Carolina Jardim
O Globo
Restituição do IVA vai de 7%, na Cingapura, até 27%, na Hungria. Na França, é possível conseguir reembolso de 19% e em Portugal, de 23%
ARQUIVO PESSOAL
No exterior. A paulista Giluliana Martinelli
conseguiu reembolso de 80 euros em viagem no exterior
RIO — Viajar para o exterior é caro, e pode ficar ainda mais custoso se o turista quiser voltar com a mala cheia de compras. O que muitos não sabem, no entanto, é que o programa pode pesar menos no bolso: em alguns países é possível conseguir a devolução de impostos e economizar em mais de 20% no valor do produto.
O tributo que pode ser devolvido é o Imposto sobre o Valor Agregado (IVA). A quantia reembolsada depende de cada país, embora alguns, como o Brasil, não prevê a devolução. Em um mesmo continente, como na Europa, os principais destinos turísticos praticam restituições distintas, de até 27%, no caso da Hungria.
Na França, a porcentagem devolvida varia de 5% a 19,6% dependendo do produto, cuja compra deve somar no mínimo 175 euros. Em Portugal, vai de 6% a 23% para uma aquisição de no mínimo 61 euros. No Reino Unido, o turista tem que consumir o mínimo de 30 libras para obter um reembolso de 5% ou 20%. Na Argentina, a devolução é de 21% para uma compra mínima de 70 pesos.
Segundo o consulado americano, os Estados Unidos não prevêm a devolução da taxa para os turistas estrangeiros, e a “sales taxes”, como é chamada, é paga aos estados separadamente. Nos estados do Alaska, Delaware, Montana, New Hampshire e Oregon o imposto sobre as vendas não é cobrado - turistas e moradores não pagam o adicional. Já Louisiana criou suas próprias regras e naquele estado é possível solicitar a devolução do tributo.
Segundo a Global Blue, companhia especializada em informações sobre gastos e compras internacionais, o mais importante é o turista lembrar de pedir na loja da compra um formulário de Tax Free que deverá ser apresentado no aeroporto junto com o produto e o recibo. A agência estima que os brasileiros podem ter perdido cerca de 51 milhões de euros em tributos que poderiam ter restituído em 2011 — apenas 38% solicitaram o reembolso de impostos pagos em produtos adquiridos na Europa.
Ainda de acordo com a agência, o reembolso só é garantido em produtos que podem ser levados no aeroporto, como perfumes, eletrônicos e roupas. A restituição não vale para serviços pessoais como hotéis, restaurantes, entretenimento e transporte. E o turista pode receber o valor em cheque, em espécie ou no cartão de crédito.
A paulista Giluliana Martinelli costuma viajar com a família para o exterior e não descarta a possibilidade de garantir o dinheiro do imposto de volta. — Tem gente que acha que não vale a pena, mas já conseguimos reembolso de até 80 euros. Com o dinheiro, ainda dá para gastar no free shop ou guardar para a próxima viagem — disse.
Segundo ela, no entanto, pode haver alguns inconvenientes como fila e também na vistoria da alfândega. — Em uma viagem à Argentina, não consegui a restituição de um vestido pois alegaram que o tecido era importado — contou.
Saber como funciona o processo é a melhor forma de garantir o reembolso, na avaliação do vice-presidente de Relações Internacionais da Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav), Leonel Rossi. Ele aconselha que o turista se informe no estabelecimento da compra:
— As lojas de departamento são mais bem equipadas. Lá tem um setor específico, que te dá o formulário e explica como têm que fazer na alfândega. Outros estabelecimentos, porém, não informam. O cliente deve pedir a via — disse.
No momento de solicitação do reembolso, uma das exigências é que o turista mostre o produto. Um dificultador, segundo Rossi, é que em alguns países da União Europeia só é possível pedir o reembolso no país de conexão. Dessa forma, o viajante deve manter a compra acessível durante os voos. — Isso já aconteceu comigo em Lisboa. Tem que tomar cuidado e deixar o produto na bagagem de mão — explicou Giluliana.
Quanto você pode receber com a restituição de impostos em compras no exterior
Devolução do Imposto sobre o Valor Agregado (IVA) vai de 7%, na Cingapura, até 27%, na Hungria. Consulte a lista por país.
|
País
|
VAT-rate
|
Valor mínimo
|
|
Argentina
|
21%
|
70,00 pesos
|
|
Austria
|
até 20%
|
75,01 euros
|
|
Bélgica
|
até 21%
|
125,01 euros
|
|
Croácia
|
até 25%
|
740,00 kunas
|
|
Chipre
|
17%
|
70,00 euros
|
|
República Checa
|
até 20%
|
2.000,01 coroas checas
|
|
Dinamarca
|
25%
|
300,00 dinans
|
|
Estônia
|
20%
|
38,01 euros
|
|
Finlândia
|
até 23%
|
40 euros
|
|
França
|
até 19,6%
|
175,01 euros
|
|
Alemanha
|
até 19%
|
25,00 euros
|
|
Grécia
|
até 23%
|
120,00 euros
|
|
Hungria
|
até 27%
|
52.001,00 forints
|
|
Islândia
|
até 25,5%
|
4.000 coroas islandesas
|
|
Itália
|
até 21%
|
154,94 euros
|
|
Coréia do Sul
|
10%
|
30.000,00 wons
|
|
Letônia
|
até 21%
|
30,26 lats
|
|
Líbano
|
10%
|
150.000,00 libras
|
|
Lituânia
|
21%
|
200,00 litas
|
|
Luxemburgo
|
15%
|
75,00 euros
|
|
Marrocos
|
20%
|
2.000,00 dirhams
|
|
Holanda
|
até 21%
|
50,00 euros
|
|
Noruega
|
até 25%
|
290,00 coroas norueguesas
|
|
Polônia
|
até 23%
|
200,00 slotys
|
|
Portugal
|
até 23%
|
62,35 euros
|
|
Cingapura
|
7%
|
100,00 dólares Cingapura
|
|
Eslováquia
|
até 20%
|
175,00 euros
|
|
Eslovênia
|
até 20%
|
50,01 euros
|
|
Espanha
|
até 21%
|
90,16 euros
|
|
Suécia
|
até 25%
|
200,00 coroas suecas
|
|
Suíça
|
8%
|
300,00 francos suíços
|
|
Turquia
|
até 18%
|
108,00 novas liras
|
|
Reino Unido
|
até 20%
|
30,00 libras esterlinas
|
FONTE: GLOBAL BLUE
