domingo, setembro 08, 2013

Estreita-se área de manobra de Obama

Editorial
O Globo


O presidente Barack Obama saiu da reunião do G-20, em São Petersburgo, sem convencer nenhum dos países que já eram contra seu planejado ataque à Síria, para punir o ditador Bashar Assad pelo uso de armas químicas contra o próprio povo. Mas obteve uma declaração de 11 aliados de que “é preciso uma forte resposta internacional a esta grave violação das normas mundiais (...), que enviará uma mensagem clara de que esse tipo de atrocidade não pode se repetir.” O texto não entra no mérito da ação militar. A margem de manobra dos EUA se reduziu. O presidente americano, como para enfatizar a sinuca em que está agora, discursou no G-20 que foi “eleito para acabar com as guerras, não para iniciá-las”.

Os que se declaram contrários, capitaneados pela Rússia do anfitrião Vladimir Putin, e incluindo o Brasil, exigem que qualquer ação seja autorizada pelo Conselho de Segurança da ONU. Isto de fato é o desejável, pois daria à iniciativa a legalidade de que carece. Mas Moscou e Pequim, salvo surpresas, jamais aprovarão um ataque contra Assad, principal aliado russo no Oriente Médio. Sobre isto, comentou Obama: “Dada à paralisia do Conselho de Segurança nessa questão, se falamos sério sobre banir o uso de armas químicas, é necessária uma resposta internacional, e ela não virá da ONU”. Mas esse caminho não deve ser abandonado.

Os EUA têm um histórico de agir militarmente à margem do Conselho de Segurança, quando acham que seus interesses estão ameaçados. Como em Granada (1983), Panamá (1989), Iugoslávia via Otan (1999) e Iraque (2003). O que não quer dizer que outros países também não o tenham feito, como as intervenções de Israel no Líbano (2006) e da Rússia na Geórgia (2008).

O problema na Síria não são tanto os interesses imediatos dos EUA, mas o fato de Obama ter traçado uma “linha vermelha” além da qual Assad não poderia ir: usar armas químicas. Ele foi.

Há em curso uma contagem regressiva. Obama marcou pronunciamento à nação para terça-feira. Os americanos são, por larga margem, contrários a que o país embarque em mais uma ação, para uns, ou aventura, para outros, militar no Oriente Médio. Há mais um ponto pendente. O presidente pediu autorização formal do Congresso para o ataque e ela poderá demorar.

O que é uma vantagem. É preciso muito trabalho para convencer Moscou a ficar do lado certo. É necessário explorar ao máximo as opções não militares. O colunista Thomas E. Friedman, do “New York Times”, sugere levar à ONU, para condenação, o nome de Assad e todos os envolvidos com o ataque com gás que matou 1.400 pessoas; assim como denunciá-los ao Tribunal Penal Internacional por crimes contra a Humanidade. Pode não resolver, mas pressiona.

Obama não quis responder o que fará se o Congresso não autorizar o ataque.