terça-feira, setembro 07, 2010

Dilma, a boateira

Ricardo Noblat

Pega mal para um candidato a presidente da República, muito perto de se eleger, virar boateiro. Ou pior: repercutir boatos.

Foi o que fez, ontem, Dilma Rousseff na sua entrevista coletiva diária.

O PT e o governo são especialistas na aplicação de vacinas para combater assuntos embaraçosos.

Assim que saiu a primeira reportagem da VEJA sobre o dossiê contra José Serra e outros tucanos emplumados, espalhou-se na internet, via blogs e sites alinhados com o PT, a história de que o dossiê era na verdade um livro ainda em fase de elaboração pelo jornalista Amaury Ribeiro Jr.

Foi a primeira dose de vacina.

A segunda, aplicada logo depois: Amaury havia trabalhado no jornal O Estado de Minas. E ali fora apoiado por seus chefes para fazer o livro que ao detonar Serra, aumentaria as chances de Aécio Neves vir a ser o candidato do PSDB à vaga de Lula.

De fato, o Estado de Minas apostou suas fichas na candidatura de Aécio. Uma vez, seu diretor-geral, Álvaro Teixeira da Costa, entrou na redação e falou em voz alta:

- O projeto deste jornal é o projeto de Aécio. Que isso fique bem claro.

O que não se contou na época sobre o projeto de livro de Amaury: que ele o havia começado bem antes de ir trabalhar no Estado de Minas. Na época, ainda era repórter da revista IstoÉ.

Quem conviveu com ele sabia de sua obsessão em investigar os porões do processo de privatização durante o governo Fernando Henrique Cardoso.

Liga-se Amaury ao Estado de Minas, esse a Aécio, e pronto: foi Aécio quem encomendou o livro confundido pela VEJA com um dossiê.

Com meias verdades constrói-se uma grossa mentira.

E onde Dilma entra nisso?

Até ontem, caciques do PT e do governo se limitavam a alimentar o boato com o cuidado de não se identificar.

Dilma foi mais adiante.

Na entrevista coletiva, falou de Amaury, do livro dele e do jornal O Estado de Minas. Só não citou Aécio.

Não precisava citar.

Os jornalistas entenderam o que ela quis dizer.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
De tanto insistirem na trama sórdida da intriga, pretendo, deste modo, gerar conflito entre os aliados da coligação oposicionista, periga este governo de salafrários se enredar nas próprias teias que tem urdido, o que aliás, seria muito bom para o país. Este jeito rasteiro e ordinário com que o PT tem se comportado está, já faz tempo, a merecer um belo castigo. O país precisa crescer moralmente, e o jeito PT de fazer política é único meio de não se chegar lá nunca. Até pelo contrário...