domingo, julho 03, 2011

A principal e rara virtude de Itamar: ser um político honesto

Adelson Elias Vasconcellos


O título acima que deveria ser uma regra, um elemento indispensável ao perfil de qualquer político, brasileiro ou não, infelizmente quando presente, acaba sendo exceção, razão porque acaba sendo enaltecida em figuras como a do ex-presidente Itamar Franco, morto aos 81 anos. É lugar comum que pessoas destacadas da sociedade, recebam como homenagem, ao morrerem, a pecha de que “pessoas como ele/ela farão falta ao país”. Nunca o lugar comum serviu tão bem e convenientemente como no caso do ex-presidente. Sua presença num Senado enlameado até a alma pela presença de trastes como Sarney, Renan, Jucá dentre tantas outras porcarias, fazia a diferença entre a estupidez e a racionalidade. Por vergar a linha de caráter que o caracterizou na atividade pública, Itamar era uma voz que fazia calar qualquer um, impunha respeito, justamente pela moral que lhe ressaltava da personalidade. E quem tem moral se impõem, com naturalidade, sem precisar berrar ou dar socos na mesa.

Para uma oposição, já tão fragmentada pelas vaidades e arrogância de muitos, Itamar fará falta para se impor contra a idiotia que tomou conta do Legislativo como um todo, onde um Senado que deveria se destacar pelo equilíbrio, pela sensatez, até pela sabedoria e experiência, mas que dia a dia mais se torna um boteco de imbecis e oportunistas, politiqueiros de quinta, a presença de alguém do naipe de um Itamar Franco faria a diferença e permitiria que o país ainda pudesse revolver-se em torno do debate imbecil que tomou conta de todas as esferas políticas.

Muitos escreverão sobre a biografia de Itamar, sua importância para o divisor de águas que permitiu ao país modernizar-se e retomar seu desenvolvimento natural. Assim, prefiro destacar aquilo que em Itamar era o diferencial dentre tanta inutilidade política, o caráter firme, forte e reto de um homem público que viveu o Brasil, para o Brasil sem, contudo, dele servir-ser de forma egoísta e criminosa.

O exemplo de Itamar bem que poderia frutificar para as novas gerações que guiarão a política nacional. Seria um impulso e tanto. Porém, infelizmente, tem sido a coisa ordinária e rasteira praticada pelas oligarquias do tipo Sarney ou de ratazanas oportunistas e egoístas de ocasião, aquelas figuras toscas que se movem nos subterrâneos da política para auferirem proveitos exclusivos, o que parece vingar com maiaor frequencia. Não servem ao país, antes, dele se servem para amealhar a riqueza que não lhes pertence, por ser patrimônio do povo que neles confiou o voto. A falta de um Itamar Franco conta muito mais, portanto, do que a presença de uma dúzia de sarneys, renans e jucás que, afastados da vida pública, não fariam falta alguma. Pelo contrário: a presença de gente como eles, apenas enxovalha a política e contribui decisivamente para a regressão dos costumes e degradação dos serviços. Dolorosamente, parece que esta raça se procria com espantosa facilidade. Como seria ótimo se fosse o contrário...