Adelson Elias Vasconcellos
O artigo do Carlos Alberto Sardenberg de ontem, o segundo da série Custo Lula, praticamente resume todas as críticas que temos feito aos governos petistas – sim, Dilma além de petista incorre nos mesmos erros de seu antecessor – e a maneira estúpida como vem conduzindo a economia brasileira.
Além da imbecilidade de apelar ao empresariado brasileiro por um patriotismo que nada mais é, em tempos globais e de competição acirrada, do que assinar o próprio atestado de falência. Isto é provinciano demais para um país com as riquezas que temos e uma economia pujante e solidificada como a nossa.
Ou seja, o governo petista governa o Brasil em 2012 como se estivéssemos ainda na década de 50 do século passado. O resultado não poderia ser pior: a dura batalha das nossas indústrias durante três décadas para conquistar mercados internacionais está sendo solapada por uma visão medíocre do que seja a economia moderna.
Seria interessante que o PT fizesse uma radiografia pormenorizada dos erros e acertos na condução da economia brasileira ao longo da ditadura militar. Houve erros sim, mas também houve acertos, pelo menos para aquele exato momento. Copiar o modelo em condições completamente diversa, é apostar firmemente no azar, isto é, é andar a passos largos para o abismo. E é justamente o que estamos assistindo no repeteco de Dilma em insistir no “produto nacional” cuja competitividade foi totalmente anulada pela ingerência e desacertos de um governo que não tem política industrial, que alimenta perigosamente um desequilíbrio fiscal, que toma decisões não confiáveis para induzir o crescimento do país, e que se nega terminantemente em encaminhar propostas concretas para produzir as reformas estruturais tão necessárias quanto urgentes.
Por onde olharmos, buscando vislumbrar um horizonte esperançoso para o Brasil sair da pasmaceira econômica em que se encontra, vemos a inércia, a omissão do governo federal, o improviso e tudo isto conduz a uma total insegurança, na perda da confiança na autoridade econômica quanto à sua competência em dar respostas adequadas para os problemas presentes. E todas as soluções, sejam de curto, médio ou longo prazo, dependem, exclusivamente, do governo federal.
Alguém poderá alegar que as críticas que fazemos não tem nada a ver, uma vez que o governo está bem cotado junto à população. Bem, nem vou brigar com os números tampouco com as pesquisas. O fato é que algo de muito errado está acontecendo: enquanto a governante é bem avaliada, os serviços públicos que dependem justamente da ação de governar, estão abaixo da crítica. É só apanharmos os dois principais, educação e saúde, e logo descobriremos que estamos diante de um verdadeiro engodo. É como se tais serviços não tivesse relação alguma com o governo. E, no entanto, são amostragens perfeitas do quanto o governante é competente ou não. É como se os serviços fossem entes completamente desconexos. E não são. A qualidade de um depende intrinsecamente da ação do outro.
Isto se explica, primeiro, pelo baixo grau de maturidade cívica de dois terços da população, contando com uma educação de péssima qualidade e um grau de informação muito aquém do que seria necessário e razoável, para poder discernir e avaliar. Em segundo lugar, também faz parte desta equação a publicidade oficial, eivada de mentiras, de estatísticas grosseiras, manipuladas e deturpadas.
Qualquer análise que se faça para se tentar encontrar respostas para o pífio crescimento do PIB brasileiro, TODAS nos conduzem diretamente à falta de ação do governo. Qualquer pesquisa que se tente fazer para conhecermos as razões para a pouco competitividade atual das empresas nacionais, TODAS conduzem à falta de ação do governo.
Entendia a presidente Dilma e sua equipe econômica que o xororo dos empresários na questão juros, centrava todos os nossos males. Vimos que eles eram sim um problema grave, mas não o único. Aliás, estavam atrelados a todas as demais mazelas.
Era , também, uma convicção da mesma turma, que o mercado interno seria suficiente para alavancar o crescimento interno. Esqueceram de, primeiro, encarar de frente a ainda baixa renda per capita do povo brasileiro. Este limitador impõem certas barreiras para que o consumo possa, de fato, ser a mola propulsora do crescimento. Com uma renda limitada, limitada também será a capacidade para consumir, como limitada ainda será a capacidade de contrair dívidas. E é este limitador que está dificultando a expansão do PIB neste momento. Precisaríamos nos voltar para a capacidade do país em atrair investimentos produtivos, para gerar emprego e renda e expandir a massa salarial, seja horizontal, e isto os programas sociais colaboram, sejam verticalmente, pela necessidade de atrair mão de obra qualificada para a qual o valor médio dos salários tenderiam a crescer. Mas como iremos atrair investimentos produtivos com um quadro tão desfavorável?
Seja pela carga tributária absurda que é imposta e que suga cerca de 38% do tudo o que país produz, seja pelo percentual ou pela burocracia criada para as empresas apurarem e recolherem estes tributos, seja justamente pela mão de obra com pouca qualificação dado o estado caótico da educação brasileira, seja pela péssima infraestrutura que encarecem de maneira quase proibitiva o que aqui dentro se produz, seja pela legislação debiloide, principalmente na questão ambiental onde para se conseguir uma licença de instalação e operação é um suplício, verdadeiro calvário que obriga o investidor a manter engavetado seu projeto por um prazo proibitivo. Sem contar que, nestas plagas, demanda-se cerca de seis meses para regularizar uma atividade empresarial. Não, definitivamente, o Brasil é um país que, antes de atrair, acaba por afastar qualquer investidor interessado em implantar aqui uma atividade produtiva. Ah, faltou um ingrediente: a insegurança jurídica.
