sábado, junho 08, 2013

Obama defende grampos: “ninguém está ouvindo suas ligações”

Veja online

Em coletiva, presidente defendeu vigilância e disse que congressistas sabiam

(Larry Downing/Reuters) 
"O programa não se aplica aos cidadãos americanos",
 disse Barack Obama sobre vigilância 

Acossado pelo escândalo dos grampos em telefones e e-mails de milhões de pessoas, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, falou pela primeira vez nesta sexta-feira a respeito da invasão da privacidade do governo em nome do combate ao terrorismo. Obama procurou ressaltar que o governo não tem acesso ao conteúdo das gravações. "Ninguém está ouvindo as ligações", disse. Afirmou ainda que o Congresso sempre esteve a par dos programas secretos de espionagem do governo, revelados em reportagens do The Guardian e Washington Post.

“A NSA (Agência de Segurança Nacional) não está de olho nos nomes das pessoas nem no conteúdo das conversas, eles estão estudando os chamados ‘metadados’, eles podem identificar algumas tendências que podem ajudar as autoridades a interromper potenciais planos terroristas", disse Obama em uma coletiva de imprensa. “Em relação à internet, isso não se aplica aos cidadãos americanos, nem às pessoas que vivem nos Estados Unidos”, afirmou. “As pessoas envolvidas na Segurança Nacional dos EUA levam seu trabalho muito a sério, a última coisa que eles estariam fazendo em programas desse tipo seria usá-los para ouvir as ligações telefônicas das pessoas”.

Em vários momentos, o democrata reforçou que congressistas dos dois partidos e juízes federais estavam cientes dos trabalhos. E sugeriu que o debate parlamentar sobre o tema deveria oferecer ao público alguma confiança de que a vigilância não é um caso de abuso. “Se, de fato, houve abusos, então, presumivelmente, os membros do Congresso poderiam levantar estas questões. Eles têm poder para isso”. Na quinta-feira, senadores democratas e republicanos afirmaram que sabiam que o governo verificava os registros telefônicos de milhões de usuários da empresa Verizon.

Ele também criticou a falta de cuidado na revelação dos dados, especialmente do programa ultrassecreto que vasculha a vida dos americanos em sites como o Google e o Facebook. “Essa informação foi divulgada indiscriminadamente, então fica ainda mais difícil para nós protegermos o povo americano.” 

O presidente veio à público defender os programas depois de ter a sua retórica a favor dos direitos civis questionada pela União de Liberdades Civis dos Estados Unidos. Obama, que iniciou sua carreira como um advogado de direitos civis, é acusado agora de quebrar sua promessa eleitoral de combater o terrorismo e ao mesmo tempo proteger as liberdades individuais. 

Obama já vinha sendo questionado desde o escândalo dos grampos a jornalistas da agência de notícias Associated Press e a investigação contra um repórter da rede de televisão Fox News. Quando era candidato presidencial em 2008, o democrata criticou as medidas antiterrorismo usadas por seu antecessor, o republicano George W. Bush. Ao ocupar a Casa Branca, Obama manteve não só manteve as táticas antiterrorismo de Bush, como as ampliou.

Vigilância - 
Este é o quarto escândalo a atingir o segundo mandato de Obama, depois do caso criminoso da perseguição do Fisco a grupos conservadores e da manipulação de informações sobre as ameaças terroristas à representação americana na Líbia. Nesta semana, o jornal britânico The Guardian revelou que a Agência de Segurança Nacional investiga telefonemas de milhões de clientes da operadora Verizon. Na sequência, o jornal americano The Washington Post divulgou que a NSA e o FBI têm acesso direto aos servidores centrais de nove das maiores empresas de internet americanas.

Sob o programa Prisma, a inteligência americana pode consultar áudios, vídeos, fotografias, conteúdos de e-mails, arquivos transferidos e logins dos usuários. O programa altamente secreto está em andamento desde 2007. Ao longo desse período, nove companhias passaram a fazer parte da operação. A Microsoft foi a primeira a entrar, em novembro de 2007. O Yahoo passou a fazer parte em 2008. Google, Facebook e PalTalk, em 2009, YouTube em 2010, Skype e AOL, em 2011, e a última, a Apple, em outubro de 2012. A PalTalk, mesmo bem menor do que as demais, registrou tráfego significativo durante as revoltas nos países árabes e também na guerra civil da Síria. O Dropbox, serviço de armazenamento de dados em nuvem, é descrito como o próximo a entrar no sistema.

Versão - 
Algumas das empresas citadas no artigo - Google, Apple, Yahoo e Facebook - imediatamente negaram que o governo tenha tido "acesso direto" aos seus servidores centrais. A Microsoft disse que não participou voluntariamente de nenhuma coleta de dados governamentais, e que apenas cumpre "ordens de solicitações sobre contas ou identificadores específicos".

James Clapper, diretor de inteligência nacional, disse que a reportagem do Washington Post contém "numerosas imprecisões" e defendeu o Prisma e a coleta de dados telefônicos. Ele disse que as revelações sobre essas manobras são "repreensíveis" e constituem um "dano irreversível" ao país.