Gabriel Castro, Veja Online
Um mês após a tragédia na região serrana do Rio de Janeiro, rede integrada de prevenção a desastres não recebeu um centavo do governo
Um mês depois da tragédia que deixou mais de 800 mortos na região serrana do Rio de Janeiro, o Ministério de Ciência e Tecnologia ainda procura um lugar para instalar a sede do Sistema Nacional de Alerta. O projeto de uma rede interligada que pudesse agilizar a prevenção de temporais com potencial destrutivo não é novo, mas voltou a ganhar importância com o desastre. A presidente Dilma Rousseff determinou a criação de um grupo interministerial, comandado pela pasta de Ciência e Tecnologia, para integrar e modernizar a rede atual - que, na verdade, não passa de radares meteorológicos espalhados pelo país, com pouca integração entre si.
Mas, um mês depois do desastre fluminense, pouca coisa avançou. O ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, já disse que a implementação do sistema deve demorar quatro anos. Antes disso, em até um ano, os radares já existentes deveriam estar funcionando de forma integrada. E as principais áreas de risco deveriam ser mapeadas pelo governo federal (até hoje, isso é tarefa apenas de estados e municípios).
O ministério ainda busca, no entanto, uma resposta do Planalto a respeito dos recursos que terá à disposição para iniciar a empreitada.E, se já não havia perspectivas claras a respeito de quando o sistema seria lançado, o corte de 50 bilhões de reais no Orçamento anunciado pelo governo na última semana torna ainda mais incerto o futuro do programa - que nem sequer aparece na previsão orçamentária para 2011.
Os 25 radares meteorológicos existentes no Brasil têm manutenção precária. Em grande parte, graças à falta de funcionários. Serão necessários ao menos mais 15 radares para colocar de pé o sistema nacional. Também faltam pluviômetros, para acompanhar a intensidade das chuvas no país. A rede integrada de acompanhamento meteorológico deve ser comandada por um megacomputador, o Tupã, que já é utilizado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
O Conselho Nacional de Defesa Civil, que não aprova uma resolução há seis anos, voltou a se reunir depois da tragédia e também retomou as discussões sobre um sistema integrado que diminua o poder devastador dos temporais durante o verão.
Faltam, no entanto, uma estrutura adequada e a garantia de que haverá recursos para a manutenção dos equipamentos. Um mês depois da tragédia na região serrana, os sinais vindos do governo não permitem concluir que as mortes não se repetirão nas próximas chuvas de verão.