quarta-feira, maio 21, 2008

A polêmica sobre a transposição do Rio São Francisco.

Adelson Elias Vasconcellos

Vamos apresentar a seguir uma série de artigos sobre este projeto que se tornou a menina dos olhos do governo Lula e seus amestrados, não porque queiramos levantar uma bandeira ambientalista. Nada disso. Ocorre que, visivelmente, se nota que o Velho Chico se não está morrendo, está ao menos bastante doente. E que a obra de bilhões do governo federal lhe poderá ser fatal, condenado ao desaparecimento. Impossível ? De modo algum. Alguns artigos apontam antigo projeto levado a efeito nos anos 70 pelos governos militares e que comprometeram, e muito, a saúde do rio.

Sabemos que esta polêmica se arrasta desde o início do século 19. E que os que são a favor contam-se na mesma proporção e grandeza dos que são contrários ao projeto. Portanto, antes de sairmos por aí levantando bandeiras políticas e ambientalistas, o melhor a fazer é olhar o lado técnico para dele extrair a conclusão sobre a viabilidade ou não para a idéia de transposição.

Além disto é preciso levantar em conta o seguinte: se o projeto não der certo, não os políticos defensores do projeto que pagarão caro por isso. Serão as futuras gerações. Assim, como a natureza não é vingativa, apenas reage positiva ou negativamente ao tratamento que recebe de nós, o assunto não pode ficar restrito às vontades e caprichos políticos dos governantes. Obrigatoriamente, a questão técnica é que merecer receber maior peso na discussão.

Assim, um artigo de um engenheiro, de um historiador e duas excelentes e longas reportagens do Globo Rural servem de escopo ao nosso artigo que, no final, pretende levantar questões que foram subtraídas da opinião pública mas que merecem ser consideradas. E, este artigo, está fundamentado em uma reportagem do Jornal Nacional, apresentada ontem e que mostra não argumentos, nem discursos, nem demagogias rasteiras e vagabundas, tampouco achismos de pseudo-especialistas. Mostra, de forma límpida, a realidade presente do Rio Francisco. Realidade dolorosa que justificativa que se repense nos “estudos sócio-ambientais” que garantiram a licença de instalação fornecido pelo IBAMA. Por certo, alguém fechou os olhos e deixou passar muita coisa estranha nesta história.