal queda de ingressos estrangeiros. Isto, se mantido o quadro atual, poderia provocar a contenção da valorização do real com redução do fluxo de dólares.

Contudo, este cenário positivo tende a desaparecer em razão de que, logo, logo, o Banco Central precisará puxar a taxa de juros interna para conter a inflação que, de um lado, se acelera muito por especulação mesmo, e por outro lado, porque o Estado continua gastador, o que o obrigará a tomar dinheiro no mercado para fechar suas contas, além, é claro, da própria rolagem da dívida que tende a crescer.

E reparem: todas as agências de risco, mesmo a Standard & Poors que elevou à categoria de “grau de investimento” alertam para o fato de que podemos perder esta condição em razão da elevada dívida pública. Os senhores Lula e Mantega precisam se dar conta de que o cenário da economia mundial já não é o mesmo de um ano atrás. Assim, diante de fatos novos se requer adoção de medidas novas.