quinta-feira, dezembro 09, 2010

ENQUANTO ISSO...

Falta de anestesistas contribui para morte de bebê na Paraíba

Jornal Nacional

Uma menina de um ano morreu, em Campina Grande, na Paraíba, engasgada com um caroço de feijão. Segundo os médicos, Mayanne Beatriz de Almeida precisava ter sido submetida a uma bronco-fibroscopia. É um procedimento que só pode ser feito com o paciente anestesiado.

Mas os 28 anestesistas que prestavam serviço no Hospital Regional de Campina Grande tiveram os contratos cancelados no último sábado e os três únicos concursados não estavam trabalhando na segunda. O Ministério Público Estadual vai investigar o caso.





Enquanto isso...

Justiça do Tocantins decreta prisão do secretário de Saúde do Estado
Jornal Nacional

A coordenadora responsável pelos leitos de UTI também teve a prisão decretada, porque a secretaria não transferiu um bebê de dois meses, em estado grave, para outro estado.

A Justiça do Tocantins decretou a prisão do secretário de Saúde do estado e da coordenadora responsável pelos leitos de UTI.

A secretaria não atendeu à recomendação do Ministério Público de transferir um bebê de dois meses, em estado grave, para outro estado.

A criança nasceu com um tumor no pescoço e, segundo os promotores, os hospitais do Tocantins não oferecem tratamento adequado.

O governo do estado recorreu da decisão da Justiça e, no fim da tarde, providenciou um avião para transferir o bebê. A criança foi levada para Goiás.




***** COMENTANDO A NOTICIA:

É claro que a sugestão dada aqui no blog há poucos dias, não foi lida pela justiça do Tocantins. Mas, sem dúvida, ela vai de encontro ao que está estabelecido na constituição brasileira, que é o direito à saúde e, principalmente, a proteção à vida do cidadão. A partir do momento em que a Justiça brasileira como um todo, passar a adotar tal prática, isto é, a de determinar que o Estado, por seus responsáveis, sejam condenados à prisão por não atender a dispositivo constitucional, provavelmente, estes episódios lamentáveis que vemos diariamente emporcalhando a vida dos brasileiros, terão um fim. Não é possível mais assistirmos resignados tanta gente morrendo por falta de atendimento na rede pública de saúde. Não dá para aceitar a velha desculpa de falta de vagas como justificativa para tantas mortes causadas pela omissão vergonhosa do Estado. Como, também, é inaceitável que faltem vagas na rede pública com a arrecadação milionária que é tirada da sociedade todos os anos entre impostos, taxas e contribuições dos mais diferentes tipos e valores.

Em 12.09.2010, comentamos aqui uma reportagem da Revista Época, Revoltante: R$ 520,00 por uma vida, na qual se narrava o drama revoltante da história absurda do menino de 14 anos que morreu porque as autoridades se recusaram – mesmo com ordem da Justiça – a fornecer um aparelho simples para ajudá-lo a respirar. Valor do aparelho: R$ 520,00. (clique aqui para ler a íntegra).

Leiam este trecho que destaco:

(...)
Reparem neste trecho: “(...) A União se defendia na Justiça dizendo que o Sistema Único de Saúde (SUS) descentraliza esse tipo de demanda, e quem devia pagar o aparelho era o Estado ou o município(...)”.

Será que o governo Lula não podia ter pago o aparelho, salvo a vida do garoto e depois discutir com Estado e Municípios de quem seria a responsabilidade pela despesa? Será que R$ 520,00 fazem tanta falta assim ao governo federal? Será que os lençóis egípcios da residência oficial não teriam custado bem mais?

Lula se jacta de ser o “pai dos pobres”. Com um pai assim, melhor é ser órfão logo.” (...)

No artigo do excelente Carlos Brickmann, publicado no post anterior, temos a repetição de uma história macabra, a de uma saúde pública insensível à vida das pessoas. Se, antes, nossas autoridades ficaram discutindo o valor do aparelho, discussão idiota que ceifou a vida de um adolescente, de maneira estúpida e injustificável, agora, querem punir quem forneceu de graça, sem ônus algum aos cofres públicos, um medicamento capaz de sustentar vivo um garoto que nasceu com um problema grave de saúde, e que só se mantém vivo graças à caridade de um laboratório que se prontificou em fornecer o medicamento de forma gratuita, um gesto humano que nem o Estado é capaz de fazer.

Se o Estado deixa de cumprir seu dever, que seja duplamente penalizado: de um lado, que os responsáveis sejam presos e, de outro, que as vítimas sejam regiamente indenizadas. E não tem esta de “pagamento por precatório”, coisa nenhuma. É pagamento à vista, no ato. Se não há dinheiro disponível, que alguma conta do governo seja bloqueada até que se efetue a justa indenização. A justiça brasileira precisa pensar mais nos direitos dos cidadãos do que na omissão vergonhosa e assassina de um Estado irresponsável.

E um detalhe final: a troco de que, o Hospital na Paraíba rescinde contrato de 28 anestesistas sem que houvesse um plano de contingência, para não provocar lapso de atendimento? Um caso destes justifica a demissão de toda a diretoria daquele estabelecimento. Não há desculpa para tamanho absurdo. Como ainda é deplorável que, os únicos três anestesistas contratados, estivessem de folga num mesmo dia.