Adelson Elias Vasconcellos
Em março, no site do Cláudio Humberto, ele reproduziu três fotos sobre o Rio São Francisco e sua agonia. Seguem as fotos com os textos do próprio Cláudio.
Agonia do rio da transposição
Ao ver ontem neste site fotos do rio São Francisco praticamente sem água, o presidente da OAB de Sergipe, Henri Clay Andrade, não poupou de críticas o governo Lula pela promoção incansável da chamada transposição do rio. Para ele, "o projeto de transposição do Velho Chico é inviável, inconseqüente e, portanto, danoso à Nação brasileira". O líder dos advogados sergipanos acredita que a obra "atenta contra o interesse nacional dos brasileiros". O fotógrafo João Zinclar percorreu grande extensão do rio e registrou imagens impressionantes do estado em que se encontra, aparentemente sem condições de oferecer o volume de água necessário à sua transposição. A foto abaixo, do último dia 2, mostra o rio São Francisco - ou o que resta dele - no município ribeirinho de Garajú (AL).
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Imagem dramática do rio da transposição
A crescente rejeição de sergipanos e alagoanos à transposição do rio São Francisco, pretendida pelo governo Lula, pode ser justificada com a foto de João Zinclar, feita no último dia 2, após o período de chuvas. Mostra a ponte entre Propeiá (SE) e Porto Real do Colégio (AL), que liga os dois estados. Onde o rio era antes caudaloso, agora se vê um imenso banco de areia, a poucos quilômetros da foz.
Em março, no site do Cláudio Humberto, ele reproduziu três fotos sobre o Rio São Francisco e sua agonia. Seguem as fotos com os textos do próprio Cláudio.
Agonia do rio da transposição
Ao ver ontem neste site fotos do rio São Francisco praticamente sem água, o presidente da OAB de Sergipe, Henri Clay Andrade, não poupou de críticas o governo Lula pela promoção incansável da chamada transposição do rio. Para ele, "o projeto de transposição do Velho Chico é inviável, inconseqüente e, portanto, danoso à Nação brasileira". O líder dos advogados sergipanos acredita que a obra "atenta contra o interesse nacional dos brasileiros". O fotógrafo João Zinclar percorreu grande extensão do rio e registrou imagens impressionantes do estado em que se encontra, aparentemente sem condições de oferecer o volume de água necessário à sua transposição. A foto abaixo, do último dia 2, mostra o rio São Francisco - ou o que resta dele - no município ribeirinho de Garajú (AL)..
Imagem dramática do rio da transposição
A crescente rejeição de sergipanos e alagoanos à transposição do rio São Francisco, pretendida pelo governo Lula, pode ser justificada com a foto de João Zinclar, feita no último dia 2, após o período de chuvas. Mostra a ponte entre Propeiá (SE) e Porto Real do Colégio (AL), que liga os dois estados. Onde o rio era antes caudaloso, agora se vê um imenso banco de areia, a poucos quilômetros da foz. .
Rio é quase riacho no baixo São Francisco
A forte resistência de grande parte dos nordestinos ao projeto de transposição do rio São Francisco decorre de um raciocínio lógico. Cientes da agonia no baixo São Francisco, como mostra a foto de João Zinclar de há oito dias, não parece razoável acreditar na transposição de águas de um rio que já não consegue chegar como antes na região, transformando-se quase em riacho e, em alguns pontos, já faz parecer possível sua travessia a pé, nas proximidades de sua foz.
A forte resistência de grande parte dos nordestinos ao projeto de transposição do rio São Francisco decorre de um raciocínio lógico. Cientes da agonia no baixo São Francisco, como mostra a foto de João Zinclar de há oito dias, não parece razoável acreditar na transposição de águas de um rio que já não consegue chegar como antes na região, transformando-se quase em riacho e, em alguns pontos, já faz parecer possível sua travessia a pé, nas proximidades de sua foz.Pois bem, ontem, no Jornal Nacional da Rede Globo, reportagem mostra o quanto é aflitiva a situação do velho Chico. Segue texto da reportagem, com link para o vídeo. Reparem nas cenas dolorosas em que um ribeirinho chega na metade do rio, muito longe da margem, com a água mal alcançando sua cintura. Retornamos depois.
Rio São Francisco mais raso
A chuva que atinge Sergipe e Alagoas provoca deslizamentos nas margens do Rio São Francisco, carrega vegetação e areia para o leito e deixa o rio cada vez mais raso.
A vegetação que sustentava a areia desapareceu. A terra cede, provoca o assoreamento e o rio fica mais raso. “Só tem piorado e vai cada vez mais piorando”, diz um pescador.
Para encontrar peixes, o pescador caminha pelo Velho Chico. O trecho entre os estados de Sergipe e Alagoas é um dos mais afetados. A profundidade, que era de 30 metros, hoje não chega a 10 metros.
“Só dava para pescar em um lugar profundo. Agora que está seco, nem dá para pescar mais”, conta o pescador Diego Gomes dos Santos.
