Adelson Elias Vasconcellos
Se você clicar aqui, irá acessar reportagem da Folha de São Paulo comparando o salário mínimo do Brasil com o dos demais países sul-americanos. Vejam o mapa abaixo e tirem suas conclusões. Se, antes do aumento proposto pelo governo Dilma Presidente, o valor já era indecente, agora a coisa ficará ainda pior. E não apenas por conta do baixo valor, mas porque o confisco, conforme provei aqui, vai continuar. Lula, ao assumir em 2003, encontrou uma tabela de isenção do imposto de renda na fonte superior até cinco salários mínimos. Ao entregar a faixa presidencial para Dilma, a tunga já era de apenas 2,87 salários mínimos. Isto é vergonhoso, e põe por terra os tais ganhos reais de que se gabou ao longo de seu mandato.
Ganhos reais, conforme as estatísticas demonstram de forma clara e indiscutível, foram os do governo FHC, quando as correções foram reais sem que, por outro lado, a tabela do imposto de renda comesse parte do ganho.
Muito embora não leve muita fé neste joguinho de cena das centrais sindicais, até porque fosse outro governo que não o do PT e, muito provavelmente, elas já teriam posto o bloco na rua, há, contudo, uma declaração do Paulo Pereira da Silva, presidente da Força Sindical com a qual concordo plenamente. É esta: “Como sindicalista, dá até vergonha de ir para a rua e dizer para o trabalhador que esta briga toda é por apenas uma diferença de R$ 15 por mês, R$ 0,50 por dia.”
Com efeito, a sacanagem que se pratica contra os trabalhadores é um destes absurdos sem razão de ser. Fica difícil justificar esta merreca de aumento quando, poucos dias antes, o próprio Congresso se autoconcedera um aumento superior a 60% para uma inflação de 6%. É bom lembrar que, fruto desta indecência, imediatamente as Assembleias Legislativas e Câmaras de Vereadores, dada a proporcionalidade salarial, retumbaram os mesmo imorais aumentos para deputados e vereadores. É um escárnio sob qualquer ponto de vista.
As famílias de baixa renda amargaram o pior cenário inflacionário em sete anos para um mês de janeiro. O Índice de Preços ao Consumidor - Classe 1 (IPC-C1) saltou de 0,86% para 1,40% de dezembro para janeiro, pressionado por alimentos in natura mais caros, reajustes em mensalidades escolares e em tarifas de ônibus urbano.
O indicador mede a inflação sentida por famílias com ganhos mensais de até 2,5 salários mínimos. A inflação da baixa renda também foi mais forte do que a sentida por famílias com renda maior, de até 33 salários mínimos mensais, que subiu 1,27% em janeiro, pelo Índice de Preços ao Consumidor - Brasil (IPC-BR).
Outro aspecto é que os gastos aumentaram R$ 282 bi no governo Lula, e tal insanidade foi cometida com o único propósito de Lula eleger sua sucessora. Por que cargas d’água é nas costas do trabalhador que a conta será empurrada? Quem bancou a irresponsabilidade que agora arque com as consequências, e não aqueles que, de fato, são os que trabalham e produzem. Por que Executivo, Legislativo e Judiciário não promovem cortes em seus gastos, como o palacete de luxo do Tribunal Superior Eleitoral, obra faraônica de mais de 500 milhões para abrigar meia dúzia de magistrados? Ou o Senado com sua gastança desenfreada, com milhares de vagabundos ancorados nas tetas do governo, para assessorar apenas 81 senadores?
Não há uma única justificativa para o salário mínimo no Brasil continuar a ser mínimo, e se a desgraça ainda fosse pouca, ainda ter que pagar imposto de renda na fonte,a partir de pouco mais de dois salários.
