Comentando a Notícia
Era comum, ao tempo da antiga União Soviética, a manipulação de fotos em que, aqueles que se tornavam inimigos do poder, serem apagados posando ao lado dos líderes do regime e, uma nova versão, sem seus rostos, serem divulgadas. Há muitos casos deste tipo que o leitor, pesquisando na internet, encontrará com facilidade.
Ontem, o texto com que encerramos a edição, tecemos uma longa crítica a recém empossada Secretária de Políticas para a Mulher, Eleonora Menecucci, quando disponibilizamos uma entrevista concedida por ela e que estava disponibilizada no site da Universidade Federal de Santa Catariana. Dada a repercussão negativa, a entrevista foi “apagada”. A isto, na escola em que pessoas honestas e de espírito democrático se formaram, se chama censura.
Mas, claro, sabemos como os petistas agem, e nos resguardamos tanto quanto a entrevista quanto ao link de acesso. Portanto, por mais que o governo arbitre sobre o que devemos ler ou não, a entrevista da dona Eleonora, a que autointitulou avó do aborto no Brasil – arre!!! – vai acompanhá-la por onde passar.
Este método – apagar do passado fatos e fotos que incomodam o partido - a gente poderá constatar na recém criada “comissão da verdade”, em que as esquerdas tentarão, a qualquer custo, recontar do seu jeito torto e mentiroso a recente história do país, ou, mais precisamente, os tempos da ditadura militar. Tentarão emplacar para os brasileiros, principalmente para as novas gerações, aquelas que foram poupadas daqueles anos horríveis, a imagem de intransigentes defensores da democracia quando, na verdade, seu objetivo de luta era outro. Tentaram derrubar a ditadura militar sim, mas para substituí-la por uma comunista. Não é coincidência seu verdadeiro fascínio pela ditadura cubana. Se pudessem, importariam para o Brasil todo o horror que lá existe.
Pois bem, o país assiste meio constrangido, a demissão de sete ministros contra os quais são fortes as evidências de corrupção e tráfico de influência. E isto em apenas 13 meses de mandato. Um recorde quiçá mundial. As quedas se deram sempre por pressão da sociedade, e nunca por iniciativa da presidência que os nomeou. Pelo contrário. Dilma tentou e fez o que pode para não demiti-los. Mas, diante da paralisia de seu governo, obrigou-se a agir e desfazer-se de seus “diletos” colaboradores. A exceção de Palocci, o primeiro da fila, todos os demais eram de partidos da base de apoio do governo. E, sempre que novas acusações e suspeitas se levantavam contra petistas com assento no poder, dona Dilma levanta muros infindáveis para impedir que explicações sejam dadas e investigações sejam conduzidas.
Especificamente me refiro ao atual ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, amicíssimo da presidente, e seu colaborador da primeira hora. No Congresso, o rolo compressor de acobertamento de crimes, comandado pelo Planalto, funcionou a contento para evitar a convocação do amigo a ter que se explicar sobre suas "consultorias" . Quando se pensava que a sujeira seria, mais uma vez, jogada para debaixo do tapete, eis que a Comissão de Ética da Presidência surpreende-nos com a abertura de processo para investigar as condutas pouco republicanas do senhor Pimentel.
E como fazer para que tudo fique como está e o amigo não seja investigado ou o processo resulte em nada? Simples: troca-se os membros da comissão e nomeia-se quem se alinhar ao princípio da impunidade.
Não adianta: esta turma pode até se vestir com o manto mais sagrado que encontrarem para se passarem por democráticos e respeitadores do estado de direito. Mas na alma desta tropa, o ódio à democracia e à verdade são valores imutáveis, está impregnado em seu DNA. Dilma admite, mesmo que contrariada, mudar qualquer um de seus ministros, menos aqueles de sua cota pessoal, apesar de salafrários à última gota.
O texto é de Tânia Monteiro e Vera Rosa, para o Estadão:
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Por Pimentel, Dilma vai trocar cinco membros da Comissão de Ética
A abertura de processo pela Comissão de Ética Pública da Presidência contra o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, deverá precipitar a troca de cinco dos sete integrantes do órgão no meio deste ano, quando terminam os mandatos. A postura da comissão contrariou novamente a presidente Dilma Rousseff, responsável pela decisão de trocar parte dos integrantes.
Três dos conselheiros poderiam ser reconduzidos, mas o Planalto está determinado a trocá-los. O presidente da comissão, José Paulo Sepúlveda Pertence, no entanto, não será atingido pelas mudanças. O mandato de Pertence só vencerá em dezembro do ano que vem, quando ele deixará a comissão porque já foi reconduzido.
A exemplo do que ocorreu no ano passado, quando a comissão abriu processo contra o ex-ministro Antonio Palocci, Dilma foi “surpreendida” com a abertura da sindicância contra Pimentel, outro ministro muito ligado a ela. A presidente entende que a comissão está “extrapolando” em suas funções ao tomar decisões contra seus ministros, na avaliação dela apenas com base em denúncias de jornais, sem uma apuração concreta.
Na segunda-feira, apesar de integrantes do governo tentarem saber a pauta da reunião, a comissão não repassou a informação, irritando auxiliares da presidente, principalmente quando viram o teor da decisão, já tarde da noite. O Planalto entende que Dilma precisava ser avisada de decisões tomadas pela comissão, antes que elas fossem repassadas à imprensa. Essa queixa já havia sido feita à comissão em dezembro, quando o colegiado, em decisão inédita, recomendou à presidente que demitisse o ministro do Trabalho, Carlos Lupi.
A postura de Pertence de não querer informar sobre decisões de abertura de processos de ministros e autoridades do governo à imprensa foi motivo de discussão entre os integrantes do grupo em reuniões anteriores. Na segunda-feira, primeiro Pertence negou, em entrevista, que qualquer procedimento tivesse aberto. Somente mais tarde confirmou a notícia à imprensa. Apesar da decisão de investigar Pimentel, o fato de ele estar viajando para os Emirados Árabes ajuda a deixar o caso esfriar.