A chuva arrastou pedaços e de mata prejudicando a navegação. “Atrapalha porque entope a bomba d'água do motor. Aí, tem que parar para desentupir”, afirma o piloto de balsa Edvaldo Cardoso
Até a viagem de Luzitânia, uma canoa de tolda, foi interrompida. A canoa centenária, restaurada a menos de um ano, um dos símbolos do rio, não consegue navegar. Teve o casco danificado depois de ficar encalhada várias vezes no baixo São Francisco. Houve a dificuldade para retirar o a embarcação de um banco de areia.
“Estamos com tudo suspenso. Nossas ações de passar nas comunidades e a atividade de educação ambiental estão paralisadas. Para os ribeirinhos, a agonia do Velho Chico parece não ter fim.
“No Rio São Francisco, a população ribeirinha tinha a barriga cheia. Hoje em dia, a população vive passando fome, com um rio tão grande”, lamenta o projetista naval Carlos Eduardo Ribeiro
A chuva que atinge Sergipe e Alagoas provoca deslizamentos nas margens do Rio São Francisco, carrega vegetação e areia para o leito e deixa o rio cada vez mais raso.
A vegetação que sustentava a areia desapareceu. A terra cede, provoca o assoreamento e o rio fica mais raso. “Só tem piorado e vai cada vez mais piorando”, diz um pescador.
Para encontrar peixes, o pescador caminha pelo Velho Chico. O trecho entre os estados de Sergipe e Alagoas é um dos mais afetados. A profundidade, que era de 30 metros, hoje não chega a 10 metros.
“Só dava para pescar em um lugar profundo. Agora que está seco, nem dá para pescar mais”, conta o pescador Diego Gomes dos Santos.
A chuva arrastou pedaços e de mata prejudicando a navegação. “Atrapalha porque entope a bomba d'água do motor. Aí, tem que parar para desentupir”, afirma o piloto de balsa Edvaldo Cardoso
Até a viagem de Luzitânia, uma canoa de tolda, foi interrompida. A canoa centenária, restaurada a menos de um ano, um dos símbolos do rio, não consegue navegar. Teve o casco danificado depois de ficar encalhada várias vezes no baixo São Francisco. Houve a dificuldade para retirar o a embarcação de um banco de areia.
“Estamos com tudo suspenso. Nossas ações de passar nas comunidades e a atividade de educação ambiental estão paralisadas. Para os ribeirinhos, a agonia do Velho Chico parece não ter fim.
“No Rio São Francisco, a população ribeirinha tinha a barriga cheia. Hoje em dia, a população vive passando fome, com um rio tão grande”, lamenta o projetista naval Carlos Eduardo Ribeiro.
Para assistir a reportagem do JN clique aqui.
A pergunta que se impõem é: quem fez os estudos sócios - ambientais para a liberação do projeto que se tornou a menina dos olhos de gente como Lula, Ciro Gomes e Geddel Vieira de Lima, ministro da Integração Nacional ? Será que os bilhões que serão investidos nesta obra se justificam pelo estado em que, antes dela, se encontra o rio? Será que a politicagem rasteira e de submundo vale muito mais para esta gente do que a sobrevivência não apenas do rio e de sua imensa bacia hidrográfica, mas, sobretudo, das milhares de pessoas que vivem e dependem sua sobrevivência da própria existência do São Francisco?
Para que não tirássemos conclusões, contra ou favor, de forma imprópria, fomos pesquisar e encontramos uma reportagem do Globo Rural, de novembro de 2005, em que se colheu um amplo universo de opiniões a cerca do projeto de transposição. Contudo, independentemente da reportagem, a imagem do rio que vemos hoje é a de um doente que, se não tratado a tempo, entrará logo em estado terminal. Encontramos ainda um excelente e esclarecedor artigo de João Abner Guimarães Jr, Engenheiro Civil e Professor da UFRN, e foi com ele que abrimos esta seção no intuito apenas de buscarmos resposta para a questão: compensa o risco de se condenar o rio da “integração nacional” a uma morte lenta e inexorável, com os bilhões que serão investidos no projeto de transposição? Na verdade, quando se fala que será beneficiada uma região com 12 milhões de habitantes se está contando meia-verdade. Sabe-se, seguramente, que “beneficiados” mesmo serão a metade disso, e assim mesmo se forem alcançados todas as metas previstas no projeto. Contudo, é bom não esquecer que o papel aceita qualquer coisa. A natureza não. Se não for tratada como deve, ela apenas reage.
Assim, novamente me pergunto se, o licenciamento ambiental concedido para o início das obras, foi feito com rigor técnico ou político. Porque a visão que o rio nos dá é de se colocar sob suspeita, para se dizer o mínimo, o licenciamento concedido.
Rio São Francisco mais raso
A chuva que atinge Sergipe e Alagoas provoca deslizamentos nas margens do Rio São Francisco, carrega vegetação e areia para o leito e deixa o rio cada vez mais raso.
A vegetação que sustentava a areia desapareceu. A terra cede, provoca o assoreamento e o rio fica mais raso. “Só tem piorado e vai cada vez mais piorando”, diz um pescador.
