Ricardo Setti, Veja online
Pena que os presidenciáveis não debateram esse tema na Band, horas atrás. Mas vamos lá.
O ministro Franklin Martins, que desde que deixou o jornalismo diário e passou à chamada Comunicação Social do governo parece ter voltado a ideais stalinistas de quando pertencia à luta armada no Brasil, está em viagem pela Europa.
Foi, explicou antes de embarcar, conhecer o que existe nos principais países europeus em matéria de “controle”, de “supervisão” ou de “regulamentação” de veículos de comunicação. Pretende, antes de Lula deixar o Palácio do Planalto, a 1º de janeiro próximo, que o governo apresente algum projeto relacionado aos meios eletrônicos.
É incompreensível a viagem do ministro. Não por falta de desejo de “controlar” meios de comunicação, velha aspiração de parte do governo a que pertence.
Mas por pelo menos duas razões.
A primeira, e excelente, é que não há controle governamental sobre a imprensa em nenhum país europeu. O que existem são diferentes formas de os veículos e suas entidades representativas se auto-regularem. O estado não dispõe de poder para interferir na mídia, nem os parlamentos e a própria sociedade permitiriam.
A segunda é que, sensatamente, a presidenciável do PT, Dilma Rousseff, já se declarou formalmente contrária a qualquer tipo de controle.
A única razão que encontro para a viagem do ministro é passear à custa do Erário.
