domingo, setembro 08, 2013

A escolha de Tóquio

Adelson Elias Vasconcellos

Não é novidade para ninguém que acompanha o blog, nossa posição contrária as candidaturas do Brasil para sediar tanto a Copa do Mundo de 2014 (e por tabela a Copa das Confederações em 2013, que vinha no pacote), quanto as Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro.

Não que o Brasil não pudesse tal possibilidade, mas não agora. Os vultuosos investimentos em estádios para a Copa e nas instalações esportivas para os Jogos Olímpicos, representava um valor que não poderíamos nos dar ao luxo de gastar agora. Há muitas carências com maior urgência  que exigem do poder público dedicação total. 

Dada a forma pouco organizada como o Brasil se preparando para estes eventos devem ter acendido uma luz amarela tanto na FIFA quanto no COI. 

Um país como o Brasil, com as carências que têm, deve priorizar sempre questões como saúde, educação, saneamento básico, infraestrutura, segurança.

Vez por outra, reproduzimos aqui textos do site Contas Abertas demonstrando os precários investimentos feitos pelos governos petistas nestas áreas. 

Assim, destinar aproximadamente R$ 100 bilhões (o total não ficará muito longe disto), nestes três eventos é um desperdício completo, uma total falta de visão de país,  de suas emergências, do grau decrépito em que se encontram serviços públicos essenciais à sua população.

Ontem, em Buenos Aires, o COI anunciou a escolha de Tóquio para sediar os Jogos Olímpicos de 2020. Concorriam Istambul, Turquia e Madrid, Espanha, além dos japoneses. 

A Espanha, na última hora, resolveu recuar e desistir. A difícil situação econômica do país, e as consequências sociais advindas de sua crise, não autorizavam que continuasse insistindo, neste momento, com sua postulação. Em primeiro lugar, o bem estar do povo. O resto vem depois.

Restaram Turquia e Tóquio. A escolha, creio, levou em conta os problemas que o Brasil vem apresentando para a organização de seus jogos. A Turquia, praticamente, partiria do zero para poder abrigar os Jogos Olímpicos e, neste sentido, a má experiência com o Brasil fez com que a escolha final recaísse em Tóquio. 

E é aí que a gente observa o que um país, seja para a Copa do Mundo ou Jogos Olímpicos, deve apresentar como virtude maior para sediar eventos desta magnitude. Tóquio tem pronto, hoje, 80% concluídos tanto a infraestrutura quanto as instalações esportivas. Assim, o efeito que representa para a economia do país concluir e atender as exigências, não exigirá dos japoneses, maiores esforços e sacrifícios. 

Dada a importância destes eventos, não se pode correr riscos. O Brasil continua e continuará por algum tempo sendo um enorme risco, com grande probabilidade de derrapagem.

As manifestações da população, insatisfeitas pela falta de investimentos similares ao “padrão FIFA” no campo dos serviços públicos, de fato, são sinal de que as próximas escolhas, tanto para Copa do Mundo quanto para Jogos Olímpicos, devem mirar em países que tenham um mínimo de estrutura, que parte dos cadernos de exigências já apresentem resultados práticos no momento em que os países apresentem suas candidaturas.

A escolha do Japão, neste sentido, sinaliza uma mudança de postura, pelo menos por parte do Comitê Olímpico Internacional. Aprendizes de feiticeiros, países que ainda remam na imaturidade de governos que adoram o artificialismo da propaganda ao invés de seriedade e responsabilidade em assumir e cumprir compromissos com  a comunidade internacional, e tratam tais eventos apenas pelo ângulo do apelo eleitoreiro, devem ser descartados. É de esperar que a FIFA também siga tal critério, muito embora, com os dirigentes que tem,  isto ainda leve certo tempo para acontecer.

A candidatura de Tóquio, nas condições em que foi apresentada, é um avanço. Algo em que o Brasil deveria ter se espelhado lá atrás. 

Infelizmente, agora é tentar reduzir o prejuízo e tratar de pagar, durante um bom tempo a conta que restará desta brincadeira. 

Em vez de cidadania, estupidez
Manifestação é um direito democrático que deve ser respeitado. Mas o que se viu pelo Brasil hoje, principalmente no Rio e em Brasília, não foi um exercício de cidadania. Foi estupidez misturada com alta dose de banditismo. Selvageria em mais alto grau de violência. Isto não é democracia, é baderna, é bagunça, é anarquia. 

Em parte tais atos são fruto de anos de governos petistas que jamais investiram em segurança, até pelo contrário. Mesmo quando na oposição, os petistas sempre semearam a violência com  instrumento de manifestação.  

Doloroso é mais ainda ver um grupo de jovens pondo fogo numa bandeira brasileira, em pleno Dia da Independência. Isto é crime, e demonstra uma total falta de respeito para com os símbolos pátrios mais sagrados. 

Infelizmente, grande parte da imprensa brasileira como que bate palmas para a estupidez. Se a polícia ousar reprimir receberá quilômetros de queixas e críticas.  Talvez no dia em que estes delinquentes morais, através de pedras ou até coquetéis molotov e pedaços de ferro aleijar alguém, ou fruto de sua violência provocar a morte de um inocente, a imprensa brasileira se dê conta de que até aqui jogaram do lado errado. Em vez de cidadania, estão é incentivando a violência e a estupidez.  Não adianta “diálogo” com quem só deseja baderna e anarquia. 

Ou se restabelece a ordem e a autoridade, ou, de bom, não se construirá coisa alguma.