terça-feira, julho 02, 2013

Plebiscito ou reunião de condomínio

Fernando Gabeira

A proposta do governo de realizar um plebiscito para a reforma política é uma tentativa de dar ao movimento das ruas um final empolgante como uma reunião de condomínio. É o sonho dos burocratas do PT. Mas será difícil colocá-lo em funcionamento.

No princípio, a palavra plebiscito seduz, como quase todas as medidas anunciadas, a maioria uma cortina de fumaça.

A ideia do plebiscito foi lançada para se tornar uma bomba de gás entediante que vai aos poucos dissipando todo mundo.

Lembro-me que participei de inúmeras discussões sobre reforma política e, no final, até nós estávamos um pouco casados do tema.

O ideal é apresentar os principais temas da reforma, votá-los sob vigilância da eleitores e submetê-lo a um referendo com uma simples pergunta.

O líder desse processo é Aloisio Mercadante que disse o seguinte: faremos apenas perguntas concretas.

Isso me abalou. Afinal é o Ministro da Educação e considera uma pergunta concreta ter o voto distrital puro ou voto distrital misto.

É um tipo de proposta feita para enganar os que a avaliam apressadamente.

O plebiscito pode parecer mais democrático mas não é essa a intenção. Continuamos com um problema: como os deputados vão votar o que a maioria da população espera?

A resposta para isso foi dada durante a semana. A pressão popular sobre pontos específicos faz o Congresso ceder.

É preciso ter muita clareza sobre quais os pontos que realmente respondem à crise desencadeada pela revolta popular e aqueles que são jogados na mesa para entorpecer o debate.

Qual reforma política partindo do PT vai ter dois pontos fundamentais: mais dinheiro para o PT e maior controle do processo político.

Não sou pessimista. A oposição se desgastou menos que o governo. Ela tem condições de criticar esse pacto nacional enganador e o truque do plebiscito.

Em primeiro lugar, precisa fortalecer sua agenda para um pacto: redução de ministérios, auditoria dos gastos na Copa e propostas menos bombásticas para educação e saúde.

Em segundo lugar, precisa fortalecer a alternativa do referendum, no qual a população aceita ou não a reforma aprovada no Parlamento.

Ficaremos com o poder de revogar o revogável, Mercadante, sem precisar revogar o irrevogável como você costuma fazer.

Precisamos de um itinerário para sair da crise imediata e levar o país até 2014, para que aí surjam também propostas mais consistentes de mudança.

O PT continuará tentando tirar vantagem da situação. Mas não há magia que ressuscite a imagem do país satisfeito com a economia e tolerante com a corrupção.

Havia uma pedra no meio do caminho.