terça-feira, setembro 07, 2010

Conversa vai, conversa vem

Maria Helena R. R. de Souza

O pequeno erro nos cálculos da chamada tarifa social de energia elétrica, criada em 2002, portanto no governo FHC, erro que o Tribunal de Contas da União alertou a titular do MME por três vezes e que ela ontem declarou à Folha que sempre achou errado, foi levado na chacota pelo senhor José Eduardo Dutra.

Ao que parece ele tuitou o seguinte:

"O erro foi no governo FHC, corrigido no governo Lula e a culpa é da Dilma. Tudo bem, o importante é a manchete aparecer no programa do Serra", escreveu o petista, sem entrar no mérito dos alertas do TCU ignorados pela hoje candidata.

Como se tudo tivesse sido uma invenção da oposição para ajudar a campanha de José Serra. Quando ele sabe muito bem que essa correção no governo Lula só foi feita em janeiro de 2010!!!

Não sei se ele tem filhos ainda imaturos. Se tem, que belo exemplo não deu em casa...

Esse tipo de atitude é o pior legado dos membros do governo Lula. O deboche, o pouco caso, a maciota com que desmentem os fatos, a calma com que inventam e criam situações que lhes favoreçam.

Desde o servidor com viagens bancadas por empresas mas que desconhecia o fato, passando pela extraordinária declaração de dona Dilma que em setembro de 2009 não era nem candidata nem pré- candidata, até o ministro da Fazenda fazer pouco caso da quebra de sigilos fiscais nas dependências de um órgão sob seu comando, tudo culmina com a tranquilidade com que o Lula berra em palanque: cadê o sigilo?

Taí, era hora de um cidadão mais decidido levantar a voz e dizer: vem cá que eu lhe mostro onde está o sigilo!

Estamos nos abaixando demais para este estado de coisas. Temos que dar um basta nisso de qualquer jeito.

O pior é que me parece que o eleitor do Lula não compreendeu o que é a devassa do sigilo de alguém. O que é que isso implica. Eles perguntam: mas cadê os dados vazados? cadê o sigilo?

Tal qual o Lula, gostariam de ver para crer.

Só que eles perguntam porque ignoram de fato a gravidade do crime cometido.

Não é o caso do Lula.

Há muito deixei de achar de que ele é ignorante. Ignorante sou eu que votei nele em 2002 acreditando na lenda do operário que deu certo.

Ele?

Ele é um artista que interpreta, e bem, vários papeis. Depende da plateia. Tudo depende da plateia.