João Domingos
O Estado de S. Paulo
Marta Azevedo alegou ter pedido para deixar o cargo em função de problemas de saúde
Marta Azevedo, Presidente da FUNAI
BRASÍLIA - Em meio à crise causada pela morte do índio terena Oziel Gabriel há oito dias, durante ação da Polícia Federal para a desocupação de uma fazenda em Sidrolândia (MS), a antropóloga Marta Maria Azevedo pediu nesta sexta-feira, 7, demissão da presidência da Fundação Nacional do Índio (Funai). A diretora de Promoção ao Desenvolvimento Sustentável, Maria Augusta Assirati, assume o cargo interinamente.
Marta Azevedo alegou problemas de saúde. Em nota divulgada no início da noite, a Funai afirmou que "a decisão foi tomada por ela em virtude da necessidade de realizar tratamento médico, que é incompatível com a agenda de presidenta (do órgão)".
Informações de bastidores, porém, são de que a saída da dirigente da Funai teve como causa a morte do índio Oziel, o atentado a tiros contra outro terena - Josiel Gabriel - também em Sidrolândia, há três dias, e a resistência dos indígenas de várias etnias contrários à construção de hidrelétricas na Amazônia.
Dilma tem baixo índice de demarcação de terras
Em comparação com os últimos governos, desde a gestão de José Sarney, a presidenta Dilma foi a que menos demarcou terras indígenas. Levantamento do Instituto Sócio Ambiental aponta que, nos últimos 27 anos, das 340 terras declaradas, apenas cinco foram na era Dilma, o que equivale a 1%. O índice de homologação das áreas também é o pior dos últimos tempos: de 437, apenas 10 são do atual governo.
O ex-presidente FHC (PSDB) foi o recordista de demarcações. Em dois governos, declarou 118 e homologou 145.
Já nas duas gestões do ex-presidente Lula (PT), o número foi menor. No total, foram declaradas 81 terras indígenas e homologadas 87.
Em dois anos de mandato, Fernando Collor homologou 112 áreas, seguido de 67 de José Sarney e de 16 do governo Itamar Franco.
