Reinaldo Azevedo
O dia ontem teve alguns lances um tanto patéticos. Com seu infalível coletinho, desta vez de seda cor de telha, o ministro Carlos Minc entrou para a reunião com Lula com uma arrogância verdadeiramente amazônica. Saiu do tamanhinho da mata ciliar do São Francisco. Pediu RS$ 1 bilhão. O presidente não deu. Pediu para afastar Mangabeira Unger do PAS (o PAC da Amazônia). O presidente não afastou. Pediu a ajuda das Forças Armadas no combate aos crimes ambientais. O presidente não topou. O novo ministro fez lá algumas performances e deu no pé, não sem dizer uma frase avassaladora: na sua gestão, “sim é sim” e “não é não”. Huuummm... No governo Lula, o triunfo da tautologia não deixa de ser um avanço.
O dia ontem teve alguns lances um tanto patéticos. Com seu infalível coletinho, desta vez de seda cor de telha, o ministro Carlos Minc entrou para a reunião com Lula com uma arrogância verdadeiramente amazônica. Saiu do tamanhinho da mata ciliar do São Francisco. Pediu RS$ 1 bilhão. O presidente não deu. Pediu para afastar Mangabeira Unger do PAS (o PAC da Amazônia). O presidente não afastou. Pediu a ajuda das Forças Armadas no combate aos crimes ambientais. O presidente não topou. O novo ministro fez lá algumas performances e deu no pé, não sem dizer uma frase avassaladora: na sua gestão, “sim é sim” e “não é não”. Huuummm... No governo Lula, o triunfo da tautologia não deixa de ser um avanço.
Minc não pagou mico (ops!) sozinho, não é? Lula aproveitou o dia para atacar as oposições novamente, afirmando que o dinheiro da CPMF faz uma falta danada à Saúde. Esperto, jogou a batata quente da Emenda 29 para o Congresso: que ele arrume dinheiro. A ameaça subjacente é o veto ao texto. Não quis saber de rediscutir a recriação da CPMF — que a base aliada cuide do assunto, mas não em nome do Planalto. O ministro José Gomes Temporão, por sua vez, voltava a pedir verbas e dizia que só a elevação de imposto de cigarro e bebidas não vai dar conta do recado.
Deixe-me ver se entendi direito: falta dinheiro para a tal Emenda 29, mas o ministro Guido Mantega, da Fazenda, vai torrar R$ 20 bilhões no tal Fundo Soberano, é isso? Que se saiba, a estrovenga — até agora, não vi ninguém que a defendesse — vai ser composta com sobras do superávit primário — que sobra não é, certo? A genial matemática financeira de Mantega pretende tomar dinheiro do mercado a juros que podem chegar a 14% no fim do ano para emprestá-lo a 3%? Quer dizer que existe a grana para um Fundo Soberano que ninguém quer, mas falta para a Saúde? E a culpa é da oposição?Mais: o governo arrecada bem mais do que o previsto. Mesmo com o fim da CPMF, ela só cresceu. A idéia de que só um imposto especial pode financiar o setor transformou-se num fetiche. O governo que quer criar o tal Fundo é também aquele incapaz de cortar seus gastos de custeio — ao contrário: eles só fazem aumentar. Não! A batata quente da Emenda 29 tem de ser devolvida ao governo e aos governistas. E as oposições não podem — como não estão fazendo, justiça se lhe faça — nem flertar com aumento de impostos. O governo Lula precisa aprender a gastar. Ou que venha a público defender a vota da CPMF.
Ah, sim, não poderia encerrar este texto sem lembrar que Lula começou o dia, no programa de rádio, convocando a população a se esforçar para combater a inflação. Como, ele não disse. Só se for com orações. Minc, Mantega, Temporão, Lulão... Uma verdadeira crônica de irrelevâncias e desatinos. Quando não se sabe aonde ir, qualquer lugar serve. O importante é que seja sempre com muito barulho.