sábado, dezembro 11, 2010

Conversa vai, conversa vem...

Maria Helena R.R.de Souza

Evanildo, um jovem alagoano de 18 anos, não sabe dividir 8 por 4.

Disse, com a sinceridade que é uma facada em nosso coração: 'preciso da ajuda de um papel' para fazer essa conta!

Li isso em O Globo de hoje e morri um pouquinho.

Leiam isso:

A Escola Estadual Tavares Bastos, onde Evanildo estuda, é considerada uma das melhores e mais disputadas do estado, modelo de inclusão de jovens com deficiência de aprendizado, como autistas e surdos-mudos. Com 24 anos de profissão, a diretora da escola, Rosa Maria Lemos Barbosa, diz acreditar que o mau desempenho dos alunos alagoanos pode ser explicado por problemas como a falta de merendeira nas escolas:

— Os alunos chegam à escola com fome. E ao tentar estudar, vem logo o sono, a dor de cabeça e a dificuldade de aprender. Minha escola só tem duas merendeiras para 400 refeições por dia, juntando os três horários em que funciona. Dando condições aos alunos, escolas em tempo integral e amor, principalmente amor, nós sairemos do último lugar, com o pior ensino do Brasil — disse.

Segundo o PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) Alagoas só não perde para o Quirziquistão!

Com que cara os renans, collors e teotônios olham esses meninos? Com a de sempre ou ao menos baixam os olhos?

Nessas horas eu preciso acreditar que Dante foi iluminado por Deus e que sua descrição dos três estágios lá no além é exata, porque essa gentinha arquimiliardária não merece mais do que o último círculo do Inferno.

A fome alimenta a ignorância! A fome de comida, a fome braba que deixa o sujeito fraco das pernas e da cabeça.

Evanildo disse mais: nem ele mesmo sabe como chegou até onde chegou.

E ele quer ser professor de educação física.

Acredito que a professora Rosa Maria seja muito dedicada, mas ela que me desculpe: não faltam merendeiras.

Falta tudo. A começar por decência e honradez nas autoridades municipais, estaduais e federais.

Numa coisa ela tem razão: mais que tudo, falta é amor. O brasileiro não ama o brasileiro.

Terrível constatação...