Adelson Elias Vasconcellos
No caso atual da violação de sigilos, sob responsabilidade da Receita Federal, é possível perceber o quanto é importante a presença de imprensa livre. Foi através dela que se chegou ao fundo do crime que estava sendo praticado. Não fosse assim, e muito provavelmente, o governo federal sequer se interessaria em investigar. E, diga-se, a atuação da oposição tem até me surpreendido, positivamente. Está denunciando o crime – é crime, sim – está mostrando que sua natureza é política, apesar dos desmentidos, está cobrando investigações e recorrendo à Justiça que, afinal, é o fórum legítimo para preservar direitos. O que não é admissível é alguns trogloditas acharem que a oposição nem pode fazer o que lhe compete, que é OPOSIÇÃO, tampouco ir a Justiça para garantir lisura na campanha eleitoral. Deveriam as vítimas fazer o que, ficarem quietas e aceitar, passivamente, uma agressão aos seus direitos garantidos pela Constituição? Tenham paciência! Para o inferno se Lula tem 80, 300 ou 1.000 por cento de aprovação. O que ele não têm, porque é a lei que assim o estabelece, é direito de ser, primeiro, licencioso com o crime, e segundo, impedir que as vítimas recorram à Justiça para assegurar seus direitos.
Como também, justamente por ser o presidente do país, e não por ser o Lula, não tem o direito de achincalhar com a verdade e tentar encobrir um crime cometido por uma instituição até então tida como séria, apenas para preservar sua onipresença no poder. Ele disputou cinco eleições presidenciais. Nas três que perdeu, acaso, houve retrocesso institucional no país? Deixamos de ser um país livre por conta de suas derrotas? Então, que ele devolva o país, neste sentido, com os mesmos avanços institucionais que encontrou quando chegou ao poder. Isto é não um simples ato de sua vontade. É uma obrigação!
Do mesmo modo, nos planos econômico e social, encontrou um país melhor do que todos os seus antecessores, desta forma, tinha a obrigação de fazer o país avançar ainda mais, e se considerarmos que tanto a conjuntura interna quanto externa, lhe proporcionou condições plenas para fazê-lo, tal feito se torna bem mais necessário. Portanto, dizer que fez mais, não é nenhum privilégio. Nada mais fez do que sua obrigação. Ao candidatar-se, fez inúmeras promessas. Foi escolhido justamente por conta de muitas delas irem de encontro aos anseios da maioria da sociedade. Empossado, nada mais fez do que cumprir com o prometido. Quando propôs, lá atrás, que esta eleição seria plebiscitária, do “nós contra eles”, coloquei que o justo seria que, antes de se comparar feitos, se comparasse as condições em que se encontrava o Brasil e o mundo, no momento exato em que FHC e Lula assumiram. Somente baseado neste fato é que as comparações poderiam, de fato, ser feitas. E, mesmo assim, se houver honestidade no julgamento, Lula perde feio.
E é aqui, justamente, que pretendia chegar, porque não posso assistir impassível, que a história do país seja reescrita de forma desonesta e tão torta como Lula propõe. Desde que assumiu, o PT não perdeu o seu vício de ser oposição. Na impossibilidade de ser oposição contra si mesmo, tratou de fazê-lo contra o governo que lhe antecedeu. E tem agido assim até hoje. Tudo que fez de errado, ao invés de culpar a si mesmo, pelo mau planejamento ou falta dele, ou pela execuçãoincorreta e má gerência, a culpa sempre recai, inevitavelmente, em FHC. Porém, se a obra ou programa são bons, méritos de Lula, mesmo que estivesse cumprimentando com o chapéu alheio.
O crescimento de um país nunca se deve apenas a um mandatário, ainda mais num curto espaço de tempo. No caso brasileiro, chegamos até aqui, e podemos nos orgulhar de nossas conquistas, não por causa do PT, mas apesar do PT. Este partido, e o passado não desmente, boicotou TODOS OS GOVERNOS QUE SE SEGUIRAM DESDE 1985!!! Todos, sem exceção. O Plano Real, garantidor supremo de nossa estabilidade econômica e social, foi torpeado pelo partido, sem tréguas, de forma contínua. A lei de Responsabilidade Fiscal, até hoje, por exemplo, aguarda julgamento no STF de uma das dezenas de ações judiciais movidas pelo partido do senhor Lula da Silva. Hoje, mesmo que forma reservada, Lula reconhece o quanto o Plano Real significou de avanços para o Brasil, o quanto seu próprio governo deve àquele programa saneador de nossa economia. A própria medida provisória que criou o Bolsa Família já dizia se tratar da fusão de quatro dos cincos grandes programas criados por Fernando Henrique. Lula jamais reconheceu isto.
