Geração de emprego formal no País cresce 21% no ano
Isabel Sobral, da Agência Estado
Dados do Ministério do Trabalho mostram criação de 848.962 vagas com carteira assinada até abril
BRASÍLIA - A geração de empregos formais no Brasil registra crescimento de 21% no acumulado do ano, na comparação com o mesmo período de 2007. De janeiro a abril, foram criadas 848.962 vagas com carteira assinada, ante 701.619 no ano passado. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira, 19, pelo Ministério do Trabalho.
Só no mês de abril, foram gerados 294.522 empregos formais, o que representa uma queda de 2,47% em relação ao desempenho de igual período de 2007. Naquele mês, haviam sido criados 301.991 vagas.
Enquanto isso...
Mercado formal perde o ritmo em abril
Luciana Otoni, Folha de São Paulo
Queda de 2,4% em relação ao mesmo mês de 2007 contrariou previsões do Ministério do Trabalho, que esperava novo recorde
Isabel Sobral, da Agência Estado
Dados do Ministério do Trabalho mostram criação de 848.962 vagas com carteira assinada até abril
BRASÍLIA - A geração de empregos formais no Brasil registra crescimento de 21% no acumulado do ano, na comparação com o mesmo período de 2007. De janeiro a abril, foram criadas 848.962 vagas com carteira assinada, ante 701.619 no ano passado. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira, 19, pelo Ministério do Trabalho.
Só no mês de abril, foram gerados 294.522 empregos formais, o que representa uma queda de 2,47% em relação ao desempenho de igual período de 2007. Naquele mês, haviam sido criados 301.991 vagas.
Enquanto isso...
Mercado formal perde o ritmo em abril
Luciana Otoni, Folha de São Paulo
Queda de 2,4% em relação ao mesmo mês de 2007 contrariou previsões do Ministério do Trabalho, que esperava novo recorde
Ministro diz que resultado surpreendeu por causa de demissões no setor agrícola no Nordeste; em 4 meses, porém, expansão é de 21%
O mercado de trabalho registrou em abril a contratação de 294.522 pessoas com carteira assinada, com queda de 2,4% na comparação com abril de 2007. A despeito dessa desaceleração, no acumulado dos quatro primeiros meses de 2008, as contratações formais atingiram o número recorde de 848.962 -21% acima de igual período do ano passado.
Os dados fazem parte do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) e mostram que não se confirmou a previsão inicial do Ministério do Trabalho de que abril registraria recorde histórico nas admissões.
A queda surpreendeu o ministro Carlos Lupi, que atribuiu a desaceleração ao fato de as demissões terem ficado acima das contratações em Alagoas (10.416) e em Pernambuco (4.029) devido, principalmente, à entressafra da cana-de-açúcar.
A desaceleração ocorrida no mês de abril impediu o Ministério do Trabalho de recalcular para cima a previsão inicial de geração de 1,8 milhão de empregos com carteira assinada no ano. Uma nova indicação pode ser feita em junho, quando será divulgado o resultado de maio e para o qual se espera um recorde em razão da maior contratação de pessoas no comércio por causa das vendas do Dia das Mães.
No primeiro quadrimestre de 2008, os números do mercado de trabalho refletem o ritmo aquecido da economia no início do ano. No período, o setor de serviços liderou as contratações com a admissão de 310.016 empregados.A indústria da transformação gerou 228.986 novos postos, a construção civil abriu 131.725 vagas, a agricultura ofertou 87.343, e a administração pública, 26.433 vagas.
Ao comentar que o mercado de trabalho tende a mostrar bons resultados nos próximos meses, Lupi disse que a melhora da avaliação de risco soberano da economia brasileira e a queda do dólar podem impedir o Banco Central de continuar elevando os juros para conter a alta da inflação. O aumento dos juros pode influenciar algumas variáveis, inclusive a geração de empregos.
"O crescimento do emprego [no quadrimestre] está mais distribuído e ocorre em todas as regiões. E o pacote de incentivos [da política industrial] vai ter efeitos na geração de empregos a partir do segundo semestre e em 2009", afirmou o ministro Carlos Luppi.
