terça-feira, julho 02, 2013

Governo indica que cortará gasto, mas já anunciou novo truque contábil

Míriam Leitão 
O Globo

A presidente Dilma tem reunião marcada para hoje com ministros como parte das respostas às manifestações de rua. Deve conversar com eles a respeito das propostas apresentadas recentemente nas áreas de educação, saúde, transporte e sobre a reforma política. Mas não há reunião que flua bem quando há 39 ministérios.

Há indicações de que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, falará em corte de despesas, congelamento de R$ 15 bilhões em gastos públicos para abrir espaço para novos investimentos nas áreas requeridas pelos manifestantes.

O próprio governo, no entanto, vem gastando tanto que se colocou numa armadilha. Uma matéria publicada hoje pelo "Estadão" enfraquece a declaração dada por Mantega ao GLOBO no fim de semana. Ele tinha falado que qualquer novo gasto teria que ser com corte de despesa, mas o "Estadão" mostra que será feito mais um truque contábil: o governo vai conceder R$ 15 bi ao BNDES.

O governo se endivida, passa para o banco, que aumenta o capital. O BNDES passa lucro até mais do que tem nas operações ao governo. No fim das contas, está criando dinheiro, mas uma hora a conta é cobrada.
O BNDES tem que fortalecer sua própria capacidade de emprestar sem precisar receber tanto dinheiro de endividamento do governo.

Pelo excesso de criatividade contábil, está ficando cada vez mais difícil entender as contas públicas.

A presidente Dilma vai dar declarações após essa reunião, mas acho que será mais um daqueles anúncios vazios. Não é por falta de anúncio que este governo está onde está. Toda semana anuncia alguma coisa grandiosa, mas depois não realiza. O governo continua cavando o buraco no qual está entrando, com a economia crescendo cada vez menos, sem dinamismo e com inflação alta.