terça-feira, outubro 26, 2010

Estatais do setor elétrico terão R$ 800 mi para reestruturar dívidas

Folha de São Paulo

O governo decidiu aumentar em R$ 800 milhões o limite de endividamento de empresas estatais do setor elétrico. Segundo o Tesouro Nacional, o objetivo da medida é permitir que essas estatais consigam reestruturar dívidas antigas e, assim, se preparar para tomar novos empréstimos bancários que viabilizem projetos de investimento.

Para ter acesso a esses recursos, as empresas terão, necessariamente, que estar incluídas em algum programa formal de reestruturação financeira que esteja sendo conduzido pelo seu controlador. O Tesouro não informou quantos Estados se enquadram nessa exigência.

Segundo o chefe da Assessoria Econômico do Tesouro, Jefferson Bittencourt, a medida foi necessária porque muitas estatais estaduais estão enfrentando dificuldades em captar recursos para financiar seus investimentos.

"Muitas empresas estão tendo que fazer grandes investimentos para atender a maior demanda por energia, reflexo do crescimento da economia", afirmou.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
É exatamente assim que as finanças de um país começam a ruir. A questão de ser estatal ou não, está muito mal colocada no país. Que o governo abra uma estatal para produzir determinado incentivo a uma atividade econômica importante, mas que as empresas nacionais não tenham ou interesse ou capital suficiente para investimentos, isto até é admissível. Mas só até certo ponto. Contudo, concretizada a iniciativa, que aquela atividade seja transferida à iniciativa privada, com muito melhor competência de gestão do que o Estado. Manter estatais, ao longo do tempo, ocasionam exatamente em má gestão, desperdício de dinheiro público, aumentos de déficits e de endividamento, porque se perde o foco da competitividade saudável na vida empresarial, e as estatais se tornam num repositório de um longo cabide de empregos, cargos de favor político; as empresas passam a ser geridas por profissionais despreparados e desqualificados, comprometendo a saúde financeira. Resultado: é o que se vê na notícia, precisará o Tesouro cobrir o rombo que, no final das contas, quem pagará por ele é a própria sociedade.

Imagine-se, agora, no ritmo que vai, até onde este vírus comprometerá o equilíbrio fiscal e, por conseguinte, a estabilidade econômica do país. Este foi um dos males que precisou ser atacado e que, em boa hora, o governo FHC entendeu a mensagem. Nos governos Collor e Sarney editou-se cinco planos econômicos visando extirpar o mal da inflação. Por que não deram certo? Simples: atacava-se tudo, menos as causas do desequilíbrio orçamentário que, era provocado pelo peso excessivo, dispendioso e desnecessário do estado inchado de estatais deficitárias. Na sua quase totalidade, as empresas transferidas à iniciativa privada resultaram em empresas saneadas, competitivas, com altos investimentos em modernização e tecnologia, e hoje são motivo de orgulho do empreendedorismo brasileiro no mundo, como são os casos da Acesita, da Vale, Siderúrgica Nacional e Embraer, além do caso da telefonia, este então sem igual.

Mas à conta do rombo das estatais do setor elétrico acima não está completa: faltou acrescentar os 3,9 bilhões da CELG (Goiás), numa operação impressionante de assalto às leis.

Razão tinha o economista, ex-ministro do Planejamento e ex-deputado, o falecido Milton Campos que dizia:

"Empresas privadas são aquelas controladas pelos acionistas e pelo fisco e empresas estatais são aquelas que ninguém controla".

Na mosca.