quinta-feira, dezembro 17, 2009

O espaço que a oposição pode ocupar na campanha de 2010

Adelson Elias Vasconcellos

Eis os quadros (posts abaixo) que desmascaram a farsa armada pelo PT em seu programa televisivo, em cadeia nacional, em que tenta seduzir o povo brasileiro com uma cantilena de pura vigarice.

Sim, o programa foi bem produzido. O marqueteiro tem qualidades indiscutíveis para criar cenários de pura fantasia. Porém, aquilo que vimos não é o Brasil, o Brasil é este que infelizmente vimos nas diversas reportagens do Contas Abertas, em que nem tragédias como as de Santa Catarina de cerca de um ano atrás, faz o governo Lula se mexer.

Aliás, em matéria de tragédias, Lula é um desastre. Apenas em uma única ocasião sua excelência se deu ao trabalho de visitar uma das áreas atingidas pela calamidade, ainda assim, por cima, de avião, quando o norte e nordeste estiveram debaixo d’água. Nem George Bush, com toda a sua bonomia, foi capaz de tanto: acusado pela oposição de chegar atrasado, demorou cerca de uma semana para visitar a região devastada por um furacão.

Lula nunca se faz presente nestes momentos de angustia. Sua opção são as inaugurações de contratos que serão assinados em futuro lançamento de pedras fundamentais de projetos que UM DIA serão construídos. Claro com direito a uma enorme e dispendiosa despesa e aos discursos de praxe.

No citado programa de tevê, que era prá ser do Petê, não passou de um doce balanço da campanha pró-Dilma, e faltou apenas Lula dizer ser o pai do real. De todas as virtudes do governo anterior, de forma absolutamente desonesta, ele se apoderou, sem, todavia, deixar de lado a crítica às privatizações. Foi um programa feito com dois objetivos: um, para insuflar a tática de se criar uma eleição plebiscitária entre o governo dele e o de FHC, e a outra, mais asquerosa ainda, a de dividir o país entre nosso governo de pobres, e o governo deles de ricos.

Vejamos a essência destas duas questões. Começo por informar que, nem Lula tampouco FHC, serão candidatos em 2010. Portanto, a comparação não faz sentido algum. Segundo, porque é vigarice suprema comparar dois períodos muitos distintos de governança. Já sugeri que se comece se analisar o país que FHC recebeu, seja no plano econômico, ou mesmo social, na saúde, na educação, nos investimentos públicos, nos programas sociais, dívida pública, etc, com o Brasil que Lula recebeu. Depois, que se analise as condições da economia mundial num período e no outro. Diante destas duas circunstâncias, aí a comparação passa a ser válida. Sem levar em conta tais premissas, o que se propõem é uma aberração. É querer comparar laranja com abacaxi. Não dá.

Assim, o desejo de se estabelecer uma eleição plebiscitária, é pura vigarice e não há a menor chance de se levar avante dadas as condições absolutamente desonestas com que Lula e PT tentam impor.

Quanto a segunda meta que o programa buscou alcançar, a de se dividir o país em dois, um governo para ricos, e outro, o deles, devotado aos pobres, seria até conveniente que o PT refletisse melhor. Nem no exterior sua esperteza cola, tanto que a imprensa mundial é unânime em reconhecer o salto do Brasil foi dado de 15 anos para cá, e que Lula é herdeiro das reformas implementadas por FHC. E que, a forte estabilidade econômica vivida pelo país só foi possível de ser obtida a partir do fato de Lula ter conservado tanto no plano econômico quanto no social, as políticas adotadas por seu antecessor.

Claro que Lula, petistas e marqueteiro levam em conta a baixa escolaridade da grande maioria da população e a consequente desinformação a que a mesma está exposta. Daí a vigarice dos discursos irresponsáveis que eles espalham e as histórias falsas que contam sobre o governo Lula. Contudo, nem mesmo o povo consegue engolir cem por cento tanta pilantragem. E isto é plenamente constatado pela pesquisa do IBOPE que comentamos aqui. Apesar da aprovação em torno de 80% de Lula, nas questões básicas como educação, saúde, segurança, e até políticas sociais, não alcançam sequer 50% de aprovação e estão em queda junto à população. Porque, no fundo, o que faz e torna um governo bem aceito são sim questões práticas que os atingem no dia a dia. E é justamente aí que o desastre mostra toda a sua verdadeira face.

