Wladimir D'Andrade
Agência Estado
No semestre, contudo, setor fecha com a criação de 31 mil postos de trabalho
SÃO PAULO - A indústria paulista fechou 7 mil vagas em junho deste ano, informou nesta quinta-feira a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Com isso, o nível de emprego no setor caiu 0,39% na série com ajuste e 0,27% sem ajuste sazonal. Trata-se do pior resultado da série desde 2006 para o período, com exceção do ano de 2009, marcado pelo início da crise internacional. De acordo com a entidade, o resultado de junho só não foi mais desastroso por conta do saldo positivo registrado no setor de açúcar e álcool.
Em relação ao mesmo mês de 2011, a Pesquisa de Nível de Emprego da indústria da transformação paulista registrou 86 mil demissões.
No semestre, a indústria paulista fecha com a criação de 31 mil postos ante o mesmo período de 2011. Dos 22 setores nos quais a Fiesp divide a indústria paulista, 12 demitiram, oito contrataram e dois permaneceram estáveis em junho.
O diretor da Fiesp, Paulo Francini, que na divulgação do mês passado havia esboçado uma esperança de recuperação nas contratações da indústria, voltou a desanimar com os dados de junho."Buscamos indícios de que haverá uma recuperação no segundo semestre, mas infelizmente não estamos vendo isso",afirmou.
A Fiesp projeta que o nível de emprego encerre 2012 com queda de 2,3%. "Mas para isso vamos precisar de uma retomada da indústria, porque atualmente a queda está em 3,19% (em junho ante junho de 2011)", ressaltou.
Para Francini, as condições macroeconômica do País "caminham na direção certa", com recuo da taxa Selic, que ontem caiu para 8% ao ano, e câmbio mais favorável. "Mas o mundo segue de cara feia", disse em referência ao peso da crise econômica internacional, "e o 'espírito animal' parece assustado", complementou, citando o chamado de Dilma Rousseff para que as empresas reforcem os investimentos.
Incertezas
A presidente Dilma Rousseff tentou amenizar as preocupações em relação ao crescimento do País nessa quinta-feira. Ela afirmou que a grandeza de uma nação não é medida pelo Produto Interno Bruto (PIB), mas pelo que faz pelas suas crianças e adolescentes. Contudo, as perspectivas econômicas seguem cada vez mais pessimistas.
Ontem, o presidente do Goldman Sachs Asset Management, Jim O'Neill, criador do termo Brics (que reúne Brasil, Rússia, Índia e China), afirmou que a posição do Brasil no grupo pode ser questionada se o crescimento econômico do País não acelerar nos próximos anos.
Em 2001, O'Neill criou o termo Bric, ao identificar os países que seriam as potências econômicas do futuro. Agora, ele afirma que para manter esse status o Brasil precisa melhorar sua taxa média de crescimento. "O que acontecerá em 2012, em termos de crescimento do PIB, não é tão crucial. Mas nesta década o Brasil precisa recuperar uma taxa de crescimento mais forte rapidamente. Se isso não acontecer, então o poder do B no termo Bric começaria a parecer um pouco questionável", afirmou.