quarta-feira, fevereiro 15, 2012

Cortes no Orçamento e políticas sociais

Adelson Elias Vasconcellos

Na edição de hoje, tratamos de um tema que é recorrente neste blog: educação. Abordamos muita coisa, não tudo claro, mas alguns pontos que são, igualmente, importantes. 

Pois bem, ao final, deixamos claro que para o governo educação não é a prioridade que ele troveja no discurso. Pelo contrário, é apenas uma ferramenta de doutrinação com vistas a um projeto de poder permanente.  

Nem precisei esperar para constatar o quanto minha conclusão está correta. Hoje, ao anunciar um tesourada de 55 bilhões no orçamento de União, o ministro Mantega apontou quais ministérios terão suas verbas cortadas. Dentre outros, Educação e Saúde. O impressionante foi o ministro afirmar que as políticas sociais e os investimentos não serão atingidos. 

Ora, quem foi que disse que Educação e Saúde não são programas sociais? Santo Deus, a saúde pública que vai de mal a pior, não sai da UTI, foi a que sofreu o corte maior. Que esperança pode a população ter em relação a um serviço público tão essencial? E se a Educação é, como quer fazer crer o governo,  sua prioridade maior, como justificar quase dois bilhões a menos em seu orçamento, num imenso país de iletrados? Sabem aquelas milhares de creches prometidas mas que teimam em não sair do papel? Vão continuar apenas na promessa. 

Vou retornar ao assunto em outro post, é claro. Principalmente para avaliar algumas incongruências proferidas pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. 

Tentando se justificar, o ministro disse que a tesourada garantiria o aumento dos investimentos. O mesmo discurso ele desenrolou em 2011 ao anunciar um corte de 50 bilhões. E como veremos amanhã, os investimentos foram o único item que não teve aumento nenhum. Até pelo contrário. Tem muita obra que, ou parou de vez, ou anda tão devagar que mais parece não acontecer nada. 

Mas fica o registro: educação e saúde, ao contrário do que pensa o governo, são sim políticas sociais das mais relevantes, mais do que qualquer bolsa família. E, definitivamente, a educação não se tornou ainda prioridade coisa alguma. Como sempre afirmei, mais do que discurso, o que me interessa são os atos dos governantes e os resultados que destes atos emanam. Em onze anos de petismo, tanto a educação quanto os demais serviços públicos continuaram a ser serviços de quinta categoria -  bem baratinhos - contra uma tributação de primeiro mundo que pesa sobre a sociedade de modo infame. Adivinhem com quem fica o lucro?