quarta-feira, agosto 15, 2012

44% das escolas públicas do Brasil não atingem meta do Ideb


Davi Lira 
Estadão.edu

Meta dos anos finais do ensino fundamental não foi alcançada em mais da metade das escolas de 14 Estados

Mais de 12 mil escolas públicas não atingiram a meta do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) nas séries finais do ensino fundamental em 2011. Esse número representa 44% do total das 28.514 escolas que foram avaliadas no ano passado. O levantamento foi feito pela Meritt Informação Educacional, empresa especializada em análise de dados públicos de educação, a pedido do Estadão.edu.

A pesquisa aponta que a meta não foi atingida em mais da metade das escolas de 14 estados brasileiros, a maioria nas regiões Norte e Nordeste. No Amapá apenas 27% das unidades públicas de ensino alcançaram o índice. Já no Estado do Mato Grosso, com a melhor situação,  81% das escolas atingiram a meta. Em São Paulo, foram 2.703 unidades (55%).

De acordo com o diretor de pesquisa e desenvolvimento da Meritt, Alexandre Oliveira, a análise dos dados do Ideb, por escola, seria uma observação mais significativa. "É muito mais profundo e detalhado analisar os dados por escola, é lá que é legitimado o espaço onde realmente a educação acontece."

Além de não crescer, 232 escolas estaduais e municipais de Alagoas tiveram um índice menor em relação à última edição do Ideb, realizada em 2009. Esse quantitativo representa 55% de todas as unidades de ensino da rede pública daquele estado. É o maior do Brasil. No país, o porcentual de decréscimo foi de 37%.

Segundo o presidente do Conselho de Governança da organização Todos Pela Educação e do Conselho Nacional de Educação, Mozart Neves Ramos, a situação é "muito" preocupante nesse nível de ensino.  "O crescimento do Ideb nos anos finais do Ensino Fundamental é muito discreto, quase não se percebe". De acordo com ele, dos resultados do Ideb 2011, quatro estados precisam de uma maior atenção. "Maranhão, Alagoas, Sergipe e Pará não conseguem avançar no processo educacional", afirma Mozart.

Para o senador Cristovam Buarque, membro da Comissão de Educação do Senado, os resultados do Ideb representam o nível de desigualdade do ensino no país. "O Ideb enquanto índice está bom, a escola é que está ruim", diz Cristovam. Ele ressalta, no entanto, que Ideb alto não significa, necessariamente, que a escola seja de boa qualidade.

Outra ponderação é apresentada pelo o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Roberto Franklin. Segundo ele, para serem válidos, os índices deveriam medir também as condições de trabalho dos professores e a situação de infraestrutura das escolas. "Muitas escolas ficam preocupadas, apenas, em melhorar o desempenho no Ideb, importando até o modelo de ensino privado”, fala Franklin.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Amanhã trataremos do resultado do IDEB com mais calma. Mas, antes precisamos registrar a patetice do ministro Mercadante, da Educação, ao afirmar que havia motivos para comemoração diante dos resultados. 

Comemorar o quê, ministro, nossa baixa qualidade? O abismo existente entre o ensino público brasileiro, e o praticado em países emergentes? Comemorar que, ao invés de avançar no ensino médio, o Brasil regrediu nos últimos anos e que, em vista, e dada a tal política de cotas, vamos jogar nas faculdades públicas ruins, um exército de estudantes semianalfabetos que, aliás, hoje já representam 38% dos estudantes universitários? 

E não apenas o baixo salários dos professores a principal causa. Há muita porcaria sendo praticada no ensino que contribui diretamente para o nosso atraso secular na área educacional. 

 Ministro, infelizmente, não há o que comemorar. A educação brasileira ainda está muito distante do século 21.