quarta-feira, agosto 15, 2012

Governo recusa proposta de grevistas na primeira mesa de negociações


Cida Alves
Veja online

Foi rejeitada proposta de equiparação salarial dos servidores de nível superior, que resultaria em um aumento de 78%

 (Antonio Scorza/AFP)
Servidores federais em greve

A primeira mesa de negociações do governo com servidores federais em greve durou menos de uma hora e terminou com a recusa do Ministério do Planejamento em atender a proposta dos servidores. Eles pediam a equiparação dos salários dos funcionários de nível superior do Executivo, que resultaria em um reajuste de 78%, segundo cálculos da Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef). O governo marcou uma nova reunião para sexta-feira com a promessa de apresentar uma contraproposta. 

Os representantes da Condsef se reuniram com o secretário de Relações do Trabalho do Ministério do Planejamento, Sérgio Mendonça, nesta manhã. A entidade queria a equiparação de pelo menos 18 categorias à tabela especial de remuneração dos servidores de ensino superior criada com a lei 12.277 de 2010, que concedeu reajuste diferenciado para cinco profissionais: engenheiro, arquiteto, economista, estatístico e geólogo. Hoje, esses profissionais têm salário base inicial de 5.460 reais, e final de 10.209 reais. Segundo os sindicatos, os demais servidores com formação superior começam a carreira ganhando aproximadamente 2.000 reais e terminam com 7.000. Segundo o Condsef, o reajuste atingiria cerca de 20.000 servidores.

“Antes do governo dizia concordar com a nossa proposta”, afirmou o secretário-geral da Condsef, Josemilton Costa. “Agora o secretário afirma que não é possível atender a essa demanda e que apresentará uma proposta para a categoria em uma nova reunião marcada para sexta-feira”.

Corte de ponto –
 Também nesta terça-feira, o governo enviou uma orientação aos gestores de Recursos Humanos de todas as áreas do funcionalismo público federal para que cortem o ponto dos servidores que não compareçam ao trabalho sem justificativa, conforme determina a legislação. Segundo o Ministério do Planejamento, o corte refletiria já na folha de pagamento de agosto. Os servidores pretendem negociar a devolução do dinheiro do corte de ponto no final da greve.

Estão marcadas mais três reuniões de negociação para esta terça-feira. Às 14 horas, serão recebidos os representantes dos servidores do Ministério do Desenvolvimento Agrário e do Incra. Em seguida, está programada a reunião com os técnicos administrativos das universidades federais e, às 17 horas, com os funcionários da Fundação Oswaldo Cruz.

Até a manhã desta terça-feira, estava descartada a concessão de reajuste linear para os servidores. Ainda hoje o Ministério do Planejamento estava às voltas com cálculos para saber quais aumentos poderiam ser concedidos e para quais categorias. Caso fossem atendidas todas as reivindicações dos servidores em greve, o impacto no orçamento seria de mais de 9 bilhões de reais. 

Enquanto o comando de greve está reunido com o governo, grevistas fazem manifestações em frente ao Ministério do Planejamento com faixas e megafones. Para amanhã, está marcada uma caminhada pela Esplanada dos Ministérios durante a manhã. Os manifestantes passarão pelo Palácio do Planalto, onde a presidente Dilma Rousseff anunciará um pacote de concessões para alavancar a economia às 10 horas, com a presença dos principais empresários do país.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
O sujeito que vai para uma reunião em que se negociará reajustes salariais, levando debaixo do braço uma proposta de 78% de reajuste, ou bebeu um daqueles porres homéricos, ou perdeu o juízo de vez e, em consequência, o senso da realidade.

É evidente que esta gente não pretendia negociar coisa nenhuma, muito menos fechar um acordo para acabarem com as greves e parar de atazanar a vida dos brasileiros. 

Há outras motivações por detrás destas greves. Muito embora possam ser políticas, todas são cretinas. Quando a elite do funcionalismo público é quem comanda a própria greve, tendo sua categoria sido a mais abençoada classe de trabalhadores no governo Lula, e ainda por cima vem pedindo 78% de reajuste, então podemos perceber que, além de vagabundo, quer  ganhar sem trabalhar, é cretino por desconhecer a realidade do país e de 90% do trabalhadores brasileiros que, por sinal, são os que lhe pagam o salário.