terça-feira, dezembro 11, 2012

Parlamento aprova licença para Chávez tratar câncer em Cuba


Janaína Figueiredo,O Globo
Agências Internacionais

Presidente já até designou um eventual sucessor caso não consiga desempenhar a função

AFP
Chávez é recebido no Aeroporto Internacional Simon Bolívar, 
em Caracas, por seus ministros: retorno de Cuba

BUENOS AIRES e RIO - A Assembleia Nacional da Venezuela aprovou por unanimidade neste domingo a licença pedida pelo presidente do país, Hugo Chávez, a fim de se tratar de câncer em Cuba. Em um inesperado discurso à Nação na noite de sábado, Chávez informou que deverá realizar uma nova cirurgia em Cuba, já que "após uma exaustiva revisão médica" realizada nos últimos dias foram encontradas "algumas células malignas" em seu corpo. Segundo o líder venezuelano, que deverá viajar ainda neste domingo para a ilha, a nova intervenção deverá ser realizada "nos próximos dias".

Neste domingo, o presidente do Congresso, o deputado oficialista Diosdado Cabello, anunciou durante uma sessão especial a aprovação por unanimidade da viagem de Chávez a Havana que está prevista para este domingo. No fim da noite de sábado, o líder bolivariano admitiu que toda operação "apresenta riscos" e, pela primeira vez desde que confirmou ter câncer, em junho de 201, designou um eventual sucessor, admitindo que, em breve, poderá não estar mais em condições de exercer a Presidência da Venezuela.

Chávez, reeleito em outubro passado, falou até mesmo na possibilidade de novas eleições presidenciais e pediu a todos os seus seguidores que, nesse caso, apoiem uma eventual candidatura de Maduro.

Com tom dramático pouco comum ao chefe de Estado, Chávez afirmou que "se algo acontecer que me impeça de continuar à frente da Presidência da República Bolivariana da Venezuela, Nicolás Maduro (novo vice-presidente do país) não somente nessa situação deverá concluir, como manda a Constituição, o período, senão que minha firme e plena opinião, irrevogável, absoluta, total é que nesse cenário, que obrigará a convocação de eleições presidenciais, vocês escolham Nicolás Maduro como presidente da República Bolivariana". Assim, o presidente terminou com o debate sobre seu sucessor dentro do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV). Além de Maduro, outro dos mais cotados era o atual presidente da Assembleia Nacional (o congresso venezuelano), Diosdado Cabello, um militar reformado como Chávez e considerado representante da ala mais dura e radical do chavismo. Já Maduro, atual chanceler do país, que mantém um excelente relacionamento com o Brasil e os demais governos da região, representa o setor mais moderado do PSUV.

O anúncio de Chávez provocou comoção no país e forte debate nas redes sociais. No Twitter, jornalistas locas ampliaram as informações. Segundo Nelson Bocaranda, uma das primeiras pessoas em se comunicar com o presidente para transmitir força foi sua colega argentina, Cristina Kirchner.

— Com o favor de Deus como em ocasiões anteriores sairemos vitoriosos — disse Chávez, que anteontem retornou a Caracas, após várias semanas e tratamento médico em Cuba.

O presidente venezuelano apelou para a união do país e lembrou que está enfrentando "uma batalha pela saúde".

— Temos enfrentado o problema da saúde com muita mística, com muita fé e muita esperança — declarou o presidente, que em junho do ano passado confirmou, pela primeira vez, ter câncer.

O pronunciamento de Chávez ocorreu às vésperas de importantes eleições regionais na Venezuela, um novo desafio para os opositores do presidente. Em outubro passado, o líder bolivariano foi reeleito para um novo mandato de seis anos, com uma vantagem em torno a dez pontos percentuais em relação a seu principal adversário, Henrique Capriles Radonsky, que obteve cerca de 45% dos votos e nas próximas eleições regionais disputará o governo do estado de Miranda.

Já durante a campanha, informações extraoficiais que circulavam em Caracas indicavam que os problemas de saúde de Chávez eram mais graves do que o Palácio Miraflores admitia publicamente. Para muitos analistas locais, a campanha eleitoral foi um esforço sobre humano para o presidente, que agora enfrenta uma nova recaída.