terça-feira, maio 14, 2013

EPL estuda construir ferrovia entre Cuiabá e Santarém. Mas que tal terminar primeiro as que estão em construção?


Guilherme Soares Dias e Rodrigo Pedroso
Valor

SÃO PAULO - O presidente da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), Bernardo Figueiredo, afirmou hoje que o governo estuda construir uma ferrovia ligando Cuiabá a Santarém (PA), margeando a BR-163. De acordo com ele, há uma parceria com o governo do Mato Grosso para a contratação dos estudos de viabilidade ainda neste ano. "O contrato deve ser assinado o ano que vem", diz.

Figueiredo lembrou que a ferrovia faz parte de um segundo momento da construção de ferrovias, após a contratação dos 10 mil quilômetros de linha férrea previstos no Programa Integrado de Logística, lançado no ano passado. "Temos R$ 500 bilhões de déficit de investimentos em logística. Vamos contratar esse programa e já contratar os próximos projetos", disse.

Dessa forma, Figueiredo afirma que o investimento em infraestrutura deve ser uma ação contínua. Ele lembra ainda que num primeiro momento a conclusão da pavimentação da BR 163 entre Santarém e Cuiabá resolverá o gargalo no escoamento da soja na região.

A região norte do Mato Grosso, onde se concentra a maior produção de soja brasileira, também será cortada pela Ferrovia da Integração do Centro-Oeste (Fico), que vai ligar Campinorte (GO) até Lucas do Rio Verde (MT). "Faremos audiência pública em Lucas do Rio Verde nas próximas semanas. A expectativa é soltar o edital até agosto", disse.

Segundo ele, o prazo máximo de construção da ferrovia é de cinco anos. Numa segunda fase, a ferrovia vai de Lucas do Rio Verde até Porto Velho. Depois de prontas, as ferrovias irão transportar, segundo Figueiredo, cerca de 70% a 80% da soja produzida no país.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Em tempos de apagão logístico, este é o tipo de conversa mole que tem mais cheiro de promessa eleitoreira, para enganar os incautos, do que qualquer resquício de verdade e de bom senso.

Ora, que tal priorizar, por exemplo, as conclusões das ferrovias Ferronorte e Norte-Sul, sendo que esta última já se arrasta por longos 25 anos? Ou, ainda, que tal liberar a conclusão das hidrovias que circundam o Centro-Oeste como a do Rio Madeira, a do Pantanal, a do Araguaia e a do Teles Pires? Ou, quem sabe, concluir a secular e interminável Rodovia BR-163? 

Somente aí já se teria um enorme alivio para os produtores do Centro-Oeste, ao invés de ficar com papo furado de “futuras” obras faraônicas que, além de esperanças perdidas, nada acrescentam ao problema de escoamento das imensas safras que o país tem produzido.