terça-feira, maio 14, 2013

Alguma coisa acontece nos bastidores da sucessão presidencial…


Carlos Newton
Tribuna da Imprensa

Como diz Caetano Veloso, “alguma coisa acontece”. E de repente acontece que o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, deu uma surpreendente recueta e disse que não é o momento de antecipar o debate eleitoral, acrescentando que só vai definir se disputará a Presidência após uma ampla consulta à base do partido.

É uma conversa fiada e tanto. Como todos sabem, a tal “base do PSB” responde pelo nome de Eduardo Campos, por mais que os irmãos Ciro e Cid Gomes esperneiem dizendo que o partido não pode ter dono e tudo o mais.

Na inusitada entrevista, o governador Campos ainda retomou o discurso de independência do PSB, afirmando que sua legenda não é “satélite de nenhum partido” e dizendo que “não temos relação de submissão com ninguém”.

QUE COINCIDÊNCIA
Por coincidência (mera coincidência, é claro), essa mudança de postura ocorreu depois de uma conversa com o ex-presidente Lula, relatada pelo jornalista Merval Pereira, em O Globo. No diálogo, Lula teria perguntado se Campos seria mesmo candidato, e ele confirmou. Então, Lula deu o xeque-mate: “E seu eu for candidato, você vai disputar?” O governador, é claro, logo mudou de ideia: “Bem, nesse caso, eu abandono minha candidatura”.

Depois, no Correio Braziliense, a colunista Tereza Cruvinel (petista e muito ligada a Lula) confirmou a conversa de Lula com o governador pernambuco e também falou claramente sobre a possibilidade de o ex-presidente se candidatar pelo PT, no lugar de Dilma.

Também por coincidência, é claro, nos últimos dias realmente Campos optou por se recolher e evitar muita exposição na mídia. A nova postura – após mais de quatro meses de exposição como presidenciável – reforçou a informação de que ele poderia mesmo desistir da corrida presidencial.

Questionado sobre as notícias divulgadas pelo PT sobre a desistência de concorrer ao Planalto, Eduardo Campos desconversou. “Não comento teria dito“.

A BRIGA É FEIA
Bem, conforme temos registrado aqui na Tribuna da Imprensa, sempre com absoluta exclusividade, a briga de bastidores entre Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula, que disputam a candidatura pelo PT, continua esquentando os bastidores em Brasília.

No Planalto, o ministro Gilberto Carvalho, representante de Lula no terceiro andar do palácio,  está completamente marginalizado. Até os garçons que servem cafezinho sabem que a presidente Dilma e a ministra Gleisi Hoffmann sonham com a demissão dele, mas Carvalho só sai se Lula mandar.

O assunto é muito importante e amanhã voltaremos a ele, com novas informações exclusivas sobre uma recente derrota do Planalto no caso Rosemary Noronha.