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Daniel Lima, Pedro Peduzzi e Sabrina Craide e Yara Aquino, da Agência Brasil
O governo anunciou nesta quarta-feira que concederá rodovias à iniciativa privada
Antonio Cruz/ABr
Paulo Sérgio Passos: as condições, que excluem a cobrança
de pedágio no tráfego urbano, foram apresentadas pelo ministro dos Transportes
Brasília – O modelo de concessão de rodovias anunciado hoje (15) pelo governo terá investimentos concentrados nos cinco primeiros anos de concessão e a condição para seleção do concessionário é oferecer a menor tarifa de pedágio.
O pedágio começará a ser cobrado do usuário quando 10% das obras estiverem concluídas e não será permitido cobrança no tráfego urbano.
As condições foram apresentadas pelo ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, durante a cerimônia de anúncio do Programa de Investimentos em Logística para rodovias e ferrovias, com o objetivo de estimular uma maior participação da iniciativa privada nos investimentos de infraestrutura no país.
O financiamento das rodovias prevê Taxa de Juros de Longo Prazo ( TJLP) somada à mais uma taxa, que pode variar em até 1,5%. A carência será de até três anos e a amortização de até 20 anos. O grau de alavancagem poderá variar de 65% a 80%, equivale quanto o interessado no empreendimento pode comprometer do capital.
Nas próximas semanas, serão anunciadas também concessões para portos e aeroportos. Participaram do solenidade no Palácio do Planalto, os ministros da Fazenda, Guido Mantega; do Planejamento, Miriam Belchior; de Minas e Energia, Edison Lobão; da Secretaria de Portos, Leônidas Cristino, e da Secretaria de Aviação Civil, Wagner Bittencourt. Estavam presentes alguns dos principais empresários do Brasil.
***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
No post seguinte, reproduzimos reportagem do Dimmi Amora, para Folha de São Paulo, em que é apresentado o resultado do programa de concessão de rodovias, projetado por Dilma Rousseff, em 2007, quando chefiava a Casa Civil. As mesmas exigências daquele plano se repetem agora, com um pouquinho mais exigências, mas centrando uma preocupação sobre pedágios baratinhos. Não defendo nem um pedágio elevado tampouco a preços populares como exige o governo federal. Defendo, isto sim, um pedágio justo em função da qualidade das rodovias e da excelência na infraestrutura de serviços, a exemplo do que existe em São Paulo. Pagar, mesmo que um preço baixo, por rodovias ruins ninguém merece.
Mais abaixo, reproduzimos um texto do Valor econômico sobre o baixo retorno previsto para estas concessões, algo entre 6 a 6,5%. A menos que me engane, e espero sinceramente estar enganado, baixo retorno com pedágio baratinho, implicará em dificuldades para as concessionárias cumprirem adequadamente os cronogramas de investimentos, principalmente em manutenção.
Em resumo: o modelo Dilma de concessões continua achando que os empresários são um idiotas, que não sabem fazer contas e adoram jogar seu dinheiro no lixo. Vai quebrar a cara outra vez. Azar do Brasil.
