Ricardo Setti, Veja online
Manifestantes pedem a libertação de Liu Xiaobo
O professor Marco Aurélio “Top Top” Garcia arrebatou o troféu de frase mais infeliz proferida ante a premiação com o Nobel da Paz do dissidente chinês Liu Xiaobo:
– Não tenho a menor informação sobre ele.
Estranha declaração para quem é “assessor para assuntos internacionais” do presidente Lula, uma vez que Liu Xiaobo é conhecido por quem se interessa por direitos humanos desde 1989, quando fez uma greve de fome para tentar uma retirada pacífica dos jovens cercados pelo Exército durante os famosos processos por liberdade na Praça da Paz Celestial, em Pequim, que terminaram em terrível massacre.
Preso e libertado várias vezes, desde 2008 cumpre pena de 11 anos de cadeia por “subversão”, embora jamais tenha feito nada a não ser pedir, pacificamente, mudanças no regime comunista chinês.
Seu delito mais grave consistiu em redigir um manifesto pedindo liberdades civis, independência para a dócil Justiça chinesa, que cumpre ordens do Partido Comunista, e uma reforma política que permita maior participação popular nas decisões do governo.
Talvez seja por esse tipo de ignorância manifestada por Marco Aurélio que o Brasil venha se abstendo de forma vergonhosa na condenação, pela ONU, de violações de direitos humanos em países como Cuba, Irã, Sudão, Síria e a própria China.
Ainda não se sabe o destino do “assessor” quando o governo Lula terminar. Uma possibilidade é ele continuar aconselhando Lula sobre relações internacionais, com salário pago pelo PT. Outra é um eventual governo Dilma Rousseff atribuir-lhe uma embaixada — ao que se diz, confortável mas de importância apagada.