Ipea
Para o presidente do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), Márcio Pochmann, o emprego com carteira assinada tende a continuar aquecido no restante deste semestre, em resposta ao maior investimento e à decisão dos empresários de ampliar a capacidade de produção.
Segundo ele, a permanência do dinamismo no mercado de trabalho no segundo semestre vai depender das futuras decisões do Banco Central em alterar os juros e do efeito disso nas decisões de investimento e consumo. Por outro lado, Pochmann observou que a eleição municipal é um fator de estímulo à oferta de novos postos.
***** COMENTANDO A NOTICIA: Se há bons motivos para se comemorar a geração de empregos, por outro, esta ainda é uma questão dolorosa para o país, especialmente para os jovens. Em outro estudo feito pelo mesmo IPEA, ficamos sabendo que quase 50% dos que tem idade entre 15 e 24 anos não tem trabalho, isto é, são cerca de 40 milhões de jovens nesta situação, muito mais do que um país. Dizer-se que estamos gerando empregos não pode servir de motivação palanqueira, por que uma pergunta, obrigatoriamente, acaba se impondo: mas estamos gerando empregos nas necessidades que, anualmente, o país precisa gerar para absorver a mão de obra dos jovens que vão ingressando no mercado de trabalho?
O que não podemos é olhar apenas para o próprio umbigo. É preciso ir além e ver se, países em iguais condições sócio-econômicas que o nosso exibem números tão negativos. E é nesta hora que o foguetório dos empregos a mais acabam murchando. A reportagem a seguir, com o estudo do IPEA sobre o desemprego dos jovens, é do Jornal do Brasil.
Brasil é líder no desemprego
Ipea mostra que quase metade dos jovens não tem trabalho
Quase metade (46,6%) da população brasileira entre 15 e 24 anos, hoje estimada em cerca de 40 milhões de indivíduos, está sem emprego. Deste contingente, 9,7 milhões vivem em famílias com renda per capita de até meio salário mínimo (R$ 207,50), 12,5 milhões não tinham concluído o ensino fundamental e 1,4 milhão é constituído por analfabetos. Estes são alguns dos resultados da pesquisa Juventude e políticas sociais, elaborada pelos economistas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Jorge Abrahão de Castro e Luseni Aquino.
Diretor de Estudos Sociais do Ipea, Jorge Abrahão adverte que os resultados evidenciados pelo estudo representam quadro alarmante quanto à concretização do respeito aos direitos humanos de parcela expressiva da juventude brasileira.
O mais grave é que o desemprego entre jovens da faixa etária pesquisada é 3,5 vezes maior do que entre adultos com mais de 24 anos, e esta proporção vem aumentando continuamente. Em 1990, era de 2,8 e, em 1995, 2,9 maior.
Destaque negativo
Pelos dados da Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílio (PNAD) de 2005, a proporção de jovens brasileiros desempregados – 46,6% – é a maior no grupo de 10 países pesquisados para efeito de comparação: México (40,4%), Argentina (39,6%), Inglaterra (38,6%), Suécia (33,3%), Estados Unidos (33,2%), Itália (25,9%), Espanha (25,6%), França 22,1% e Alemanha (16,3%). Para os dois economistas do Ipea, o desemprego entre os jovens é maior porque eles são demitidos com ônus menor e considerados menos importantes na produção devido à sua menor experiência.
Opinando sobre o estudo, Luiz Bello, do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística, agrega outro dado à questão: por terem, em regra, menores compromissos familiares, os jovens recém-formados, por exemplo, podem se permitir não ingressar no primeiro emprego que apareça, dando estrita preferência a sua especialidade. Já nas faixas de maior idade não é incomum o indivíduo aproveitar qualquer oportunidade de trabalho, em vista de compromissos familiares acumulados.
No que se refere à educação de nível superior, e tomando como universo de comparação os países da América Latina e do Caribe, o Brasil está em último lugar. O número de brasileiros com idade entre 20 e 24 anos que freqüenta a universidade é de apenas 213 por grupo de 10 mil habitantes. Menos que a Colômbia (232), México (225), Argentina (531), Bolívia (347) e Venezuela (389)