Comentando a Notícia
Em texto de Rafael Moura e Tânia Monteiro para a Agência Estado, leiam a seguir, a declaração “revolucionária” de Dilma Rousseff, após ter sido informado pelo pífio desempenho da economia brasileira no primeiro semestre. Voltaremos depois para comentar.
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Uma nação não é medida pelo PIB, afirma Dilma
Para a presidente, Brasil será um país desenvolvido quando todas as crianças e seus jovens tiverem acesso à educação de qualidade
BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff afirmou na manhã dessa quinta-feira que a grandeza de uma nação não é medida pelo Produto Interno Bruto (PIB), mas pelo que faz pelas suas crianças e adolescentes. "Uma grande nação deve ser medida por aquilo que faz para as suas crianças e adolescentes, não é o PIB, é a capacidade de o País, do governo e da sociedade de proteger o seu presente e o seu futuro", discursou Dilma, diante de uma plateia formada, na maioria, por adolescentes, durante a 9ª Conferência Nacional dos Direitos da Criança e Adolescente.
"O Brasil durante muito tempo conviveu com uma situação lamentável e terrível, ser um país com tantas riquezas, formado por um povo tão solidário, mas que uma parte imensa da sua população estava afastada dos direitos e, sobretudo, dos benefícios dessas riquezas e de tudo que esse país pode produzir", afirmou.
Dilma destacou programas do governo federal, como o Brasil Carinhoso e o Bolsa Família, prometendo aumentar - até o final de 2014 - de 33 mil para 60 mil escolas o número de escolas de ensino fundamental e médio que tenham dois turnos.
"Vamos disputar o que é a economia moderna, que é a economia do conhecimento, aquela que agrega valor, a internet, as tecnologias de informação. Esse país vai ser um país desenvolvido quando todas as crianças e seus jovens tiverem acesso à educação de qualidade", afirmou.
"Lugar de criança e adolescente é na creche e na escola, num ambiente seguro, é nas escolas técnicas, é nos campos esportivos, é em todas as manifestações artísticas, é sobretudo em um ambiente seguro, livre da miséria, da violência e dos abusos."
No encerramento do discurso, a presidente manifestou apoio à candidatura do brasileiro Wanderlino Nogueira Neto ao Comitê de Direitos da Criança da ONU. Dilma deixou o Centro de Convenções Ulysses Guimarães, local do evento, sem falar com a imprensa, evitando comentar a redução da taxa Selic, definida ontem pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.
***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Por PIB – Produto interno bruto, entende-se a soma de toda a riqueza por um país. É um indicador que afere a atividade econômico de um país, um estado, um município, uma região. É através dele que podemos mensurar a direção que o país está tomando em termos de crescimento.
Dilma resolveu inovar. Disse que uma grande nação não se mede apenas pelo tamanho do PIB. Preferiu resvalar pelo imensurável, pela fantasia, pelo delírio. Preferiu aconchegar o discurso ao ambiente e aos ouvintes da plateia já que se tratava de uma solenidade em nome de crianças e adolescentes. De fato, visto sob certa ótica, a presidente está certa: uma grande nação não se mede apenas pelo tamanho do PIB. Vejamos, então:
a.- Que tal pelo tamanho geográfico? Neste caso, o Brasil é sim uma grande nação.
b.- Que tal pelo tamanho da população? Neste caso, o Brasil também é uma grande nação.
c.- Que tal pelo IDH, índice de desenvolvimento humano? Neste caso, em que posição no ranking se situa o Brasil?
d.- A presidente falou em preocupação com suas crianças e adolescentes. Claro, isto é um fato que ninguém discute. Mas, então, qual o índice de mortalidade infantil? E qual a quantidade de crianças em trabalho infantil?
e.- Crianças e adolescentes merecem cuidados especiais, certo presidente? Então, neste caso, imaginamos que a educação deva ser a prioridade número um em seu governo. Pois bem, quanto percentualmente o Brasil investe em educação? E comparativamente, como nos colocamos neste ranking em relação aos demais países?
f.- E já que falamos em educação, como ficaram nossos alunos no último teste de avaliação internacional?
Presidente Dilma: apenas pelos indicadores acima, tirando a geografia e a população, no restante nosso país aparece na rabeira de qualquer dos rankings citados. Acredite, o Brasil pode até ser um grande país, mas ainda não é uma grande nação qualitativamente falando. O caminho até lá é muito longo, e vai depender muito do que a gente investir hoje para melhorar os indicadores acima. E, neste sentido, perdoe-me presidente, mas seu governo não consegue sair da promessa, por mais entusiasmo com que é revestida.
Discurso não prova coisa alguma, o que conta são resultados e, neste campo, estamos muito longe. Creio que durante a campanha eleitoral a senhora deva ter percorrido alguns dos grotões brasileiros e deve ter constatado o muito de miséria, pobreza e indigência que ainda temos para ser vencido até transpassar as fronteiras de um país subdesenvolvido para o de nação desenvolvida. No gogó ninguém vence esta barreira. Assim, aceite a sugestão: menos discurso ufanista, e mais trabalho naquilo que realmente interessa.
E, faça um favor a si mesma: não tente reinventar a roda. O PIB é um indicador econômico valioso, e dentre outros, serve sim para aferir uma grande nação. Por mais que se desgoste do resultado que, de fato é ridículo, o primeiríssimo passo para mudá-lo, melhorando o indicador de acordo com as potencialidades do país, é dar a ele a dimensão de importância que ele merece. E, a partir daí, presidente, trabalhar para elevar o mau resultado. Porque ninguém terá futuro melhor se o país não crescer e este crescimento é justamente medido pelo PIB.
E já que a presidente se preocupa tanto com o “bem estar social e o futuro das crianças e adolescentes (mais demagógico só mesmo os discursos de Lula), não deixe de ler e conferir a situação das universidades federais, sem futuro nenhum no estado em que se encontram.. Aqui.