segunda-feira, novembro 08, 2010

Ministério da Infraestrutura: solução ou mais enrosco?

Luciene Antunes, Portal Exame

A possibilidade de criação de um superministério da Infraestrutura, que assimilaria funções hoje divididas entre pastas como as de Cidades, Transportes, Minas e Energia, foi uma ideia aventada algumas vezes durante a campanha da futura presidente Dilma Rousseff. Essa ideia – evidentemente – ressurge com muito interesse neste momento de divisão de bolo do novo governo.

Ainda sem formato definido, em tese, o novo ministério possibilitaria um acompanhamento mais de perto das várias frentes da infraestrutura pela presidente eleita, o que poderia reforçar a imagem de Dilma como “mãe do PAC” e se consolidar como uma das marcas registradas do seu mandato. Especialistas na área, porém, temem que o novo ministério possa resultar em mais enroscos para um setor já bastante atravancado.

“A ideia do novo ministério mostra uma inclinação a aumentar a politização na área de infraestrutura, com a criação de novas instâncias, novos cargos, novos processos, o que é preocupante”, diz Anand Hemnani, vice-presidente da consultoria americana CG-LA, especialista em infraestrutura. Hemnani acredita que a alternativa para fazer deslanchar os investimentos em uma das áreas mais carentes e estratégicas para impulsionar a competitividade do país é muito mais simples. “É preciso aproveitar mais a capacidade técnica do BNDES, que conta com um dos times de especialistas mais bem qualificados para avaliar projetos de infraestrutura do mundo, assim como a Caixa Econômica Federal.” Ainda de acordo com ele, a interferência política no processo de aprovação de verbas para projetos poderá levar a empreendimentos mal planejados e resultar em elefantes brancos ou que requeiram subsídios governamentais eternos.