Agora, ficamos sabendo que, por conta da omissão da senhora Dilma Rousseff, o país teve um prejuízo de praticamente R$ 1 bilhão, ao tempo em que esteve à frente do Ministério de Minas e Energia. Publiquei aqui a noticia ontem com a promessa de retomar sua análise hoje. A primeira fala do PT sobre a informação noticiada pela Folha de São Paulo foi a de atribuir à FHC a culpa pelo prejuízo. Como sempre, o partido que tem verdadeira compulsão à mentira, apanha seu eterno mantra, e culpa o governo anterior.
Só que os fatos demonstram que o prejuízo foi, de fato, originado da falta de ação do Ministério comandado por Dilma Rousseff. É fato que a tarifa social sobre as contas de energia foi criada por FHC.
Porém, também é fato real e verdadeiro que o Ministério de Minas e Energia em abril de 2003, aplicou uma alteração sobre a aplicabilidade desta tarifa. E, que posteriormente, o Tribunal de Contas da União, por tres vezes, alertou para o grave equívoco do Ministério, que simplesmente ignorou o fato. Tentando fugir de sua responsabilidade, se distribuiu Nota informando que, no período de 2003 a 2006, o Ministério fez inúmeros estudos e levantamentos por conta das advertências do TCU. Até aí, tudo bem, muito embora, não seja possível consentir que se leve quase três anos estudando um assunto que o TCU, em questão de meses, entendeu irregular.
Agora reparem num detalhe: apesar do TCU, por três vezes ter alertado para o erro de cálculo da tarifa social, apesar dos estudos terem sido feitos pelo Ministério de Minas e Energia entre 2003 a 2006, vocês sabem quando o erro foi corrigido? Apenas em 2010!!!! Isto mesmo, o governo do senhor Lula, tão preocupado com o social, e a Ministra Dilma, primeiro no Ministério de Minas e Energia, e posteriormente, na Casa Civil, esta “patriota” que Lula chama de mãe do PAC, a quem ele atribuiu uma capacidade gerencial de primeira grandeza, levaram QUATRO ANOS para corrigirem um erro que já se conhecia, no TCU desde 2003, e no governo, desde 2006. E, com a maior desfaçatez, ainda querem empurrar o erro para FHC? Ora, se a isto, o mínimo que se pode chamar, não for cretinice, que se mudem os conceitos do dicionário português. É inacreditável a que ponto chegamos!!!!
Não fosse esta, uma das dezenas de vezes com que este governo desacredita da verdade, talvez até, vá lá, se pudesse aceitar como um mal entendido, ou um “mal feito”. O diabo é que isto caracteriza um método, um atributo de caráter, um valor de comportamento. Não há um único dia que não nos confrontamos com versões descaradamente mentirosas, com informações hipócritas e manipuladas, com afirmações levianas e falsas. Não passa um único momento em que, se investigando as ações do governo Lula, não nos deparamos com situações como essa. É um governo que, muito mais do que age contra FHC, atua, criteriosa e sistematicamente, em oposição à verdade. Tome-se outros exemplos: o caso do mensalão, dos aloprados, das cartilhas, dos dólares na cueca, da doação de R$ 5 milhões de dólares à campanha petista feita pelas FARC, do dossiê contra dona Ruth Cardoso, o sigilo do caseiro Francenildo, o pedido feito por Dilma Rousseff à então Secretária da Receita Federal, Lina Vieira, de que “aliviasse” as investigações sobre a família Sarney, o caso atual dos sigilos fiscais violados: em cada um destes “eventos”, quantas versões diferentes o governo distribuiu como “verdadeiras”? E sempre que se encontrava um petista metido no meio dos criminosos, quantos resultaram em punição e expulsão do partido, ou mais ainda, quantos foram presos, julgados e condenados?
Em tempo: a lista acima, é apenas um pequena fração das dezenas de escândalos patrocinadas por este governo.
Se a sociedade escolher este caminho, já disse, não terá direito de se dizer “desiludida” com esta gente, maltrapilha moral. Só se desilude quem um dia se iludiu. A atuação do PT enquanto oposição, era indicativo bem claro do que eles são capazes de fazer, no que acreditam, o que ambicionam fazer no país. Crê quem quer, se ilude quem quer, se deixa enganar quem assim o deseja. De minha parte, neste sentido, me dou por satisfeito: minha consciência está, absolutamente, limpa e tranquila. Deles sempre é possível se esperar o pior. Espero que o Brasil, a maioria pelo menos, pense da mesma forma. Motivos, senhores, é que não faltam.