sábado, junho 08, 2013

No MT, após receber críticas de alunos, faculdade pública afirma que quem for do contra deve se retirar

Leonardo Vieira
O Globo

Estudantes de Medicina da Universidade Estadual do Mato Grosso se surpreenderam com reação da pró-reitora
Eles pediam mudanças na metodologia e melhorias de estrutura
Episódio gerou protestos nas redes sociais

Divulgação 
Fachada da Universidade Estadual do Mato Grosso 

RIO - Depois de pedir melhorias estruturais e mudanças metodológicas na graduação de Medicina, alunos da recém-criada Universidade Estadual do Mato Grosso (Unemat) receberam da direção uma resposta, no mínimo, inesperada. Ao defender o curso, a pró-reitora de Ensino e Graduação, Ana Maria Di Renzo, enviou uma carta de sete páginas ao grupo de estudantes. Ela afirma, com suas palavras, que os estudantes que são contra a metodologia deveriam buscar outras instituições.

“(...) Quem conceber o contrário de tudo o que foi aqui explanado acerca das metodologias ativas de ensino e aprendizagem adotadas pelo curso de Medicina da UNEMAT está inserido em um local errado e deve, sim, procurar uma instituição de práticas conservadoras, para não dizer, retrógradas. (...)”.

A carta gerou protestos nas redes sociais. Uma internauta reagiu à resposta da professora escrevendo: “Ame-a ou deixe-a”.

- Foi muito insensível da parte deles. Ficamos tanto tempo num cursinho, passamos no vestibular e, depois, tivemos que ouvir uma resposta dessa. É revoltante - afirma uma das alunas do segundo período do curso, que pediu para não ser identificada.

A polêmica começou no dia 20 de maio. Um grupo de 23 alunos de Medicina entregaram uma carta à coordenação pedindo modificações no curso, que foi criado há menos de um ano. Dentre as demandas, os estudantes queriam aulas expositivas como forma de introduzir o conteúdo, antes de passarem para as aulas práticas. Segundo eles, da forma atual, o aluno tem aula prática logo no início do curso, e o professor serviria “apenas como mediador”.

Ainda de acordo com os estudantes, faltam professores de patologia e embriologia. Também não há laboratórios de microbiologia, imunologia e parasitologia, embora eles sejam necessários apenas a partir do próximo semestre, quando os alunos terão aulas das referidas disciplinas.

Em resposta ao GLOBO, a pró-reitora Ana Maria Di Renzo reafirma o compromisso do curso, de usar, “de maneira ousada”, a metodologia de aulas práticas, onde o aluno é posto para solucionar problemas. Para a pró-reitora, a falta de professores é “compreensível” num curso recém-inaugurado.

- Há que se considerar que o curso de Medicina teve início no ano passado, configurando-se como política de Estado, uma vez que contou com o apoio do governo do Estado e de suas secretarias, bem como do Conselho Estadual de Educação e do Conselho Nacional de Saúde. Nesse sentido, é perfeitamente compreensível que não haja professores efetivos suficientes.

Ana Maria Di Renzo explica ainda que a Unemat obteve, no último dia 22 de maio, autorização para realização de um concurso público para contratar 15 professores para Medicina.

- Há instituições no Brasil que levam muito mais tempo para efetivação docente - ressalta a pró-reitora.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
Este é o Brasil dos tempos trevosos do PT. Quando se luta por uma causa justa, e prioritária como é a melhoria da Educação, a reação é sempre a agressão, a falta de senso de responsabilidade, o respeito que se deve ter com a crítica e, principalmente, o desequilíbrio emocional daqueles de quem, pelo cargo que ocupam, se esperaria um mínimo de decoro. Quem deveria ser chutada para longe de qualquer universidade, por absoluta falta de equilíbrio e competência é a senhora Ana Maria, que precisa aprender a lidar com pessoas, não animais. Até porque, tanto quanto se saiba, trata-se de um estabelecimento público, e não privado, de propriedade da senhora Ana Maria.