Carlos Brickmann
Brickmann & Associados Comunicação
Pois não foi meu cliente, Meritíssimos. Meu cliente é tão ocupado, tão importante, que não se preocupa com esses reles detalhes financeiros. Quem cuidava disso, data vênia, era o Dr. Fulano, responsável por recebimentos e pagamentos, e que infelizmente, para nossa tristeza, já faleceu.
Pois não foi meu cliente, Meritíssimos. Meu cliente, com a devida vênia, era um reles cumpridor de ordens, um batedor de carimbos, um joão-ninguém. Não fazia nada que não lhe fosse determinado e obedecia cegamente a seu chefe, o Dr. Sicrano, que mandava e desmandava nos assuntos relativos a finanças. Ele poderia esclarecer tudo se, por um desses acontecimentos trágicos e lamentáveis, não tivesse sido prematuramente convocado pelo Senhor.
Pois não foi meu cliente, Meritíssimos. Este Excelso Pretório há de convir, venia concessa, que meu cliente tem inequívoca aparência de cretino. E, homem transparente que é, desprovido de suficiente inteligência para disfarçar as neandertálicas características que exibe, sua fisionomia apenas demonstra que entre seus poucos neurônios jamais haverá sinapses que cretinas não sejam. É meu cliente, porém, um homem de canina fidelidade. Tudo o que lhe determinava o falecido Dr. Beltrano era por ele encarado como de inspiração divina, e ele o fazia.
Auguste Comte, o filósofo positivista, já tinha dado ao Brasil os dizeres de nossa bandeira, Ordem e Progresso. Agora nos mostra a verdade, ao menos no nosso Brasil, de outro de seus pensamentos: os mortos governam os vivos. E os muito vivos.
Nossas medalhas
O prefeito do Rio, Eduardo Paes, promete fazer em 2016 "a melhor Olimpíada da história". Será: pelo que já se gastou (e pelo que vai se gastar, que ainda não deu nem para orçar), ouro é que não vai faltar para as medalhas brasileiras.
E temos ainda a participação de José Maria Marin, um conquistador de medalhas.
A relatividade...
Relembremos a Chacina da Candelária, que emocionou o país em 1993. Homens pesadamente armados, vários deles da PM, abriram fogo contra cerca de 50 menores que dormiam perto da igreja da Candelária, no Rio. Mataram oito pessoas. Três policiais militares foram condenados a penas de 45 a 300 anos de prisão.
Fim da história: o último PM ainda preso, Marcus Vinícius Borges Emmanuel, condenado a 300 anos, foi libertado agora, após NOVE anos de prisão. Marcos Aurélio Dias Alcântara, condenado a 204 anos, foi libertado em 2010, após DOZE anos de prisão. Nelson Oliveira dos Santos Cunha, condenado a 45 anos, também está livre; mas é difícil calcular quanto cumpriu de sua pena, pois já está em liberdade condicional por outros crimes, que num só não iria ficar.
...do tempo
Por que foram libertados? Dois receberam o indulto (extinção da punibilidade), da Vara de Execuções Penais do Tribunal de Justiça do Rio. O último, libertado agora, teve o indulto negado pela Vara de Execuções Penais, pelo Tribunal de Justiça do Rio, pelo Superior Tribunal de Justiça. O Supremo consultou a Vara de Execuções Penais, que havia negado o indulto mas mudou de entendimento.
Por falar em entendimento, não peçam a este colunista que faça qualquer comentário. É preciso ser muito especializado para entender esse tipo de coisa.
O tamanho da crise
Inflação ameaçando fugir do controle. Greves infindáveis de funcionários federais. Candidato petista à Prefeitura de São Paulo cuja companhia é ostensivamente rejeitada até pela líder maior do partido. O PCdoB, aliado preferencial, querendo saber cadê o dele. Mas a crise deve ser ainda maior, já que o Governo Federal recorreu à sua arma mais poderosa: a Petrobras anunciou a descoberta de mais um campo gigantesco de petróleo no pré-sal de Santos.
Sempre que a crise é brava, surge um campo novo de proporções sauditas - e o final da história é que, com todos esses campos, depois de anunciar a autossuficiência, o Brasil voltou a importar gasolina e passou a importar até álcool. Para ter de usar mais uma vez sua arma maior, que será que o Governo sabe que nós ainda não sabemos?
Alegre-se
Se a medida é boa ou ruim, depende de análise (e há argumentos ponderáveis a favor e contra). Mas, mesmo que seja ruim, boa parte da população vai vibrar com ela: o senador Cyro Miranda, do PSDB de Goiás, apresentou proposta de emenda constitucional que elimina a remuneração dos vereadores em cidades com até 50 mil habitantes. Pelas contas do tucano, quase 90% dos municípios do país terão vereadores sem salário. "Eles disputarão o cargo", diz Cyro Miranda, "em razão de sua condição cívica, de sua honorabilidade ou de sua capacidade profissional". Restariam 600 municípios cujos vereadores poderiam receber, conforme a população, de 50 a 70% do pagamento de um deputado estadual; e os gastos da Câmara estariam limitados a 3,5% do orçamento municipal.
A proposta já está na Comissão de Constituição e Justiça do Senado.
A biógrafa do biógrafo
Um livro que merece ser lido: de Teresa Ribeiro, O jornalismo literário de Fernando Morais".
Uma ótima jornalista falando de um ótimo jornalista.
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