Para encontrar peixes, o pescador caminha pelo Velho Chico. O trecho entre os estados de Sergipe e Alagoas é um dos mais afetados. A profundidade, que era de 30 metros, hoje não chega a 10 metros.
“Só dava para pescar em um lugar profundo. Agora que está seco, nem dá para pescar mais”, conta o pescador Diego Gomes dos Santos.
A chuva arrastou pedaços e de mata prejudicando a navegação. “Atrapalha porque entope a bomba d'água do motor. Aí, tem que parar para desentupir”, afirma o piloto de balsa Edvaldo Cardoso
Até a viagem de Luzitânia, uma canoa de tolda, foi interrompida. A canoa centenária, restaurada a menos de um ano, um dos símbolos do rio, não consegue navegar. Teve o casco danificado depois de ficar encalhada várias vezes no baixo São Francisco. Houve a dificuldade para retirar o a embarcação de um banco de areia.
“Estamos com tudo suspenso. Nossas ações de passar nas comunidades e a atividade de educação ambiental estão paralisadas. Para os ribeirinhos, a agonia do Velho Chico parece não ter fim.
“No Rio São Francisco, a população ribeirinha tinha a barriga cheia. Hoje em dia, a população vive passando fome, com um rio tão grande”, lamenta o projetista naval Carlos Eduardo Ribeiro
A chuva que atinge Sergipe e Alagoas provoca deslizamentos nas margens do Rio São Francisco, carrega vegetação e areia para o leito e deixa o rio cada vez mais raso.
A vegetação que sustentava a areia desapareceu. A terra cede, provoca o assoreamento e o rio fica mais raso. “Só tem piorado e vai cada vez mais piorando”, diz um pescador.
Para encontrar peixes, o pescador caminha pelo Velho Chico. O trecho entre os estados de Sergipe e Alagoas é um dos mais afetados. A profundidade, que era de 30 metros, hoje não chega a 10 metros.
“Só dava para pescar em um lugar profundo. Agora que está seco, nem dá para pescar mais”, conta o pescador Diego Gomes dos Santos.
A chuva arrastou pedaços e de mata prejudicando a navegação. “Atrapalha porque entope a bomba d'água do motor. Aí, tem que parar para desentupir”, afirma o piloto de balsa Edvaldo Cardoso
Até a viagem de Luzitânia, uma canoa de tolda, foi interrompida. A canoa centenária, restaurada a menos de um ano, um dos símbolos do rio, não consegue navegar. Teve o casco danificado depois de ficar encalhada várias vezes no baixo São Francisco. Houve a dificuldade para retirar o a embarcação de um banco de areia.
“Estamos com tudo suspenso. Nossas ações de passar nas comunidades e a atividade de educação ambiental estão paralisadas. Para os ribeirinhos, a agonia do Velho Chico parece não ter fim.
“No Rio São Francisco, a população ribeirinha tinha a barriga cheia. Hoje em dia, a população vive passando fome, com um rio tão grande”, lamenta o projetista naval Carlos Eduardo Ribeiro.
Para assistir a reportagem do JN clique aqui.
A pergunta que se impõem é: quem fez os estudos sócios - ambientais para a liberação do projeto que se tornou a menina dos olhos de gente como Lula, Ciro Gomes e Geddel Vieira de Lima, ministro da Integração Nacional ? Será que os bilhões que serão investidos nesta obra se justificam pelo estado em que, antes dela, se encontra o rio? Será que a politicagem rasteira e de submundo vale muito mais para esta gente do que a sobrevivência não apenas do rio e de sua imensa bacia hidrográfica, mas, sobretudo, das milhares de pessoas que vivem e dependem sua sobrevivência da própria existência do São Francisco?
Para que não tirássemos conclusões, contra ou favor, de forma imprópria, fomos pesquisar e encontramos uma reportagem do Globo Rural, de novembro de 2005, em que se colheu um amplo universo de opiniões a cerca do projeto de transposição. Contudo, independentemente da reportagem, a imagem do rio que vemos hoje é a de um doente que, se não tratado a tempo, entrará logo em estado terminal. Encontramos ainda um excelente e esclarecedor artigo de João Abner Guimarães Jr, Engenheiro Civil e Professor da UFRN, e foi com ele que abrimos esta seção no intuito apenas de buscarmos resposta para a questão: compensa o risco de se condenar o rio da “integração nacional” a uma morte lenta e inexorável, com os bilhões que serão investidos no projeto de transposição? Na verdade, quando se fala que será beneficiada uma região com 12 milhões de habitantes se está contando meia-verdade. Sabe-se, seguramente, que “beneficiados” mesmo serão a metade disso, e assim mesmo se forem alcançados todas as metas previstas no projeto. Contudo, é bom não esquecer que o papel aceita qualquer coisa. A natureza não. Se não for tratada como deve, ela apenas reage.
Assim, novamente me pergunto se, o licenciamento ambiental concedido para o início das obras, foi feito com rigor técnico ou político. Porque a visão que o rio nos dá é de se colocar sob suspeita, para se dizer o mínimo, o licenciamento concedido.