quinta-feira, dezembro 09, 2010

Sede do Mundial e paraíso dos cambistas

Jornal do Brasil - Editorial

Se a venda de ingressos para a decisão do Brasileiro foi um caos, como será na final da Copa do Mundo?

A conquista do Campeonato Brasileiro pelo Fluminense é, sem dúvida, merecida e incontestável. Mas, infelizmente, ela dá margem a discussões que extrapolam o campo esportivo e ganham uma conotação preocupante pelo fato de, em 2014, o Brasil ter a responsabilidade de sediar o maior evento do planeta, a Copa do Mundo. A julgar pela confusão na venda de ingressos para a partida derradeira do clube carioca no campeonato, o país terá muito trabalho, e uma batalha árdua até o mundial, no que se refere à organização do torneio internacional.

Mais uma vez, a exemplo do que já ocorrera há dois anos, quando o Fluminense decidiu a Taça Libertadores da América com os equatorianos da LDU no Maracanã, a venda de ingressos para a partida foi um caos vergonhoso. De nada adiantou a tímida intervenção do Ministério Público, recomendando ao clube transparência no processo de comercialização dos bilhetes. Novamente, o que se viu foram pessoas de todas as idades humilhadas e torturadas em filas quilométricas, enquanto cambistas e agentes de viagem ficavam com a parte do leão por debaixo dos panos.

O desrespeito do clube tricolor com sua própria torcida, pela segunda vez, foi flagrante. Assim como condenável foi o suposto procedimento policial aberto após o episódio da Libertadores. Ninguém foi preso, o clube não foi penalizado, e por isso fica fácil adivinhar as razões de tudo ter se repetido na semana passada.

Se na final contra a LDU o Fluminense acabou derrotado, o que fez a revolta dos que não conseguiram ingresso se diluir na tristeza, desta feita a conquista do campeonato mais importante do país fica manchada pela incompetência – e, claro, má-fé – da diretoria tricolor.

Também sai de campo com o uniforme manchado a Polícia Militar, que assistiu passivamente ontem, nos arredores do Estádio João Havelange, o Engenhão, à circulação dos cambistas tentando vender por até R$ 500 os ingressos negados aos verdadeiros torcedores – pessoas que estiveram ao lado do time durante toda a campanha vitoriosa e perderam o melhor da festa.

Imagine na final da Copa...