Assim, como vimos, quando se vai olhar para estas outras questões, o que se vê quadros diversos dos esplendorosos cenários da propaganda governista. A começar porque não passa um santo dia que não se toma conhecimento de mais uma gatunagem seja pelos políticos, muitos com assento no governo, seja por desvios que se noticia cometidos em obras e programas federais. Depois, as estradas e rodovias federais continuavam em estado deplorável. Vimos que, desde 2002, considerando toda a dotação de que dispunha, o Ministério dos Transportes deixou de investir na recuperação, manutenção e abertura de novas rodovias, cerca de 30 BILHÕES. Convenhamos, isto justifica o título de haver muito dinheiro para pouco governo.

E este desastre fica ainda maior quando sabemos que, no ano, em impostos, o Estado brasileiro atingiu nesta semana a marca histórica de 1 TRILHÃO DE REAIS. Aí, o barnabé olha prô país à sua volta e se pergunta: onde foi parar esta dinheirama toda? Pois é, por certo não foi em benefício dele que o dinheiro foi gasto, muito embora, e ele tem consciência disto, cerca de cinco meses por ano ele trabalha para entregar dinheiro prô governo.

Quando ouço aqui e ali gente comentando que a oposição não pode concorrer com a popularidade de Lula, chego a achar graça. Lula não é candidato, e a análise de seu tempo no poder, é a história quem irá contar, mas já sem a propaganda a emoldurar os cenários, a criar o artificialismo das emoções do momento.

Há, sim, um enorme e amplo caminho para um debate civilizado e honesto, e há um amplo campo de questões que atormentam a vida dos brasileiros capazes de instruir e orientar um projeto de governo a ser oferecido em que, primeiro, se diga que se fará um governo para TODO O BRASIL, e não apenas um projeto dividindo o país ao meio. Bastante de racialismos, divisões étcnicas, pobres contra ricos, sul/sudeste contra norte/nordeste, brancos contra negros. O país é um só, o povo é um só. No governo Lula, é bom lembrar, nunca os banqueiros ganharam tanto dinheiro como nestes sete anos. Portanto, a cascata de governo para os pobres é pura balela. Mesmo agora, diante da crise financeira internacional, podendo aplicar um redutor generalizado em todos os impostos federais, Lula preferiu sortear quem seria privilegiado.

Se a oposição tiver realmente desejo de retornar ao poder, pode apresentar um projeto de governo impossível de ser batido pelo candidato governista. Basta querer, e, se for inteligente o bastante para fazê-lo, e tem gente prá isso, e souber caminhar com correção pela arena política, é bem provável levar já no primeiro turno. É bom para o país e é ótimo para a democracia que haja efetiva alternância no poder, muito embora quem suceder Lula, gastará enorme tempo para desarmar as bombas que ficarão armadas. Lula alimenta a ideia de voltar ao poder em 2015, e certamente pavimentou bem o caminho para o governo que irá sucedê-lo. Além do aparelhamento criminoso do Estado, um problema a ser enfrentado será o do equilíbrio das contas públicas e o equacionamento da alta dívida interna.

Uma coisa é certa: com a rejeição tão alta apesar de toda a exposição e afago de Lula e do uso indiscriminado e ilegal da máquina pública, e que o TSE não vê, contando com elevadíssima dose de tolerância por uma parte da imprensa submissa ao partido e à sua doutrina esquerdista, dona Dilma ainda não foi plenamente digerida pela população. Sua atuação botocuda e arrogante, não vai vingar. Lula só foi vencedor a partir do momento em que se tornou mais civilizado e abandonou o jeito bronco das eleições passadas.

Acho que nesta eleição o povo brasileiro fará uma opção diferente: ele não quer saber do Brasil de daqui 15 ou mais anos, tempo das venturas do pré-sal. Sua preocupação é em relação a questão práticas: ele quer saber se terá atendimento médico quando precisar, que poderá sair a rua com um pouco mais de segurança, que seus filhos estarão matriculados em escolas de bom padrão de qualidade capaz de permitir um melhor futuro. Duvido que qualquer pai ou mãe, com um pouco de sensibilidade de seu papel, admita a ideia de ver seu filho dependendo da esmola do Bolsa Família para sobreviverem. Eles até aceitam tal situação constrangedora para criá-los, mas afastam e repudiam a ideia de que eles venham a ter a mesma má sorte. Povo quer ver emprego, salários dignos, serviços públicos decentes.

A questão das bolsas qualquer coisa para enganar o trouxa do eleitor, é um produto que está com prazo de validade praticamente esgotado. Quem insistir muito nesta artimanha, poderá ser surpreendido. As pessoas querem ser tratadas como cidadãs, querem se sentir úteis para si mesmas. As bolsas qualquer coisa é substituição das telhas, sapatos, dentaduras, sacos de cimento com que os políticos em passado recente compravam sua eleição.

Portanto, dá prá enfrentar Lula sim, e emplacar um candidato de oposição. Mas só discurso não basta. As linhas de ação estão expostas acima.