Que o governo promova uma racionalidade em seus gastos, grande parte deles inúteis e sem benefício algum para a população, corte parte dos mais de 20 mil cargos de confiança, com salários estratosféricos, apenas para abrigar apadrinhados da classe política, sem serventia alguma e cuja falta não seria sequer percebida para o funcionamento da máquina pública. Ou será decente o senhor José Sarney defender o mínimo em R$ 545,00 com reajuste da tabela do imposto de renda na fonte em ridículos 4,5%, tendo, na última semana, autorizado a reserva de recursos no orçamento da ordem de R$ 64 mil para a compra de produtos de açougue, frios e frutas in natura para sua residência. Será que o o alto salário que recebe acompanhado e inúmeros outros privilégios, não basta para comprir sua própria comida?. E as compras para a residência do presidente do Senado não param por aqui. Outros R$ 5,1 mil foram programados para garantir a limpeza da casa. Ou seja, o trapaceiro sequer limpa sua residência às próprias custas. Querem mais um pouquinho da imoralidade? A Secretaria do Superior Tribunal de Justiça autorizou a compra de 7 m² de couro de porco para encadernação, na cor natural. A aquisição será para o laboratório de conservação. Tais gastos são minúsculos quando comparados ao restante de dinheiro público jogado no ralo.
É lógico que com gastos astronômicos sem a menor necessidade, faltará dinheiro para o essencial, ou seja, para os trabalhadores que, num governo decente, deveriam ser prioritários na lista de gastos.
Por onde quer que se olhe, é incompreensível e injustificável a posição inflexível do governo Dilma em não avançar no reajuste que já propôs. Das mesma forma, fica totalmente inadequado o novo slogan criado pela gentil senhora para seu governo, "país rico é país sem pobreza". Não há pobreza que acabe com a classe política ganhando rios de dinheiro às custas da miséria dos verdadeiros trabalhadores que, além de suportarem praticamente 40% de carga tributária nas costas, precisam aguentar o assalto de seus salários insignificantes serem taxados com imposto de renda numa faixa ridícula de 2,87 apenas de isenção.
País rico, senhora Dilma, não é apenas um país sem pobreza econômica, coisa impossível de se evitar com o salário vil que se pretende pagar aos trabalhadores. É também sem pobreza moral por parte do Estado, é sem pobreza nos serviços públicos indignos que este mesmo Estado oferece e, sobretudo, é sem pobreza ética dos governantes que se locupletam à custa da miséria de seu povo.
Digam o que disserem, mas manter o salário no nível em que se encontra, não se trata de nenhuma ação responsável com as contas públicas. Estas se encontram em desequilíbrio não é por conta dos salários miseráveis que são pagos. É fruto de muitas outras fontes milionárias que são verdadeiros desperdícios de dinheiro público, sem contar a corrupção que grassa de forma incontrolável de norte a sul. Infelizmente, todos sabem mas poucos tem coragem de vir a público dizer e assumir esta verdade.
Além disto, e se já não os bastassem, o tal acordo firmado por Lula com as centrais, e sobre o qual o governo Dilma teima em querer respeitar, foi firmado em condições totalmente diversas das atuais. Foi antes da crise financeira internacional, não havia perigo de desequilíbrio fiscal e o dragão inflacionário não estava falando grosso como agora. Assim, ceder um pouco em favor daqueles que tem carregado o país nas costas, não vai doer nem um pouco. Pelo contrário. Será um reconhecimento justo. Até porque não se pode falar e encher a boca com “justiça social” quando se pratica uma brutal extorsão nos salários dos mais necessitados. Já disse aqui e proponho novamente: só se justifica que o governo mantenha os R$ 545,00 para o salário mínimo se, em contrapartida, recuperar parte da correção da tabela do imposto de renda na fonte, ampliando a faixa de isenção para algo em torno de 4 salários mínimos por exemplo. Até porque quem reduziu esta faixa foi o governo do PT que, ironicamente, se chama de partido dos trabalhadores. Porém, com a posição inflexível de agora, melhor seria chamar-se de partido contra os trabalhadores.
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