Josias de Souza
Em litígio com Dilma Rousseff por causa da MP dos Portos, o senador e ex-governador paranaense Roberto Requião (PMDB-PR) difunde na web um vídeo de 2010. Nessa época, Dilma era chefe da Casa Civil e pré-candidata à sucessão de Lula. Não parecia preocupada com a ineficiência dos portos públicos brasileiros. Ao contrário. Em visita a um deles, o Porto de Paranaguá, esmerou-se nos elogios.
“O Porto de Paranaguá tem, hoje, um processo que eu chamaria de revolucionário no que se refere à gestão e às condições de operação.” Tratava-se de um “exemplo” a ser imitado pelos que desejassem “operar um porto de forma moderna, ágil e efetiva.” Dois acompanhantes de Dilma –Pedro Brito, então ministro dos Portos; e Fernando Fialho, diretor-geral da Antaq (Agência Nacional de Transportes Aguaviários)—foram igualmente generosos nos aplausos.
Decorridos menos de três anos, Dilma pega em lanças para aprovar no Congresso, sem muita conversa, a medida provisória que altera o funcionamento dos portos, injetando mais iniciativa privada no sistema. Aliados como Requião, que acreditavam na Dilma de 2010, decepcionaram-se. Os ex-adversários dão boas-vindas à nova Dilma, um tanto mais liberal.