Uma alternativo seria a substituição do investidor privado pelo público. Mas como, se sugando 38% do PIB o governo não consegue investir mais do que 2%? Neste campo, a miserabilidade do governo chega a ser dolorosa. O noticiário está repleto de casos de obras milionárias que ficaram pelo caminho.
Por todas as questões acima, temos sido ferrenhos críticos do modo como o governo petista tem conduzido a economia brasileira. Muito improviso, reforma nenhuma, muito papo furado, muita propaganda mentirosa, e nenhum resultado prático, além de um imenso prejuízo à indústria nacional. E investir, senhores, não é criar estatais por atacado, que nada acrescentam à capacidade produtiva do país.
Reparem: durante muitos anos, os juros altos comeram toda a rentabilidade dos empresários. Para continuarem na ativa, precisavam tomar empréstimos sobre empréstimos. Mas a maldade não começava aí. O empresário era conduzido pelo próprio governo ao sistema financeiro, porque, antes, o Estado já tomara para si em impostos e contribuições escorchantes esta rentabilidade. Assim, não sobrava nada para investir em expansão, em inovação e até em giro para manter sua produção. Carga tributária alta conjugada com o pagamento antecipado de muitos destes tributos, aniquilam qualquer possibilidade do empresário sobreviver com recursos próprios. Portanto, na economia brasileira do PT somente dois agentes ganham dinheiro: o próprio estado, e o sistema bancário a quem o coitado do empresário era empurrado por falta total de alternativas de sobrevivência.
Assim, pedir sacrifícios apelando pelo apetite “animal” dos empresários como fez Mantega nesta semana, é uma brutal sacanagem, uma total falta de senso de realidade. Quem tem quer ter apetite animal para fazer sua obrigação é o governo do qual o senhor Mantega faz parte. Está na hora do governo parar de enrolação e mentiras, e começar a fazer a sua parte. O país já se prejudicou demais pela omissão criminosa de um governo que, por falta de projeto, só age no improviso. Ou seja, é preciso que o governo deixe de ser o problema, e comece a fazer parte da solução.
Greve em tempos de eleição é chantagem
Agora, até as agências reguladoras prometem parar. É impressionante como em tempos de eleições os servidores “descobrem” que ganham mal. Isto não é mais reivindicação salarial coisa nenhuma.É chantagem, e da mais ordinária. Como o governante está interessado em atrair votos, se negar o aumento pode perder capital político. Voltem no tempo e vocês perceberão que, basta aproximar-se uma eleição, e os servidores começam a fazer greves atrás de greves. Nesta hora, dane-se o país, o povo (que vê sonegados os serviços para os quais paga impostos), além do equilíbrio das contas públicas. A isso também se chama de falta de consciência. Seria oportuno que a mídia mostrasse um levantamento dos generosos aumentos concedidos por Lula, principalmente no segundo mandato, aumentos que, em alguns casos, foi superior a 100%! A única categoria que, de fato, merece ganhar aumento, é a dos professores. O país já contraiu uma imensa e histórica dívida para com estes profissionais. Está na hora de resgatá-la.
Marcha a ré
Uma das maiores preocupações do governo deveria ser a queda constante na exportação de manufaturados pelo país. Há algumas semanas atrás, o governo editou uma lista de produtos que seriam sobretaxados para defender a indústria brasileira da “concorrência predatória dos importados”, um retrocesso ao fundamentalismo econômico conhecido como protecionismo. Para tanto, gastou-se uma pequena fortuna via BC para forçar a desvalorização do real, permitindo assim maior competitividade para nossos produtos lá fora.
Agora, nova lista, desta vez de 600 produtos que tiveram seus impostos de importação reduzidos, o que representará cerca de R$ 1,6 bilhão de dólares a mais na balança comercial coluna importação. Sinceramente, fica difícil entender onde afinal o governo Dilma pretende chegar com tal medida. Nosso excedente na balança comercial que vem despencando continuamente desde 2006, poderá chegar ao negativo mais rapidamente do que se imagina. Convenhamos, não é por esse caminho que o país elevará seu PIB. Pelo contrário. E com o agravante que afetará ainda mais as já combalidas contas públicas, aumentando de maneira definitiva e perigosa nosso já alto déficit em conta corrente.
Os gigolôs do país voltam a atacar
Nota da Vera Magalhães, na Folha de São Paulo
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Deputados usarão cartões corporativos a partir do segundo semestre
A Câmara dos Deputados decidiu adotar cartões corporativos – foco de um dos maiores escândalos do governo do ex-presidente Lula – a partir do segundo semestre.
Em uma portaria assinada pela diretoria-geral da Casa, em maio deste ano, a Câmara autorizou o uso de cartão para despesas emergenciais, relações públicas e gastos em viagens internacionais do presidente, inclusive para locação de veículos e alimentação. O limite de compras será estipulado por atividade.
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São os gigolôs da Nação atacando o bolso do contribuinte mais uma vez. Será que um dia o país terá parlamentares decentes, honestos, sérios, dignos, trabalhadores responsáveis com o dinheiro que não lhes pertence?
A resposta é: basta não votar neles...