quarta-feira, fevereiro 15, 2012

Em algum lugar do passado

Carlos Brickmann, Brickamnn & Associados Comunicação

Enquanto ministro da Educação, morando em Brasília (e recebendo para isso o auxílio-moradia), com a esposa trabalhando em Brasília, com o filho matriculado numa escola de Brasília, Fernando Haddad viajou todas as semanas a São Paulo em jatinhos do Governo - ele e a família. Às vezes, em companhia de outros ministros; às vezes, ele e a esposa, sozinhos, num jato de 45 lugares.

É tudo legal, diz o ministro. Mas não é este o tema que se discute: isso cabe aos foros competentes, juizes, advogados e promotores que conhecem as leis e debaterão se é ou não legal (e, imagina este colunista, deve ser, já que foi tudo feito abertamente, à vista de todos). O problema é a explicação de Haddad: os aviões precisam completar um determinado número de horas de voo (é verdade), as tripulações precisam também cumprir seu tempo de voo, e as viagens de ministros para o fim de semana são, portanto, de graça. Usam a capacidade ociosa dos aviões e de suas tripulações, que voariam de qualquer jeito. 

Este colunista tem uma pergunta, conta uma história e faz outra pergunta.

Pergunta 1: por que não viajar em voo comercial, misturado a gente comum? 

A história: nos tempos da ditadura militar, os ministros do Governo Médici não gostavam da carne de Brasília. Mandavam buscar os cortes mais macios de gado europeu no Rio Grande do Sul, nas asas da FAB. E diziam aproveitar as horas de voo obrigatórias das aeronaves e de suas tripulações.

Pergunta 2: oito governos depois, 40 anos depois, e a desculpa é a mesma?

Explicar o quê?
O deputado federal Gabriel Chalita sempre ostentou seus dois mestrados, seus dois doutorados, seus mais de 60 livros publicados (e ainda dá aulas em três universidades paulistanas). Uma parte do milagre da multiplicação do tempo acaba de ser explicada: uma de suas teses de mestrado é, quase integralmente, cópia da tese anterior. O autoplágio é legal, ilegal? Os doutos que discutam este tema. 

O curioso, como no caso anterior, é a explicação (desta vez o autor da pérola de sabedoria é o secretário do Meio-Ambiente de São Paulo, Bruno Covas): "Trata-se", disse, "de uma questão privada". Questão privada para quem, cara-pálida? Há cargos privativos de quem defendeu teses de mestrado. Se a tese for irregular, não faz mal? Então, para que exigir a defesa de tese?

Um, dois, três
Agora, a parte mais reveladora do que é a política brasileira. Fernando Haddad, o dos jatinhos, é o candidato do PT à Prefeitura de São Paulo. Gabriel Chalita, o das teses, é o candidato do PMDB à Prefeitura de São Paulo. Bruno Covas, o da explicação esdrúxula, luta para ser candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo. E este colunista mora em São Paulo.

É com esse que não vou
Não leve a sério a tal rebelião do PMDB contra o Governo, que se manifestaria na devolução dos cargos ocupados pelo partido. Rebelião pode haver; reclamações, já há. 

Devolução de cargos, justo pelo PMDB, não haverá.

Samba no pé
Quando começa o Carnaval? Errou, caro leitor: só se for o seu. O Carnaval do Congresso já começou. A Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, marcada para terça, 14, nem se instalou, por falta de número. Na Câmara, também na terça, 14, a Comissão de Meio-Ambiente não conseguiu votar nada, pelo mesmo motivo. O Repouso Democrático já está em vigor no Parlamento.

Caiu na rede
O deputado federal Jair Bolsonaro, do PP, foi flagrado em pesca proibida pertinho da Ilha da Samambaia, na Estação Ecológica de Tamoios, em Angra dos Reis. Tentou uma carteirada, não deu: a fiscalização do Ibama o autuou e multou. Entrou então em contato com o ministro da Pesca, Luiz Sérgio, do PT fluminense, prometendo doar os 50 quilos de peixe que havia capturado à população carente de Mambucaba. Não adiantou. 

E, como Sua Excelência estava num dia de azar, a informação ainda caiu nas mãos de um importante jornalista, Aziz Ahmed, do Jornal do Commercio do Rio, cuja coluna é a fonte desta nota.

Duas boas notícias
Ana Amélia Lemos, do PP gaúcho, que estreou na política na atual legislatura e já é uma das senadoras mais importantes da Casa, está sendo cogitada para a disputa do Governo do Rio Grande do Sul. Tem campo para crescer: é conhecida (comandou por muitos anos um programa de TV de boa audiência), articulada, simpática, conhece os problemas do Estado e jamais foi acusada de participação em qualquer tipo de, para usar a linguagem de Dilma, "malfeito".

A segunda boa notícia é que, se Ana Amélia mantiver seu ritmo de crescimento, Tarso Genro será obrigado a exercer suas funções de governador.

Limpeza geral
A Câmara dos Deputados pagou R$ 5.400 reais pela faxina em 48 imóveis funcionais - aqueles cedidos a parlamentares no exercício do mandato. 

Parece caro, mas com certeza não é: imagine o caro leitor a quantidade de sujeira acumulada que precisou ser retirada. O aterro sanitário deve estar lotado!