terça-feira, outubro 12, 2010

Correios perdem 22% da verba para investimentos em 2011

Leandro Kleber, Do Contas Abertas

Alvo de críticas do candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) terá seu orçamento de investimentos (execução de obras e compra de equipamentos) reduzido em 2011. De acordo com a proposta orçamentária da União encaminhada ao Congresso Nacional na última terça-feira, a estatal responsável pela administração dos correios em todo o país terá R$ 500 milhões no ano que vem. O valor é 22% inferior ao previsto inicialmente para 2010, R$ 640 milhões.

Os investimentos foram reduzidos em áreas consideradas fundamentais para o desempenho da empresa, como obras de adequação de infraestrutura de produção e distribuição e manutenção e aquisição de itens de informática, teleprocessamento, veículos, máquinas e equipamentos. Até o fechamento da matéria, a assessoria de imprensa dos Correios não comentou a redução do montante para o próximo ano, que será o menor desde pelo menos 2005.

A diminuição da verba em 2011 pode ser reflexo da má execução orçamentária registrada nos últimos anos. Em 2010, por exemplo, dos R$ 640 milhões previstos para investimentos, a estatal desembolsou apenas R$ 99,5 milhões (16%) no primeiro semestre. Segundo a assessoria dos Correios, a empresa “está realizando todos os investimentos previstos para 2010”. “Ocorre que em muitos casos o processo de contratação ainda está em andamento, por isso a despesa não consta ainda como investida”, justificou à reportagem no começo de agosto.

Desde 2003, no entanto, a ECT anda a passos lentos. Neste período, a estatal desembolsou R$ 1,9 bilhão de um montante previsto de R$ 4,3 bilhões, ou seja, 45% do total. Em 2000, 2001, e 2002, os investimentos da estatal foram acelerados. Do R$ 1,5 bilhão previsto nos três anos, em valores correntes, R$ 1,4 bilhão foi aplicado, 93% do total.

Para o secretário-geral da Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (FENTECT), José Rivaldo, a ECT está sofrendo um “desmonte” elevado de funcionários que prejudica os serviços prestados à população. Segundo ele, o governo mudou a diretoria da empresa, mas a política administrativa continua semelhante, sem novos investimentos. “Até agora, a empresa não contratou os 6,5 mil funcionários prometidos via concurso. Há muito tempo não se investe em novas tecnologias e não são oferecidos treinamentos aos servidores”, critica.

De acordo com Rivaldo, ao invés de serem reduzidos, os investimentos deveriam aumentar, principalmente porque o quadro atual dos Correios é insuficiente. “O ideal hoje seria a estatal contratar mais 15 mil funcionários para cobrir o déficit, que foi agravado com o plano de demissão voluntária lançado no ano passado. Como uma gestão faz um plano desse e não planeja a reposição de vagas? Com tantos problemas de administração, a opinião pública vai querer a privatização da empresa. Nós vamos lutar para que o desempenho melhore, para que retomemos um padrão de serviço de qualidade e isso não aconteça”, afirma.